| Michael Carter, Tuesday, July 06, 2010 |
No conjunto das pessoas com VIH, tem-se vindo a constatar a presença de taxas aumentadas de doença cardiovascular, taxas elevadas essas cujas causas são ainda motivo de algum debate. As possíveis explicações incluem os efeitos directos do VIH, a inflamação, factores relacionados com os estilos de vida ou os efeitos secundários de alguns fármacos ARVs.
O estudo de interrupção do tratamento SMART descobriu que as pessoas seropositivas para o VIH a fazer terapêutica ARV e com contagens de CD4s superiores a 350 células/mm3 apresentavam taxas inferiores de doença cardiovascular do que as pessoas com contagens mais baixas que não se encontravam a fazer tratamento.
Assim, de modo a reduzir o risco de doença cardiovascular e de outras doenças graves, as linhas de orientação relativas aos tratamentos recomendam que os doentes devem iniciar o tratamento antes que o valor das suas células CD4 caia abaixo das 350 cél/mm3.
Alguns investigadores, inclusivamente, acreditam que o início do tratamento com valores ainda mais altos de CD4s pode apresentar benefícios adicionais.
Foi, assim, neste contexto que um grupo de investigadores de S. Francisco, EUA, envolvidos no Study of the Consequences Of the Protease Inhibitor Era (SCOPE) levou a cabo um estudo cross-sectional com 80 pessoas seropositivas para o VIH. A hipótese que os investigadores colocaram foi a já referida acima, ou seja, que os doentes que iniciavam o tratamento com valores de CD4 inferiores a 350 células apresentariam um endurecimento arterial maior do que os que haviam começado o tratamento com um sistema imunitário mais preservado. A rigidez arterial foi avaliada utilizando a análise da onda de pulso (Axis@75) e a velocidade da onda de pulso carotídeo-femoral.
Os doentes tinham uma idade média de 47 anos e uma elevada prevalência de factores de risco tradicionais para doença cardiovascular. Todos se encontravam a fazer terapêutica ARV e todos tinham apresentado uma carga viral indetectável durante, pelo menos, 12 meses.
A maioria (65) dos participantes havia começado a terapêutica ARV com valores de CD4 inferiores a 350 células/mm3.
Os indivíduos que começaram a terapêutica com os valores mais baixos de células CD4 tinham sido infectados pelo VIH há mais tempo (17 vs 6 anos, p < 0.001), apresentavam valores de CD4s actuais mais baixos (459 vs 785 cél/mm3, p < 0.001), bem como valores de nadir inferiores (85 vs 94 cél/mm3, p < 0.001) em comparação com as pessoas que haviam iniciado o tratamento com valores mais elevados de CD4 (valores superiores a 350 cél/ mm3).
A rigidez arterial, medida por Axis@75, mostrou-se associada a vários factores de risco como a idade, tensão arterial, uso de medicamentos para controlo da tensão arterial, tabagismo e história familiar.
Os factores relacionados com o VIH também se mostraram significativos, incluindo a duração maior da infecção (p = 0.006), duração maior de tratamento com um inibidor da protease (p = 0.05), e o início da terapêutica ARV com uma contagem de CD4s inferior a 350 células (p < 0.001).
A análise subsequente, realizada com vista a controlar possíveis factores confundentes, mostrou que o facto de se iniciar terapêutica ARV com um valor de CD4s inferior a 350 células era o único factor relacionado com o VIH associado de forma significativa (p = 0.003) com rigidez arterial.
Os investigadores enfatizam que nem a duração da terapêutica ARV, nem o uso de classes específicas de fármacos nesse tratamento se mostraram associados com este método de avaliação da rigidez arterial.
Além disso, os investigadores descobriram haver uma relação entre uma velocidade de onda de pulso diminuída e o início do tratamento ARV com uma contagem de CD4s inferior a 350 células (p = 0.03).
“A contagem nadir dos CD4s mostrou constituir um factor preditivo forte e consistente tanto da velocidade da onda de pulso como da rigidez arterial.”, comentam os investigadores. “Esta associação pareceu ser independente de outros factores de risco importantes que se sabe influenciarem as medições da rigidez arterial, como a idade, tensão arterial e diabetes mellitus”.
E concluem: “os nossos dados podem constituir uma evidência inicial de que um início mais precoce da terapêutica ARV – antes de ocorrerem valores baixos de CD4s – pode ser um meio de reduzir o risco cardiovascular nos indivíduos com VIH. São necessários estudos prospectivos para avaliar os potenciais efeitos benéficos sobre o risco cardiovascular do início da HAART com valores mais elevados de células CD4.”
Referência
Ho JE et al. Initiation of antiretroviral therapy at higher nadir CD4 T-cell counts is associated with reduced arterial stiffness in HIV-infected individuals. AIDS, advance online publication: DOI: 10. 1097/QAD. 0b013e32833bee44, 2010.
Tradução
GAT – Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA
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