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quinta-feira, março 5, 2026

Crianças com HIV têm ouvidos mais sensíveis

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O vírus HIV age no organismo desencadeando problemas como um efeito cascata. Primeiro, ele debilita o sistema imunológico, fazendo com que o paciente fique mais suscetível a infecções. Uma vez instaladas, essas infecções devastam o organismo com doenças sérias que, quando não tratadas com eficiência, deixam sequelas para o resto da vida. Um trabalho realizado na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) observou que crianças soropositivas são alvos constantes de otites. De tão sérias, as inflamações no ouvido podem evoluir e causar perda auditiva. Um antirretroviral muito usado no tratamento da Aids também foi associado ao problema. Com as descobertas, a pesquisadora e fonoaudióloga Aline Medeiros da Silva espera estimular mais estudos na área.

De acordo com Silva, as alterações auditivas podem ocorrer devido a uma combinação de efeitos do HIV com microorganismos capazes de causar infecções no ouvido. Com relação às alterações acarretadas por efeitos do tratamento, o problema ocorre por conta de lesões que surgem na estrutura interna da orelha. Existem pouquíssimos estudos que analisam o potencial de ototoxicidade dos Antirretrovirais, segundo a pesquisadora, que também não descarta a ação direta e isolada do HIV na região. “Mas ainda sabemos pouco sobre o impacto do vírus nas funções auditivas de crianças e adolescentes com HIV/Aids“, pondera.

A pesquisadora examinou cerca de 106 jovens com idade entre 5 e 19 anos para constatar o nível de perda auditiva. Foram adotadas duas classificações: a Asha e o Biap. A primeira considera como alteração resultados de medição maiores que 15 decibiéis de nível de audição. “Uma alteração bem leve em uma frequência bem aguda é considerada como perda. Embora seja uma perda leve, ainda assim é considerada uma redução”, exemplifica. Já a classificação Biap considera uma média das principais frequências para a audição no dia a dia em quatro frequências. “Essa classificação é mais tolerável e mais prática porque, quando classifica uma perda, realmente é porque há indícios de perda, já que ocorreu em mais de uma frequência”, conta.

Monitoramento

Silva ressalta que a bacteriologia da otite média nas crianças soropositivas não é diferente da que acomete as não infectadas pelo HIV, mas apresenta um curso clínico mais prolongados e, muitas vezes, envolve organismos resistentes aos antibióticos comuns. Na população pediátrica com HIV, a otite média é descrita como uma das infecções mais frequentes. Segundo ela, há relatos de que o problema é mais grave em crianças menores de 7 anos. Nesse período, observa-se elevada incidência da inflamação em grau médio agudo, e casos recorrentes de otite média crônica com erosão ossicular.

Na Casa Vida Positiva, no Distrito Federal, que abriga crianças e adolescente com HIV, episódios de otite entre as crianças atendidas são recorrentes. Segundo Vichy Tavares, proprietária do local, em um dos casos mais graves, um dos assistidos, um adolescente de 15 anos, tinha uma inflamação tão grave que os tímpanos do rapaz se romperam. “Saía uma secreção com odor muito forte e ele quase não ouvia as pessoas”, recorda. “Ele está na fila de espera do hospital para fazer a cirurgia reconstrutiva. Toma todos os cuidados para andar agasalhado e não deixar cair água no ouvido.”

A pesquisadora ressalta que uma das formas de evitar a perda de audição nos pacientes soropositivos é a detecção e o monitoramento auditivo. Crianças com o vírus da Aids devem ser submetidas a avaliação audiológica o mais precocemente possível, reduzindo também o impacto da vulnerabilidade no desenvolvimento psicossocial.

“O monitoramento é de fundamental importância, visto que resulta em uma detecção precoce das perdas auditivas sejam elas causadas por agentes ototóxicos ou virais, possibilitando uma conduta de tratamento imediata e mais eficiente”, acredita Silva. A inclusão de fonoaudiólogos na equipe multidisciplinar indicada para o tratamento desses pacientes, principalmente um profissional focado em distúrbios de comunicação, também é indicada.

 CORREIO BRAZILIENSE – DF | SAÚDE

DST, AIDS E HEPATITES VIRAIS

22/05/2012 


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