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27/FEVEREIRO/08 |
Debate: Uso da camisinha
Duas opiniões contrárias sobre o tema …
26/02/2008 – 07:32
O uso da camisinha é o tema do Debate de hoje, 26, do Portal Infonet. Enquanto a Igreja Católica prega a fidelidade conjugal para combater a Aids, a Organização Mundial de Saúde recomenda a distribuição de preservativos. Estudos epidemiológicos apontam esse método como o melhor para evitar a transmissão sexual do HIV e das doenças sexualmente transmissíveis.
A intenção da equipe de Jornalismo do Portal Infonet não foi julgar os preceitos de qualquer que seja a religião, mas sim, levantar um grande debate em torno do assunto.
Para isso, convidamos o responsável pela Coordenação DST/Aids da Secretaria de Estado de Saúde, Dr. Almir Santana, e o padre Anderson Pina.
Igreja defende a unicidade do ser humano – Pe. Anderson Pina
Quando a Igreja se pronuncia contra o uso de contraceptivos nas relações sexuais, esta procura…
26/02/2008 – 07:20
Quando a Igreja se pronuncia contra o uso de contraceptivos nas relações sexuais, esta procura justamente com base numa antropologia integral defeder a unicidade do ser humano, a totalidade de seu ser e o uso correto do exercício da sexualidade. Todo ato sexual é realizado com uma pessoa, não com uma parte desta, logo não podemos instrumentalizar a relação. Influenciada pelo relativismo, pelo hedonismo e pelo utilitarismo, a sociedade atual busca cada vez mais mecanismos que possam dar uma certa segurança e garantir a realização de todos os seus desejos hedonistas. Um destes mecanismos, que cada vez mais se destaca nesta procura constante de satisfação da própria sexualidade e muitas vezes da genitalidade, baseados numa da liberdade sem limites, são os preservativos.
O problema da camisinha não é o único, mas é seguramente um dos principais que favoreceu a busca desequilibrada pela liberdade sexual. Tantas vezes seu uso é recomendado vivamente pelas autoridades públicas, estimulado por uma parte da classe científica e da mídia. Busca-se a utilização dos meios contraceptivos com a desculpa de diminuir o número de aborto. Se afirma frequentemente que a contracepção é o remédio mais eficaz contra o aborto e acusa a Igreja Católica de favorecer de fato o aborto porque continua obstinadamente a ensinar a imoralidade da contracepção.
Logicamnete a imoralidade dos preservativos, não consiste somente na instrumentalização do ato sexual, mas existem outras implicações, que ao meu ver são muito mais acentuadas, como a de não gerar na juventude uma consciência de paternidade responsável que favoreça a fidelidade conjugal. A poucos meses conversei com um pai de família que ao encontrar camisinhas na bolsa da escola do filho de apenas 13 anos perguntou-lhe “onde voçe conseguiu isto”? E ele respondeu “peguei na secretaria da escola”. A questão é, este pré-adolescente esta pronto para assumir as consequências de uma gravidez indesejada caso o preservativo não seja usado corretamente?, pois já se sabe que não é 100% seguro e que existe uma falha na faixa de 5% a 15%, inclusive com casos constatados de gravidez e contaminação com o vírus da Aids. Uma outra implicação moral que se pode apontar seria o favorecimento ao adultério, pois assim a amante não ficaria gravida e logicamente não comprometeria o casamento. São justamente estas implicações que Paulo VI, em 25 de julho 1968, com base na Sagrada Escritura e na Tradição milenar da Igreja, alertava seus fiéis e a sociedade, quando publicou a encíclica Humanae Vitae (n.12-14), sobre o caráter indissolúvel do matrimonio e do duplo significado (unitivo-procriativo) do ato conjugal, como também a condenação dos contraceptivos.
Autor: Pe. Anderson Pina é Biólogo e Mestre em Bioética
A camisinha é o único método de dupla proteção – Almir Santana
1 – Todas as pessoas sexualmente ativas que não usam a camisinha estão expostas às Doenças …
26/02/2008 – 07:15
Razões para usar camisinha:
1 – Todas as pessoas sexualmente ativas que não usam a camisinha estão expostas às Doenças Sexualmente Transmissíveis e à infecção pelo HIV, independente de sexo, nível de escolaridade, religião, classe social, idade e número de parceiros.
2 – A camisinha é o único método de dupla proteção, prevenindo a gravidez e a infecção pelo HIV/DST. De cores, aromas, tamanhos e texturas diferentes, as camisinhas podem ser encontradas nas Unidades de Saúde, barracas e stand em campanhas de prevenção, prateleiras das farmácias, bares, supermercados e sexshops .
3 – Os métodos anticoncepcionais recomendados pela igreja ( os chamados métodos naturais – tabelinha, temperatura corporal e muco cervical) são pouco utilizados pela sociedade, apresentando baixa eficácia e alto risco de gravidez, sendo totalmente inseguros na prevenção das DST e infecção pelo HIV ;
4 – A camisinha de boa qualidade ( logomarca do INMETRO e registro do Ministério da Saúde), quando utilizada de forma consistente e correta, protege em até 100%.
Sempre houve um grande questionamento em torno da existência de poros nos preservativos em decorrência da própria matéria-prima utilizada na sua fabricação, o látex. Entretanto, esta hipótese não se confirmou nas diversas pesquisas mundiais que buscavam detectar poros naturais nos preservativos. Utilizando-se o Microscópio Eletrônico para ampliar os preservativos, nenhum poro foi encontrado, mesmo quando os preservativos foram esticados.
5 – A disponibilização dos preservativos para a população sexualmente ativa não incentiva as relações sexuais. A freqüência da atividade sexual independe da presença do preservativo. O mundo mudou e existem outros fatores que contribuem para o estímulo à sexualidade.
6 – Os dados recentes do Ministério da Saúde mostraram que a Aids afeta mais o sexo feminino entre 13 e 19 anos: para cada 6 meninos com Aids , há dez meninas. Considerando todas as faixas etárias, para cada 15 homens com Aids , h&aac
ut
e; 10 mulheres. Também foi mostrado que as pessoas, entre 15 e 24 anos, têm mais parceiros eventuais do que indivíduos de outras faixas etárias. A cada minuto 10 pessoas são infectadas no mundo pelo HIV. A cada 14 segundos um jovem é infectado pelo HIV no mundo. . São importantes motivos para o incentivo ao uso da camisinha junto à população jovem.
7 – Existem organizações religiosas que pregam a abstinência sexual como única forma 100% segura de combater a gravidez precoce, e também a Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis. Não há dados científicos que comprovem que abstinência evita a Aids. Já educação sexual e uso de camisinha, sim, pois retardam a primeira relação sexual entre adolescentes e diminuem a gravidez precoce. Nas regiões mais conservadoras de países e onde as campanhas de abstinence-only (abstinência apenas) são amplamente difundidas, houve um considerável aumento dos casos de Aids. No fundo, no fundo, a Aids acaba sendo usada para reforçar os valores dogmáticos, ideais de fidelidade, de sexo só após o casamento e com uma única pessoa. As instituições religiosas devem servir como propagadoras de informações corretas sobre a Aids, e não obstáculos à prevenção. Não estamos sugerindo que as igrejas preguem o sexo, mas que conversem com as pessoas sobre prevenção e não condenem quem não quiser seguir a abstinência.
Autor: Almir Santana, Médico Sanitarista da Secretaria de Estado da Saúde de Sergipe
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