Tráfico de mulheres uma chaga viva na sociedade

O número de denúncias de tráfico de mulheres no país teve aumento de 1.547% no primeiro semestre deste ano, em comparação ao mesmo período de 2012.
Nos meses de janeiro a junho, o canal de atendimento Ligue 180 recebeu 263 denúncias, das quais 173 sobre casos internacionais e 90 no Brasil. Em 34% dos registros, havia risco de morte da vítima. Os dados fazem parte do balanço semestral divulgado nesta segunda-feira, 7, pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República.
De acordo com a ministra Eleonora Menicucci, o aumento das denúncias está relacionado ao impacto das campanhas e possibilitou o desbaratamento de quadrilhas que traficavam brasileiras. O levantamento apontou que a maior parte das denúncias foi feita pela mãe da vítima. As denúncias revelaram exploração sexual, de trabalho, remoção de órgãos e adoção.
“O aumento é assustador, mais de 1.500%. Em 2012, foram apenas 17 denúncias”, disse a ministra. Nos 90 casos denunciados de tráfico de pessoas dentro do país, 64 eram sobre exploração sexual, 25 exploração de trabalho e uma de adoção.
O serviço Ligue 180, que recebe denúncias de violência contra a mulher e também orienta sobre direitos, atende a 56% dos municípios. De janeiro a junho deste ano, foram registrados 306.201 atendimentos, como em todo o país. Os 50 municípios que mais acessaram o canal têm até 20 mil habitantes.
Nota do editor de Soropositivo.org
O Tráfico de mulheres, esta forma vil e imunda de explorar seres humanos, e seus números, dão a medida do naipe de pessoas que ainda circula livremente, muitas vezes com status de socialite, na sociedade brasileira e do mundo.
O Tráfico de mulheres, de crianças, muitas vezes para trabalho escravo ou, meu Deus, para extração de órgão deveriam ser crimes puníveis com a prisão perpétua.
Não é preciso ir muito longe. Basta ir em cidades do interior e ver, nos classificados dos jornais, que não tem filtro moral, os anúncios de “emprego para garçonetes, com retiradas de sete mil reais semanais” (uma evidente armadilha para levar à prostituição moças que, de outra forma, jamais cairiam nesta vida, para ver como é fácil, com o apoio da mídia, especialmente a impressa, praticar o Tráfico de Mulheres para a exploração sexual em âmbito, inicialmente nacional e, depois, internacional.
O Texto abaixo foi retirado da Wikipedia e pode ser lido na íntegra neste link que abre em outra janela ou aba de seu navegador.
Tráfico de mulheres
O tráfico de mulheres é uma das modalidades do tráfico de pessoas mais praticadas no mundo contemporâneo. O tráfico de mulheres em sua essência, se presta a escravidão sexual e à venda da mulher como objeto sexual, muitas vezes contra a sua vontade.
Segundo Relatório da Anistia Internacional, o tráfico de pessoas é uma das formas ilegais mais lucrativas no mercado mundial. Dados da OIT (Organização Internacional do Trabalho) estimam que o tráfico humano movimente por ano cerca de 32 bilhões de dólares.
A Convenção de Palermo, um dos poucos marcos legais que tratam do tráfico de pessoas, o define como o recrutamento, o transporte, a transferência, o alojamento de pessoas utilizando-se de ameaça, uso da força, formas de coação e abuso de autoridade sobre situações de vulnerabilidade para fins de exploração.
Segundo estimativas do Instituto Europeu para o Controle e Prevenção do Crime, cerca de 500 mil pessoas são traficadas de países mais pobres para este continente por ano. Quanto ao tráfico de pessoas para fins sexuais, estima-se que 98% das vítimas em todo o mundo são mulheres.
Para quem realiza este tipo de exploração, a atividade tem baixos riscos e altos lucros. As mulheres traficadas entram no seu país de destino com visto de turista e a ação da exploração sexual muitas vezes é camuflada nos registros por atividades legais como o agenciamento de modelos, babás, garçonetes ou dançarinas.
Poucas das mulheres vítimas deste crime têm ciência de que a migração se destina à exploração sexual. Por vezes elas permanecem em cárcere privado, sob permanente vigilância, além de sofrerem preconceito e discriminação por parte dos clientes e dos donos dos estabelecimentos.
Sabe-se que essas mulheres trabalham de 10 a 13 horas diárias no mercado do sexo, não podendo recusar clientes e sendo submetidas ao uso abusivo de drogas e álcool para permanecerem despertas .Elas acabam não se reconhecendo como vítimas do tráfico de mulheres, não se dão conta da grave exploração que sofrem, apenas admitem que foram enganadas.
O tráfico para fins de exploração sexual traz irreversíveis consequências às mulheres. Estas ficam expostas a todo tipo de doença sexualmente transmissível, inclusive ao vírus HIV, sofrem ataques físicos por parte dos clientes, são atacadas sexualmente pelos aliciadores, têm que lidar com constantes ameaças ou intimidações por todo o período que permanecem em regime de escravidão sexual, além de destinarem todo o dinheiro que arrecadam para pagar a dívida contraída com os cafetões.
Para a Associação para a Prevenção e Reinserção da Mulher Prostituída (APRAMP) a situação das brasileiras inseridas neste mercado de exploração merece atenção. A instituição alerta que o Brasil é hoje o país com maior número de mulheres traficadas para fins sexuais da América do Sul. Dados da Pesquisa Nacional sobre o Tráfico de Mulheres, Crianças e Adolescentes (PESTRAF) contabilizam 110 rotas nacionais e 131 rotas internacionais, sendo 32 dessas para a Espanha.
O mais alarmante é que se detectou que vem aumentando a quantidade de brasileiras que entram nos países de língua latina da Europa para fins de exploração sexual. Dessas tantas, muitas estão sofrendo uma nova forma de exploração: a revenda. As mulheres permanecem um pequeno período, menos de 28 dias, em um estabelecimento de prostituição, em seguida são revendidas a outros estabelecimentos com a finalidade levar novas possibilidade de escolha dos clientes. Para a estudiosa do assunto Iana Matei, o aumento desse comércio de troca é consequência da relação de traficantes de entorpecentes com a exploração sexual, levando a este ramo a administração em rede e a renovação de mercadoria para lucrar mais.

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