Diarreia Crônica

A militância mais esforçada e empenhada é aquela em que temos interesse direto. Conheci pessoas que militaram durante anos por causa da Síndrome da Talidomida. Registrei minha filha apenas em meu nome porque, naqueles dias, a mulher não podia ter filhos fora do casamento e a mim restavam duas alternativas. Registrar no nome da mãe e seu “esposo legal” ou registrar em meu nome. Pense, você que é homem, no que acharia de mim, que também sou homem, em como reagiria o homem que não gerou uma filha e, destarte este fato, teve uma menina, filha a esta altura de um filho da puta qualquer, registrada em seu nome.

Seria um golpe para obter uma pensão, algum tio de vantagem financeira, transferir para si a responsabilidade de criá-la, simplesmente pense.

O cartorário disse que isso estava para mudar, que seria uma questão de semanas ou meses, que eu tivesse paciência.

E tive, logo eu, dois anos de paciência, até o dia em que vi uma criança vítima de poliomielite atravessar a rua diante de mim, que estava em pé, com minha filha no colo, na parte frontal de um ônibus, em uma época em que gentileza era coisa de trouxas.

No mesmo dia fui ao cartório e fiz o que o cartorário disse que eu podia fazer, que era registrar a menina em meu nome sem o nome da mãe, ou apresentar um documento que comprovasse o divórcio de Teresa. Teresa é uma pessoa mais bem explicada em meu livro, Memórias, Crônicas e Ilações de um Homem da Noite.

Depois do registro muita, mas muita água rolou por sob esta ponte e minha filha me odeia até hoje por causa de todo o veneno que sua mãe lhe instilou em seu espírito e, se tento explicar uma coisa, ouço a fórmula já pronta:

— Não fale de minha mãe porque ela não está para se defender, ela já é falecida!

Isso me traz um alento, pois, como somos todos efemérides, e eu escapei por bem pouco neste mês de abril de 2026 (pneumonia aspirativa, doze dias entubado e inconsciente — e sem contar o delírio, que vai para o livro).

Pois é bem por isso que trago à baila o tema desagradável, úmido e mal cheiroso da diarreia.

Nove meses atrás tive uma pneumonia bastante renitente que levou 5 semanas e três tipos de antibióticos, incluindo o clavulato de amoxicilina, que é ótimo para o microbioma que temos, por necessidade, em nosso trato digestivo.

Durante estes dias dormi pouco e mal, passando a maior parte do tempo sentado nesta minha cadeira, e sabia que estava correndo o risco de desenvolver uma tromboembolia pulmonar e que, se isso se desse, seria a terceira. E ela veio.

Ouso dizer que soube o momento exato em que o coágulo entupiu a veia, ou artéria, no lóbulo inferior de meu pulmão e, para não apavorar a Mara, nada disse, apenas que precisava ir ao médico e que, lá dentro, eu saberia o que dizer ao profissional de plantão que o levasse a investigar a embolia pulmonar. Afinal, servi como voluntário em um hospital para pessoas com HIV/AIDS por quase dois anos e eu sou aquele que aprende com a experiência. Me parece que isso é o que define inteligência, mas isso é fala de outra boca.

Fiquei internado alguns dias e estou em casa tomando rivaroxabana.

O que não teve jeito, pelos últimos oito meses, foi a diarreia, que se tornou, como a polineuropatia, mais uma amante renitente, mas esta me desidrata e pode matar em horas.

Assim, ciente do risco de morte que estou correndo, resolvi entender um pouco melhor a diarreia, naveguei até uma de minhas fontes e, se os próximos posts forem relativamente escatológicos, saibam que eu não terminei esta introdução sem a interromper duas vezes para me desfazer em água um pouquinho mais.

Depois de falar com três médicos de uma clínica chamada “Acesso Saúde” — que reputo como um lugar onde recém-formados brincam de médico — e um deles, já denunciado ao CRM de Santos, além de proibir o pessoal do agendamento de marcar uma nova consulta minha com ele, me disse, e eu ponho em maiúsculas entre aspas:

“PRECISO ZELAR DE MEU CRM, VAI QUE VOCÊ DESENVOLVE UM QUADRO DE DEMÊNCIA E ALGUM FAMILIAR RESOLVE ME PROCESSAR.”

Se ele quer trabalhar em níveis de excelência e seguir protocolos, tire um brevê de piloto e vá voar por aí.

Disse a ele que, ao longo de mais de 30 anos de tratamento contra o HIV, cheguei a levar um oficial de justiça às portas da sala do superintendente do Hospital das Clínicas para ele receber voz de prisão. O maldito oficial aceitou que ele entregasse os remédios e não fosse preso porque, por mim, ele passava a noite no corró, jogando o sapato no boi para não apanhar.

Eu ainda tenho uns dias para esperar e ligar para o CRM de Santos. Até sexta-feira, por volta das 15h, que é quando você liga, fala o que tem de dizer, incomoda, luta por seus direitos e estraga o final de semana de meia dúzia de pessoas. Este psiquiatra, um inepto, ao me ouvir dizer que sofro com TEPT, disse que isso se resolve com terapia e sugeriu-me o ChatGPT como alternativa.

E eu aqui, me cagando todo, sem poder dormir, com o ânus machucado e irritado pelos processos de higienização, começo, agora, a tratar do tema Diarreia. Antes, no entanto, preciso voltar ao sanitário.

Escrevi oito páginas e evacuei líquidos enquanto isso.

O que preciso mesmo é acabar com a causa subjacente da diarreia, e todos os exames de fezes que o médico pediu precisam de 15 dias úteis para ficarem prontos porque, aparentemente, eles já adotaram a semana de cinco dias.

Médicos de convênio — passei em três: três médicos, três palpites, três erros, nenhuma medicação para aliviar os sintomas e a recomendação estúpida de me manter hidratado. Como se eu não soubesse disso.

O que eu queria mesmo é uma solução, porque esta medicação — cuja foto vai abaixo — me custou R$ 540,00 por uma caixa que durará 30 dias e eu, aposentado por invalidez, recebo pouco mais de R$ 1.500,00 — enquanto a Desembargadora Eva do Amaral Coelho, do Tribunal de Justiça do Pará, se diz vivendo em regime análogo ao da escravidão porque vai receber “só” R$ 70.000,00 por mês.

Tem de dar a ela uma vassoura, um rodo, um balde velho cuja alça escapa vez por outra, e fazer ela trabalhar assim, com isso, recebendo o que recebe a mulher que mantém o caminho limpo e o piso reluzente para ela desfilar como uma vaquinha de presépio com seu sapatinho do Dr. Scholl. Agora sim, passada a minha ira, vamos ao post.

O Guia da Diarreia

Principais conclusões

  • Nos Estados Unidos, a diarreia afeta adultos aproximadamente uma vez por ano e crianças pequenas duas vezes por ano.
  • A diarreia grave pode durar semanas e pode exigir fluidos intravenosos para evitar a desidratação.
  • A diarreia crônica pode ser causada por infecções, alergias alimentares, problemas no trato digestivo e uso prolongado de medicamentos.

A diarreia é uma condição muito comum que afeta o trato digestivo. É caracterizada por fezes soltas ou aquosas que ocorrem pelo menos três vezes ao dia.

Nos Estados Unidos, a diarreia afeta adultos cerca de uma vez por ano e crianças pequenas duas vezes por ano. É mais comum em pessoas que vivem em países em desenvolvimento ou que viajam para esses locais. Geralmente, a diarreia desaparece sozinha após um ou dois dias. Quando dura mais de alguns dias, pode ser sinal de um problema de saúde mais sério.

Este artigo aborda os sintomas, as causas e as opções de tratamento para a diarreia.

Diarreia aguda versus diarreia grave

A maioria dos casos de diarreia é considerada aguda e não dura muito tempo. Geralmente desaparece sozinha em poucos dias. A causa costuma ser desconhecida.

Casos graves de diarreia duram mais de quatro dias e requerem tratamento. A diarreia grave pode durar semanas e pode exigir fluidos intravenosos para evitar a desidratação.

Quais são as causas da diarreia?

Existem diversas causas possíveis para a diarreia, que variam de leves a graves.

Causas da diarreia aguda

As causas mais comuns de diarreia aguda são infecções, diarreia do viajante e efeitos colaterais de medicamentos.

Infecções que causam diarreia incluem:

  • Viral: Norovírus, rotavírus
  • Bacteriano: Escherichia coli (E. coli), salmonela, shigella, campilobacter
  • Parasita: Enterite por Cryptosporidium, Entamoeba histolytica, Giardia lamblia

A diarreia do viajante geralmente se espalha por meio de alimentos e água contaminados. Embora a maioria dos casos seja aguda, alguns parasitas podem causar problemas crônicos.

Os medicamentos associados à diarreia aguda incluem:

  • Antibióticos
  • Antiácidos
  • Magnésio
  • Quimioterapia e outros tratamentos contra o câncer

Causas da diarreia crônica

A diarreia crônica dura semanas ou mais. Certas infecções, alergias ou intolerâncias alimentares, problemas no trato digestivo, complicações cirúrgicas ou o uso prolongado de medicamentos podem causá-la.

  • Infecções: Certas infecções causam diarreia que não se resolve rapidamente. Após a infecção, algumas pessoas podem ter dificuldade em digerir a lactose.
  • Alergias alimentares: Alergias ao leite de vaca, soja, cereais, ovos ou frutos do mar.
  • Intolerâncias alimentares: Intolerância à lactose, à frutose e a álcoois de açúcar.
  • Problemas do trato digestivo: Doença celíaca, doença de Crohn, síndrome do intestino irritável (SII) e colite ulcerativa.
  • Cirurgia abdominal: Cirurgias do apêndice, vesícula biliar, intestino grosso, fígado, pâncreas, intestino delgado, baço ou estômago.
  • Medicamentos de uso prolongado: Antibióticos que alteram o equilíbrio da flora intestinal; risco de infecção por Clostridioides difficile (C. diff).

Sintomas de diarreia

A diarreia causa fezes líquidas e soltas, cólicas e dores abdominais, além de uma necessidade urgente de ir ao banheiro.

Se uma infecção causar diarreia, os sintomas adicionais podem incluir:

  • Sangue nas fezes
  • Febre e calafrios
  • Vômito
  • Tontura

Diarreia e Desidratação

A diarreia durante alguns dias pode levar à desidratação, quando o corpo perde mais líquido do que ingere. Os sintomas de desidratação podem incluir: sede, boca seca, urinar menos, urina de cor escura, diminuição da elasticidade da pele, tontura e fadiga.

Diagnóstico da diarreia

A maioria dos casos de diarreia dura alguns dias. No entanto, quando não melhora espontaneamente, é importante consultar um profissional de saúde para determinar a causa e verificar se há desidratação.

Ferramentas de diagnóstico podem incluir:

  • Estudo de fezes: As fezes são enviadas para um laboratório para verificar a presença de bactérias anormais no trato digestivo.
  • Sigmoidoscopia: Um tubo curto e flexível com uma luz é inserido pelo reto até o último terço do intestino grosso.
  • Colonoscopia: Um tubo é inserido em toda a extensão do intestino grosso para procurar crescimentos anormais ou tecidos inflamados.
  • Imagens (TC e RM): Podem ser usadas para detectar anormalidades estruturais.
  • Exames de sangue: Utilizados para diagnosticar doenças da tireoide, anemia, baixos níveis de vitaminas ou doença celíaca.

Como parar a diarreia

Na maioria dos casos, a diarreia se resolve espontaneamente. Se persistir por mais de dois ou três dias, pode ser necessário tratamento para prevenir a desidratação.

Para tratar a diarreia em casa, comece se hidratando o máximo possível. Agentes antidiarreicos de venda livre, como a loperamida (Imosec), podem retardar o trânsito gastrointestinal e diminuir a quantidade e a frequência da diarreia.

Em casos de diarreia grave, pode ser necessário o uso de medicamentos prescritos: antibióticos para infecções bacterianas, antiparasitários para infecções por protozoários ou helmintos, e fluidos intravenosos se houver desidratação severa.

É possível prevenir a diarreia?

A diarreia é muito comum e nem sempre pode ser evitada. No entanto, existem maneiras de reduzir o risco:

  • Lave as mãos frequentemente
  • Use desinfetante para as mãos
  • Limpe e cozinhe seus alimentos com segurança
  • Mantenha-se atualizado sobre vacinas, como a do rotavírus
  • Limpe maçanetas e superfícies tocadas com frequência com produto que elimine vírus

Quando procurar atendimento médico

A maioria dos casos de diarreia pode ser tratada com segurança em casa. Se você tem o sistema imunológico comprometido ou é idoso, procure um profissional de saúde sempre que apresentar diarreia. Também é importante contatar um profissional de saúde se desenvolver sintomas de desidratação, febre, vômitos ou seis ou mais evacuações em 24 horas.

Procure atendimento médico imediato se desenvolver: dor intensa no abdômen ou no reto, diarreia que está piorando, sangue nas fezes, ou fezes pretas e alcatroadas.

Fonte: Carrie Madormo, enfermeira registrada, mestre em saúde pública. Revisão clínica: Jay N. Yepuri, MD. Verywell Health, atualizado em 14 de janeiro de 2026.

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