As comorbidades, cada vez mais presentes entre portadores do vírus HIV, estão entre os temas de destaque do 8° Congresso Paulista de Infectologia, em Campos do Jordão, São Paulo. Doenças do coração, hepatites e cânceres têm se tornando episódios comuns aos soropositivos e exigido um cuidado maior no tratamento da Aids.
Algumas dessas comorbidades têm contribuído com as taxas de mortalidade atuais na Aids. “Estudos mostram maior acometimento de hipertensão arterial, por exemplo, e ocorrência de eventos como infarto e derrame mais precoces entre portadores de HIV na comparação com a população soronegativa”, cita a infectologista Roberta Schiavon Nogueira, uma das palestrantes do evento. Com a maior ocorrência de problemas no coração entre os portadores do vírus HIV, é possível prever o impacto dessa nova realidade no Brasil, onde as doenças cardíacas já são as que mais matam – 32,1%, segundo o Ministério da Saúde. Isso, somado às projeções, em 2040, o país poderá liderar as taxas mundiais de mortalidade por distúrbios cardiovasculares.
Considerando o potencial para o desenvolvimento de algumas comorbidades entre os soropositivos, Roberta afirma que as diretrizes brasileiras para o tratamento da Aids já preveem o início precoce da terapia para algumas populações de risco, na tentativa de minimizar a chance do aparecimento dessas complicações. Para avaliar o melhor momento para começar a terapia antirretroviral, o Brasil participa de grande pesquisa internacional, diz, citando o estudo START. Coordenado no Brasil pelo Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em parceria com outras instituições de renome, o estudo investiga o impacto na qualidade de vida do paciente soropositivo quando a terapia medicamentosa é antecipada. Irá verificar ainda fatores associados, como alterações neurológicas, ósseas, renais, cardiovasculares e hepáticas, entre outras.
Muitas vezes o surgimento das comorbidades é o efeito colateral de algumas medicações, e não uma consequência do mecanismo direto do vírus HIV no organismo ou de questões como idade, histórico familiar e predisposição para o risco. Entretanto, o professor de Infectologia da Faculdade de Medicina do ABC, Juvencio José Duailibe Furtado, outro palestrante do evento, afirma que o impacto das medicações varia conforme as classes terapêuticas. “Experiências bem sucedidas, comprovando o perfil de segurança mais favorável dessas medicações no que diz respeito ao não desenvolvimento ou agravamento de comorbidades no soropositivo, introduzem o debate sobre os benefícios do uso de drogas mais modernas para a qualidade de vida do paciente”, antecipa Furtado, destacando o valor do programa de acesso universal à terapia antirretroviral, disponível hoje à população no Brasil e considerado referência internacional para o tratamento da Aids.
Redação da Agência de Notícias da Aids
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