Em França, metade dos novos diagnósticos em homens gays são infecções

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Investigadores relatam na publicação de 3 de Dezembro do Eurosurveillance que, nos últimos cinco anos, metade dos homens gays diagnosticados com VIH em França contraíram a infecção durante os seis meses anteriores ao diagnóstico, o que sugere que a incidência do VIH (a taxa das novas infecções) é extremamente elevada nesta população. No entanto, pode também ser devido a taxas elevadas de realização de testes em alguns grupos de homens gays.

 

Roger Pebody
6 de Janeiro de 2010

Investigadores relatam na publicação de 3 de Dezembro do Eurosurveillance que, nos últimos cinco anos, metade dos homens gays diagnosticados com VIH em França contraíram a infecção durante os seis meses anteriores ao diagnóstico, o que sugere que a incidência do VIH (a taxa das novas infecções) é extremamente elevada nesta população. No entanto, pode também ser devido a taxas elevadas de realização de testes em alguns grupos de homens gays.

Após muitos anos em que apenas era notificado um diagnóstico de SIDA, o sistema de notificação francês melhorou de modo significativo nos últimos anos. Desde 2003, tornou-se obrigatória a notificação dos diagnósticos de VIH. Além disso, recomenda-se a realização de rotina de um teste para a identificação de infecções recentes, desde que a pessoa dê o seu consentimento.

O teste para identificar a infecção recente é uma das várias técnicas referidas como STARHS ou testes de incidência, que verifica a presença de marcadores de anticorpos específicos que dão resultados diferentes nos meses a seguir à infecção. Se um teste dá um resultado abaixo de um limiar pré-determinado, considera-se que a infecção é recente.

Todos os anos, cerca de 6.500 – 7.500 pessoas são diagnosticadas com VIH em França. O número dos homens gays (e outros homens que têm sexo com homens) diagnosticados aumentou de um número inferior a 2.000 em 2003, para cerca de 2.500 em cada um dos últimos três anos.

Os epidemiologistas analisaram os dados disponíveis relativos a homens gays entre 2003 e 2008, embora falte muita informação. Os médicos que notificaram não forneceram a informação sobre o meio de transmissão em 31% das pessoas que foram diagnosticadas e os resultados de infecções recentes estavam apenas disponíveis para 4.819 homens gay.

A idade média para os homens gays diagnosticados foi de 37 anos. Independentemente dos resultados do teste para as infecções recentes, os médicos consideraram que 19% dos seus doentes gay foram diagnosticados durante a infecção primária.

Além disso, o teste para a infecção recente mostrou que 48% dos homens se infectaram nos seis meses anteriores. Este valor manteve-se estável entre 2003 e 2008.

Os homens que fizeram o teste para o VIH pelo menos três vezes na sua vida tinham quatro vezes mais probabilidade de serem diagnosticados com uma infecção recente do que os homens que foram diagnosticados quando fizeram o primeiro teste para o VIH. O diagnóstico de uma infecção recente foi mais comum entre os homens de nacionalidade francesa e nos que tinham um estatuto socioeconómico mais elevado.

Além disso, a infecção recente foi mais comum entre os homens jovens, tendo 57% dos diagnosticados com idade entre 15-29 uma infecção recente, em comparação com 30% dos homens com 50 ou mais anos. De acordo com estes dados, enquanto que 11% de todos os homens gay foram diagnosticados muito tarde (com doenças definidoras de SIDA) estes valores aumentaram para 27% nos homens com mais de 50 anos.

Era mais provável que os homens com idade mais avançada fizessem o teste por causa de sintomas, enquanto que os homens mais jovens tinham a tendência de o fazer por causa de comportamentos de risco.

Os autores salientam que o número elevado de infecções recentes nos homens gays provavelmente reflecte tanto o comportamento relativo à realização do teste como a incidência do VIH. Têm planos para publicar um estudo que estime as taxas de incidência em 2010.

Ao descrever os dados como preocupantes, comentam: “As campanhas de prevenção continuam a ser cruciais, mas não parece que sejam suficientes para conter os comportamentos sexuais de risco entre os MSM na França, apesar da disponibilidade de rastreios, preservativos e informação e o facto dos MSM representarem uma subpopulação com um elevado nível de educação”.

No Reino Unido, a Agência para a Protecção da Saúde (HPA) está também a começar a usar os testes para a infecção recente. Enquanto que um estudo de Brighton, de 2007, avaliou que metade dos novos diagnósticos em homens gays foram infecções recentes, os resultados preliminares da HPA para 2009 sugerem valores muito inferiores (um em cinco para os homens gays e um em dez para os heterossexuais).

Referência
Semaille C et al. Recently acquired HIV infection in men who have sex with men (MSM) in France, 2003-2008. Euro Surveill 48: 5-8, 2009.

Tradução
GAT – Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA
 

 

In aidsmap
6.1.2010


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