AIDS:Crença que mata
AVISO IMPORTANTEEste texto é informativo e não substitui avaliação médica. Eu escrevo também a partir da minha experiência como paciente, mas decisões sobre exames, diagnóstico e tratamento devem ser...
Nosso acervo conta com mais de 5.000 publicações. Não apagamos a história porque alguém, em algum lugar, algum dia, poderá precisar saber de algo — e existe, sim, a possibilidade de este ser o único lugar onde este conteúdo ainda exista.
Temas Tratados Nesta Página
Este site é mantido de forma totalmente independente por Cláudio Souza, diagnosticado com HIV/AIDS em 1994 e enfrentando, mais recentemente, os diagnósticos de Insuficiência Pancreática Exógena e Miastenia Gravis.
Embora 99% dos medicamentos necessários sejam obtidos via farmácia de alto custo do SUS em Santos, tratamentos essenciais como a colesteramina (Questran) possuem um custo extremamente elevado e sem subsídio.
Se você pode e quer ajudar a manter esta história no ar, faça um PIX de qualquer valor:
Crendices e tradições arraigadas ajudam a disseminar HIV em Moçambique e outros países africanos
Roberta Jansen Enviada especial MAPUTO, Moçambique Loredana, de 17 anos, tem um caderno de capa cor-de-rosa, onde anota letras de músicas. Foi uma das poucas coisas que levou consigo quando fugiu de casa, há três meses, junto com duas irmãs mais novas. As três eram frequentemente estupradas pelo pai, a mando da própria mãe.- Minha mãe é curandeira e mandava meu pai dormir conosco para ser rica e ter saúde – explica numa voz quase inaudível e os olhos fixos em um ponto qualquer da parede por sobre o ombro do interlocutor.
- Estou muito melhor aqui – conta, as palavras ganhando entonação e, o olhar, um foco específico. – E posso estudar todos os dias. Eu quero ser médica. Ou cantora.
- Mostramos os curandeiros charlatães que dizem que podem curar a doença usando lâminas sem assepsia, por exemplo, mas também mostramos que existe o curandeiro mais consciente, que encaminha os pacientes para o posto de saúde – conta Caroline Menezes, sócia da Cinevideo e produtoraexecutiva da novela.
- Existe o mito disseminado de que a relação com uma virgem vai livrar o homem do HIV – conta Cecília Tembe, a coordenadora do centro. – E há curandeiros que dizem que, se um homem dormir com sua filha, o tratamento vai correr bem. E ele ainda vai ficar rico.
- Alguns curandeiros dizem que o sangue de um animal pode livrar o homem do vírus, mesmo que ele tenha feito sexo sem CAMISINHA. Mas outros recomendam a relação com a filha virgem – confirma Nacima Figia, coordenadora de Direito da Mulher e da Criança da ONG Actionaid.
- Alguns deles garantem que quanto mais nova for a menina, mais fácil o vírus sai do corpo dele e ele fica curado – conta Paula Vera Cruz, coordenadora nacional do Comitê da Mulher e do Jovem. – Há casos de abuso de meninas de dois anos de idade.
- O abuso da rapariga é comum a vários países da região – atesta Nacima. – E, muitas vezes, começa no seio da família.
- Meu pai queria dormir comigo porque eu estraguei uma coisa lá em casa – conta. – Ele queria fazer isso sempre quando minha mãe não estava. Eu não quero voltar para casa.
- Um brasileiro, em média, tem mais parceiros sexuais ao longo da vida, mas elas não são concomitantes – explica Lucas Bonanno, coordenador da Agência de Notícias de Resposta à SIDA de Moçambique, especializada em divulgar informações sobre a epidemia. – Os moçambicanos têm menos parceiras, mas são relacionamentos longos, estáveis e que acontecem ao mesmo tempo. É comum o sujeito ter várias casas. E não é raro que a mulher tenha vários “amigos” também.
- Ele levou dois anos para fazer o teste.
- Você não consegue inserir o PRESERVATIVO nestas relações porque essas pessoas se conhecem há anos, têm relacionamentos estáveis – explica Cysne. – O que sabemos sobre AIDS não funciona para esses casos. Precisamos fechar essa janela infecciosa. Mas como? A pobreza disseminada potencializa a questão cultural. É uma prática disseminada o sexo em troca de pequenos presentes, como telefones celulares e roupas de grifes caras. As moças que usam os cobiçados jeans de cintura baixa são chamadas, na gíria de Maputo, de “tchunga baby”, ou seja, elas têm um parceiro mais velho e mais endinheirado, que lhes dá presentes.
- Do ponto de vista da disseminação da doença, tudo isso poderia estar acontecendo sem problemas, se eles usassem o PRESERVATIVO – constata Lucas. – Mas é uma cultura que acabou unindo o sexo à infecção.
O GLOBO-RJ | Editoria: | Pág. | Dia / Mês/Ano: |
SAÚDE |
| 06/SETEMBRO/09 |
Se você gosta deste trabalho, se ele te ajudou de alguma forma, deixe um comentário abaixo — eu leio todos e sempre respondo, mesmo que demore um pouco.
E se quiser, mande um Pix de R$ 0,25 pelos 25 anos de trabalho:
Chave Pix: solidariedade@soropositivo.org
Você também pode me escrever para: claudio@soropositivo.org
Fale com o Blog Soropositivo
Tem uma pergunta, sugestão ou quer falar sobre janela imunológica, sexo oral, PEP, PrEP ou outro assunto? Use o formulário abaixo.
Error: Contact form not found.
Discover more from
Subscribe to get the latest posts sent to your email.

No Comment! Be the first one.