ESTIGMA E DISCRIMINAÇÃO COMO PROCESSOS SOCIAIS – 2
AVISO IMPORTANTEEste texto é informativo e não substitui avaliação médica. Eu escrevo também a partir da minha experiência como paciente, mas decisões sobre exames, diagnóstico e tratamento devem ser...
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Esta ênfase sociológica nas dimensões estruturais da discriminação é particularmente útil para nos ajudar a pensar de forma mais sensível sobre como a estigmatização e a discriminação se manifestam em relação ao HIV e à AIDS.
Para ir além das limitações do pensamento corrente nessa área precisamos rever nossos entendimentos sobre estigmatização e discriminação para conceituá-los como processos sociais.
Acima de tudo, precisamos enfatizar que esses processos só podem ser entendidos em relação a noções mais amplas de poder e dominação. Na nossa visão o estigma desempenha um papel central na produção e na reprodução das relações de poder e de controle em todos os sistemas sociais.
Faz com que alguns grupos sejam desvalorizados e que outros se sintam de alguma forma superiores. Em última análise, portanto, estamos falando de desigualdade social.
Para confrontar e entender corretamente as questões da estigmatização e da discriminação, seja em relação ao HIV e à AIDS ou a qualquer outra questão, é necessário, portanto, que pensemos de maneira mais ampla sobre como alguns indivíduos e grupos vieram a se tornar socialmente excluídos, e sobre as forças que criam e reforçam a exclusão em diferentes ambientes.
Felizmente existem muitos trabalhos em ciências sociais e ciência política relacionados diretamente a essa tarefa,6 mas até agora pouco tem sido utilizado na pesquisa de HIV/AIDS.
Isso, suspeitamos, é o resultado do estigma e da discriminação concebidos como processos individuais — ou como algo que certos indivíduos fazem a outros. Embora tais visões possam parecer lógicas em culturas altamente individualizadas (tais como os EUA e certas partes da Europa) onde se ensina às pessoas que elas são agentes livres, elas não fazem muito sentido em outros ambientes.
Em grande parte do mundo em desenvolvimento, por exemplo, as ligações e alegações ligadas à família, vizinhança e comunidade explicitam que o estigma e a discriminação, onde e quando aparecem, são fenômenos sociais e culturais ligados às ações de grupos inteiros de pessoas, e não conseqüências de comportamento individual (UNAIDS, 2000).
Um dos nossos objetivos principais, portanto, é demonstrar como tal trabalho pode ser relevante para a análise da estigmatização e discriminação ligadas ao HIV e à AIDS. Nós o faremos lançando a nossa atenção sobre três conjuntos-chave de assuntos. Primeiro, é importante reconhecer que o estigma e a estigmatização se formam em contextos específicos de cultura e poder. O estigma nunca surge em um vácuo social. Ele tem sempre uma história, que tem influência sobre quando ele aparece c sobre a forma que ele assume. O entendimento desta história e de suas conseqüências prováveis para os indivíduos e comunidades afetados pode nos ajudar a desenvolver melhores medidas para combatê-lo e para reduzir os seus efeitos. Em segundo lugar, é importante entender melhor como o estigma é usado pêlos indivíduos, comunidades e pelo Estado para produzir e reproduzir desigualdade social. Terceiro, é importante reconhecer como o entendimento do estigma e da discriminação nestes termos encoraja o foco sobre a economia política da estigmatização c suas ligações à exclusão social.
A natureza do estigma
- O estigma produz, e reproduz relações e desigualdades sociais
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