Entre o nosso comércio e a nossa saúde, nós vamos cuidar da nossa saúde. [Lula]

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, Agência de Notícias da Aids Editoria: Pág. Dia / Mês/Ano: 01/JANEIRO/08Retrospectiva 2007: ‘entre o nosso comércio e a nossa saúde, nós vamos cuidar da nossa saúde’, diz o presidente Lula ao assinar o decreto da licença compulsória do efavirenz 01/01/2008 – 13h00No decorrer do ano de 2007, a Agência Aids publicou as principais notícias relacionadas ao tema HIV/Aids destacando o trabalho de ativistas, gestores públicos, jornalistas, médicos, especialistas e também cobrindo os principais eventos e acontecimentos nacionais e internacionais. No dia 4 de maio de 2007, a editora executiva da Agência, a jornalista Roseli Tardelli, esteve presente à cerimônia histórica onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou o decreto do licenciamento compulsório do anti-retroviral Efavirenz, produzido pela Merck Sharpe & Dohme. Leia a seguir.”É importante deixar claro: não importa se a firma é americana, alemã, brasileira, francesa ou argentina. O dado concreto é que o Brasil não pode ser tratado como se fosse um país que não merece ser respeitado, ou seja, pagarmos 1 dólar e 60 centavos, quando o mesmo remédio é vendido para outro país a 60 centavos de dólar. É uma coisa grosseira, não só do ponto de vista ético, mas do ponto de vista político e econômico. É um desrespeito. Como se o doente brasileiro fosse inferior ao doente da Malásia. Não tem nenhuma possibilidade de aceitarmos isso”. discursou o presidente.José Marcos de Oliveira, representante do Movimento de Luta Contra Aids no Conselho Nacional de Saúde, foi o primeiro a falar. Saudou Lula, o ministro Temporão, o presidente do Senado Renan Calheiros. Pontuou que a atitude do governo fortalece e garante os princípios do SUS e que abrirá também precedente para que outras patologias sejam contempladas se necessário for. Disse que o ato foi uma resposta do governo ao movimento e ativismo brasileiro que foi se organizando com o tempo e, ao encerrar seu discurso, foi calorosamente aplaudido.” Os interesses comerciais não podem estar nunca acima dos interesses da Saúde.A vida é mais forte que a Aids”.Na sequência, demonstrando tranquilidade e segurança, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão explicou que de forma legítima e necessária, sem infringir a lei e os direitos, o Brasil tomou a atitude de maneira serena e soberana. Lembrou que no final dos anos 89, o país começou a destruir sua indústria química de base e que “estamos começando a reverter esta situação”. Explicou que o Canadá e a Itália já decretaram licenças compulsórias. Foi enfático ao informar os aspectos de interesse público do medicamento e que o país estava pagando 136% a mais do que o preço “ofertado para a Tailândia que atende 17 mil pessoas”. Lembrou que a decisão foi tomada depois de terem sido realizadas 8 reuniões com representantes da Merck, que o embaixador americano e o presidente mundial da empresa ligaram para ele, mas que as negociações não chegaram ao patamar que o governo brasileiro considerava aceitável. “Na última sexta-feira eles ofereceram 30% de redução, mas pelos nossos cálculos, o mínimo para fechar acordo seria 60%”.”COM O MESMO CUIDADO QUE TRATAMOS DE UM POBRE QUE RECEBE O BOLSA FAMÍLIA, QUEREMOS CUIDAR DOS NOSSOS COMPANHEIROS E COMPANHEIRAS QUE FORAM INFECTADOS”, DISCURSOU O PRESIDENTE.Último a falar, o presidente Lula acabou fazendo um discurso de improviso. Ele lamentou que a produção de fármacos e a inovação tecnológica tenham retrocedido, como havia dito o ministro Temporão. Reiterou o compromisso do governo de investir cada vez mais em Farmanguinhos, laboratório da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O presidente disse que a decisão foi bastante discutida antes de ser tomada, para que não fugisse aos critérios da Organização Mundial do Comércio (OMC) e afirmou que “entre o nosso comércio e a nossa saúde, nós vamos cuidar da nossa saúde”. Abaixo o discurso do presidente na íntegra.”Eu quero que o Temporão saiba, como ministro da Saúde, que está valendo agora para este remédio – que eu não aprendi a falar o nome – o efavirenz, mas vale para qualquer outro. Hoje é o efavirenz, mas amanhã pode ser qualquer outro comprimido, ou seja, se não tiver com os preços que são justos, não apenas para nós, mas para todo ser humano no Planeta que está infectado, nós temos que tomar essa decisão. Afinal de contas, entre o nosso comércio e a nossa saúde, vamos cuidar da nossa saúde.Como tenho uma tese em que eu acho que toda descoberta de interesse da humanidade deveria ser fixada como patrimônio da humanidade, o inventor, o criador, poderia ter os seus benefícios, ganhar o seu dinheiro, mas isso deveria ser da humanidade. Não é possível alguém ficar rico com a desgraça dos outros. Então, eu acredito, Temporão, que o que estamos fazendo hoje no Brasil, Renan, e eu sei o quanto o Congresso Nacional tem contribuído, o quanto o presidente Sarney contribuiu para que chegássemos a isso, vocês podem ter certeza do seguinte: o Temporão vocês conhecem, nós temos um compromisso e, por isso, investimos bastante em Manguinhos, e vamos investir mais, pois não é possível que este País tenha fechado a nossa central de medicamentos e a gente tenha retrocedido ao invés de ter avançado. Eu não sei quantos de vocês, mas a verdade é que 61% do povo brasileiro me deu o segundo mandato exatamente para fazer o que não foi possível fazer no primeiro mandato. E vamos fazer.Quero desejar a vocês toda sorte do mundo e dizer que vocês vão continuar tendo do governo brasileiro todo o apoio que for necessário. Nós não abriremos mão de cuidar do nosso povo. Com o mesmo cuidado que temos para cuidar de um pobre com o Bolsa Família, nós queremos cuidar dos nossos companheiros e companheiras que foram infectados. E vamos cuidar com o mesmo carinho com que vocês cuidam de vocês mesmos e dos seus parentes.Que Deus nos ajude nessa empreitada. Obrigado!”De Brasília, Roseli Tardelli


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Claudio Souza DJ, Bloqueiro e Escritor
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