A medida que a população que vive com HIV envelhece, surgem novos desafios de saúde. Eu, como alguém que faz parte da primeira geração de pessoas vivendo com HIV a ultrapassar os 50 e agora os 60 anos, sei bem o que isso significa. Vivemos em uma época em que o tratamento antirretroviral (TARV) revolucionou o prognóstico para pessoas com HIV, permitindo que muitos de nós alcancem a terceira idade. Mas, com isso, enfrentamos uma combinação única de questões: os problemas de saúde associados ao envelhecimento, somados às consequências de viver com HIV por longos períodos.
A Realidade do Envelhecimento com HIV
Um dos grandes obstáculos que encontramos ao envelhecer com HIV é a percepção errada de que o vírus é uma preocupação apenas de jovens. Durante minhas ações de testagem voluntária nas ruas de Santos, é comum encontrar pessoas com mais de 60 anos que acreditam não correr risco de infecção, afirmando que “isso é problema de gente jovem”. No entanto, em muitas dessas ocasiões, após uma conversa mais aprofundada, consigo convencer essas pessoas a fazerem o teste de HIV. E o resultado? Muitas vezes, elas descobrem que estão vivendo com o vírus.
Envelhecer com HIV não é o fim do mundo. Felizmente, a TARV é altamente eficaz, e, quando aderida corretamente, permite que vivamos de maneira relativamente saudável. Mas há complicações adicionais que precisam ser enfrentadas com cuidado. Entre elas, um dos maiores desafios é a hiperlipidemia.
O Que é Hiperlipidemia?
A hiperlipidemia é uma condição caracterizada pelo excesso de gorduras (ou lipídios) no sangue, como colesterol e triglicerídeos. Esses lipídios podem se acumular nas artérias, restringindo o fluxo sanguíneo e aumentando o risco de doenças cardiovasculares, como ataques cardíacos e derrames.
A hiperlipidemia pode não apresentar sintomas visíveis, tornando-a uma “inimiga silenciosa”. Muitas pessoas só descobrem que estão com níveis elevados de colesterol e triglicerídeos após exames de sangue de rotina. É por isso que o monitoramento regular é fundamental, especialmente para quem vive com HIV. A TARV, embora extremamente benéfica, pode em alguns casos contribuir para a elevação desses níveis, exigindo ainda mais cuidado com a saúde.
Minha Experiência com a Obesidade e a Hiperlipidemia

Sobrevivi, mas essa experiência me ensinou o valor de cuidar da saúde com atenção. Hoje, faço uma hora de esteira diariamente para manter meu peso e os níveis de lipídios sob controle. Manter-se ativo e controlar a alimentação são fundamentais para evitar complicações como a hiperlipidemia, que afeta muitas pessoas que vivem com HIV, especialmente à medida que envelhecem.
Por Que o Controle da Hiperlipidemia é Importante?
Quando não tratada, a hiperlipidemia pode levar a problemas graves como doenças cardíacas, coágulos sanguíneos e hipertensão. A combinação de colesterol LDL elevado (“colesterol ruim”) e triglicerídeos altos aumenta ainda mais o risco de acidente vascular cerebral e ataque cardíaco. Esse é um alerta especialmente importante para nós, que vivemos com HIV, pois estamos mais propensos a desenvolver essas condições com o passar do tempo.
Além disso, o controle da hiperlipidemia não depende apenas de medicamentos. Embora algumas pessoas precisem de remédios para manter seus níveis de colesterol e triglicerídeos em ordem, muitos conseguem resultados excelentes com mudanças no estilo de vida. Uma dieta balanceada, rica em alimentos saudáveis e pobre em gorduras saturadas, junto com a prática regular de exercícios, pode fazer uma diferença enorme.
Fatores de Risco e Prevenção
Alguns fatores de risco para a hiperlipidemia não podem ser controlados, como o histórico familiar e a genética. No entanto, muitas outras variáveis estão sob nosso controle. O que comemos, quanto nos exercitamos e até mesmo hábitos como fumar ou beber podem influenciar diretamente nossos níveis de colesterol e triglicerídeos.
A prática regular de exercícios é fundamental. Além de ajudar a controlar o peso, a atividade física melhora os níveis de colesterol bom (HDL) e reduz o colesterol ruim (LDL) e os triglicerídeos. Eu, pessoalmente, encontrei na esteira e musculação uma forma de manter minha saúde em dia e prevenir o acúmulo de gorduras no sangue.
Outro ponto importante é a alimentação. Evitar alimentos ricos em gorduras trans e saturadas, como carnes gordurosas e óleos vegetais tropicais, pode reduzir significativamente os níveis de colesterol. Optar por alimentos mais saudáveis, como frutas, vegetais e proteínas magras, é um passo essencial para quem vive com HIV e quer garantir uma boa qualidade de vida à medida que envelhece.
Conclusão: Cuidar da Saúde é Cuidar da Vida
O diagnóstico de HIV não é o fim da linha. Com o tratamento adequado e o cuidado constante com a saúde, podemos envelhecer com qualidade de vida. No entanto, precisamos estar atentos às complicações que podem surgir, como a hiperlipidemia. A combinação do HIV com o envelhecimento exige de nós um compromisso ainda maior com nossa saúde.
Portanto, nunca é tarde para começar a cuidar de si mesmo. Faça o teste de HIV, controle seus níveis de colesterol e triglicerídeos e mantenha um estilo de vida saudável. O autocuidado é a chave para viver bem, independentemente da idade ou do diagnóstico.
Dicas de Saúde para Envelhecer com HIV:
- Monitore seus níveis de colesterol e triglicerídeos: Faça exames de sangue regulares.
- Exercite-se regularmente: Atividades como caminhada ou esteira podem fazer uma grande diferença.
- Alimente-se de forma saudável: Evite gorduras trans e saturadas, e opte por frutas, vegetais e proteínas magras.
- Pare de fumar: O cigarro pode agravar problemas de colesterol e saúde cardiovascular.
- Adesão ao tratamento antirretroviral: Manter o tratamento em dia é essencial para evitar complicações a longo prazo.
E você? Se sente preparado para envelhecer com HIV. Sabia que envelhecer é quase um privilegio quando você vê tanta gente que perde a vida na flor da idade por causa de um procedimento estético
Adaptado da tradução de Hyperlipidemia: Causes, Symptoms, Diagnosis, and More (verywellhealth.com)
Updated on May 09, 2023
Medically reviewed by Anisha Shah, MD
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