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Mais da metade das pessoas com HIV não sabe da infecção295 visualizações desde a publicação original em 30/09/2010. Tempo estimado de leitura acumulado: 14 horas, 45 minutos.

by Claudio Souza DJ, Bloqueiro e Escritor
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Relatório da OMS mostra que só 1/3 dos doentes tem acesso a remédios; no Brasil, há poucos centros de diagnóstico

Jamil Chade CORRESPONDENTE / GENEBRA – O Estado de S.Paulo

Mais de 50% das pessoas infectadas pelo vírus da AIDS não sabem que estão contaminadas e 10 milhões em todo o mundo não têm acesso a remédios e tratamento. O alerta está em novo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), que aponta para a necessidade de US$ 10 bilhões para garantir o tratamento a todos.

No mundo, 33,4 milhões de pessoas são portadoras do HIV, mas apenas um terço tem acesso a remédios. No Brasil, cerca de 250 mil não sabem que estão contaminadas. O País não integra o grupo de nações que garantiram acesso universal ao tratamento.

A constatação da OMS é de que, em uma década, avanços importantes foram feitos para garantir que a população mundial tivesse acesso a remédios. Mas nenhuma das metas estabelecidas pela ONU foi atingida. Em 2003, a meta era ter, após dois anos, 3 milhões de pessoas sob tratamento. O número só foi atingido em 2007.

Para 2010, a meta era conseguir, nos países em desenvolvimento, que 80% da população – um total de 15 milhões de pessoas – tivesse acesso aos tratamentos. Mas, segundo a OMS, ao final de 2009 o número era de apenas 5,2 milhões, 36% do total.

Só oito países atingiram a marca dos 80%, entre eles Romênia, Ruanda, Cuba e Botsuana. A ONU adotou 2015 como o novo prazo para atingir esse objetivo.

Polêmica brasileira. Os dados sobre o Brasil são alvo de polêmica. Por uma disparidade na forma de contar o número de doentes e de pessoas com acesso a remédios, a OMS indica que entre 50% e 80% dos brasileiros com o HIV recebem tratamento. Entre 20 mil e 190 mil pessoas no País precisariam de medicamentos. A OMS considera a epidemia da AIDS no Brasil “concentrada” em determinadas parcelas da população.

“Temos várias razões para acreditar que o acesso ao tratamento no Brasil é superior a 90%”, diz Dirceu Greco, do DEPARTAMENTO DE DST, AIDS e Hepatites Virais do Ministério da Saúde. Ele cita como exemplo a queda na transmissão vertical e a estabilidade na taxa de mortalidade. “E não há fila para entrar no programa de tratamento.”

Para Mariângela Simões, da Unaids, o desafio no Brasil é garantir que os infectados sejam diagnosticados para que possam entrar no programa. Em média, há 3 centros de diagnóstico e aconselhamento para cada 100 mil brasileiros. Na Argentina, são 38 centros e no Peru, 32.

No entanto, afirma Greco, o teste para detectar a doença pode ser feito em qualquer Unidade Básica de Saúde. / COLABOROU KARINA TOLEDO



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