DE NOVA YORK
Os EUA vão iniciar um processo de revisão da política de “don”t ask, don”t tell” (não pergunte, não diga) para viabilizar a entrada de pessoas assumidamente gays nas Forças Armadas. O secretário da Defesa, Robert Gates, e o almirante Michael Mullen, chefe do Estado-Maior-Conjunto dos EUA, defenderam ontem em depoimento na Comissão de Serviços Armados no Senado a alteração dessa política.
“Não importa como eu olhe para a questão, não posso deixar de me sentir preocupado com o fato de termos uma política em vigor que força homens e mulheres a mentir sobre quem são para poder defender os cidadãos”, disse Mullen.
O presidente dos EUA, Barack Obama, já havia reiterado o compromisso de acabar com essa política durante seu discurso sobre o Estado da União. Em 1993, o general Colin Powell, chefe do Estado-Maior-Conjunto dos EUA na época, se opôs à entrada de homens e mulheres gays, mas apoiou a política de que os gays poderiam servir desde que mantivessem a orientação sexual em segredo.
A mudança definitiva requer aprovação do Congresso. A revisão dessa política deverá examinar como a mudança pode afetar o moral das unidades, o processo de recrutamento e seleção, assim como as possibilidades de conceder os benefícios de casamento para parceiros de soldados gays.
Gates designou o principal conselheiro legal do Pentágono, Jeh C. Johnson, e o comandante do Exército americano na Europa, general Carter Ham, para comandar o processo de revisão, que pode durar até um ano.
Até lá, segundo Gates, as Forças Armadas deverão aplicar a política vigente de modo mais justo, o que pode sinalizar que os militares poderão não tomar medidas em casos em que a orientação sexual seja revelada por outros. Gates pediu ao Pentágono que faça uma recomendação sobre a questão dentro de 45 dias, mas acredita que será necessária uma revisão ampla dos procedimentos.
Grupos de defesa de direitos homossexuais estavam cada vez mais insatisfeitos com a falta de avanços na gestão Obama. O governo, no entanto, também teve de lidar com a relutância do Pentágono em modificar suas práticas em um momento crucial de participação em duas guerras.
O almirante Mullen destacou ainda que 18 mil dos 30 mil soldados que serão enviados ao Afeganistão chegarão até o final da primavera (no hemisfério Norte). Os demais soldados deverão chegar o mais rápido possível durante o verão e o início do outono. E acrescentou que, neste momento, o Taleban avalia estar vencendo. (JL)
FOLHA DE S.PAULO |
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03/FEVEREIRO/2010 |
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