A Vacina Em 2016 não Veio – De um comprimido por dia a apenas duas aplicações por ano
AVISO IMPORTANTEEste texto é informativo e não substitui avaliação médica. Eu escrevo também a partir da minha experiência como paciente, mas decisões sobre exames, diagnóstico e tratamento devem ser...
Aqui eu termino uma espera de dez anos, uma espera minha. A vacina cuja bola teria sido cantada para 2016 não se concretizou, mas uma coisa eu posso acrescentar: a ciência e a medicina não pararam!HÁ uma diferença entre o que se esperava e o que se obteve, mas algo de muito bom se obteve!
PrEP de longa duração: a prevenção do HIV está entrando em uma nova era
A de um comprimido por dia a apenas duas aplicações por ano
Durante muitos anos, uma das grandes perguntas da prevenção do HIV foi simples:Como tornar a proteção mais fácil de manter?
Temas Tratados Nesta Página
- HÁ uma diferença entre o que se esperava e o que se obteve, mas algo de muito bom se obteve!
- PrEP de longa duração: a prevenção do HIV está entrando em uma nova era
- A de um comprimido por dia a apenas duas aplicações por ano
- Lenacapavir: PrEP apenas duas vezes por ano
- Por que o lenacapavir chamou tanta atenção?
- Então temos três grandes caminhos de PrEP
- PrEP oral
- PrEP injetável com cabotegravir
- PrEP injetável com lenacapavir
- Uma aplicação de longa duração reduz muitos desses obstáculos.
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O objetivo não é substituir a PrEP oral.É oferecer escolha. Escolha que eu, Cláudio Souza, não tive e era obrigado a empurrar para dentro de mim, muitas vezes com o socador de feijão e tocar o enterro, sair para trabalhar passando al por causa dos remédios, em pé em um ônibus a 50KM/h com frenagens bruscas e arrancadas avassaladoras (os passageiros mais bem-humorados brincavam que ele, o motorista, ganhava por vagem e por “cabeça”. Seres humanos reduzidos a gado coo naquele filme do Chaplin, tempos modernos… Para algumas pessoas, tomar um comprimido é simples. Para outras, receber algumas aplicações por ano pode ser muito mais fácil. E na prevenção do HIV, o melhor método costuma ser aquele que a pessoa consegue realmente utilizar.

Lenacapavir: PrEP apenas duas vezes por ano
O lenacapavir representa uma das maiores mudanças recentes na prevenção do HIV.
Ou seja: duas aplicações por ano.
Em julho de 2025, a Organização Mundial da Saúde recomendou que o lenacapavir de longa duração fosse oferecido como uma opção adicional de PrEP dentro das estratégias combinadas de prevenção do HIV. Organização Mundial da Saúde No Brasil, a Anvisa aprovou em janeiro de 2026 a indicação do Sunlenca (lenacapavir) para PrEP em adultos e adolescentes a partir de 12 anos, com pelo menos 35 kg, desde que o teste para HIV seja negativo antes do início. Serviços e Informações do Brasil Isso não significa, contudo, que ele já esteja automaticamente disponível no SUS para todas as pessoas. Aprovação regulatória e incorporação ao sistema público são etapas diferentes.Por que o lenacapavir chamou tanta atenção?
Os resultados dos estudos clínicos foram extraordinários. No estudo PURPOSE 1, realizado principalmente entre mulheres cisgênero na África do Sul e Uganda, não houve novas infecções por HIV entre participantes que receberam lenacapavir durante a fase principal analisada. Organização Mundial da Saúde No PURPOSE 2, que incluiu homens cisgênero, pessoas trans e pessoas de gênero diverso em diferentes países, o lenacapavir também demonstrou eficácia muito elevada, com redução de aproximadamente 96% das infecções em comparação com a incidência esperada de HIV. Gilead Esses resultados ajudaram a transformar uma possibilidade científica em uma nova estratégia de prevenção.Mas já existia PrEP injetável antes do lenacapavir
Sim. Antes dele, o cabotegravir de longa duração, conhecido como CAB-LA, já havia inaugurado a era da PrEP injetável. A OMS recomenda o cabotegravir de longa duração desde 2022 como opção para pessoas com risco substancial de adquirir HIV. Organização Mundial da Saúde O esquema geralmente começa com duas aplicações separadas por quatro semanas e depois segue com uma aplicação aproximadamente a cada oito semanas. Organização Mundial da Saúde Estudos importantes mostraram que ele é extremamente eficaz. A comparação com PrEP oral mostrou redução relativa de aproximadamente 79% no risco de aquisição do HIV nos estudos analisados pela OMS, muito relacionada ao fato de que a medicação injetável evita problemas de adesão ao comprimido diário. Organização Mundial da SaúdeEntão temos três grandes caminhos de PrEP
Hoje, quando pensamos em prevenção medicamentosa do HIV, podemos imaginar três grandes modelos.PrEP oral
Comprimidos utilizados de acordo com o esquema recomendado. É uma estratégia muito eficaz e com longa experiência de uso.PrEP injetável com cabotegravir
Aplicações aproximadamente a cada dois meses.PrEP injetável com lenacapavir
Aplicações aproximadamente a cada seis meses. Nenhum desses métodos precisa ser considerado “melhor” para todas as pessoas. O ponto fundamental é oferecer opções. Uma pessoa pode preferir tomar comprimidos porque gosta de controlar diariamente sua prevenção. Outra pode considerar o comprimido diário difícil de manter. Outra talvez queira evitar que familiares ou parceiros encontrem sua medicação. Outra simplesmente pode preferir pensar em PrEP apenas algumas vezes por ano.
Por que a longa duração pode mudar tanto a prevenção?
Há um problema conhecido em praticamente todos os tratamentos preventivos: um medicamento só funciona quando é utilizado. A PrEP oral pode ser extremamente eficaz, mas sua eficácia depende da adesão. Isso significa que dificuldades aparentemente simples podem ter impacto real:- esquecer doses;
- perder comprimidos;
- não conseguir buscar a medicação;
- interromper o uso durante viagens;
- esconder a PrEP por medo de julgamento;
- enfrentar estigma;
- cansar-se de uma rotina diária.
Uma aplicação de longa duração reduz muitos desses obstáculos.
A pessoa pode passar semanas ou meses sem precisar lembrar diariamente que está utilizando um método de prevenção. Para algumas pessoas, isso pode representar uma enorme diferença.Existe uma questão particularmente importante: privacidade
Imagine uma mulher vivendo em um relacionamento no qual revelar que utiliza PrEP poderia gerar conflitos. Ou um jovem que mora com os pais e teme que alguém encontre seus comprimidos. Ou uma pessoa que trabalha viajando constantemente. Ou alguém que simplesmente prefere não ter um frasco de medicamento relacionado ao HIV em casa. Uma aplicação que protege durante meses pode oferecer algo além da eficácia médica: discrição. Eu me lembrei aqui que na matéria da revista isto é “O Direito Dos Aidéticos – (Este link dá para 447 artigos)“. Escrever isso me dá até calafrios, os empregadores de uma mulher descobriram qque uma de suas secretárias era portadora de HIV e quiseram demiti-la, mas temiam uma açao legal e chegaram ao displante de contratar um detetive particular no afã de levantar que ela levava uma “viida dupla” e que se prostituiria durante suas noites e que isso justificaria (não justificaria) a demissão. A própria OMS ressalta que métodos de longa duração podem ajudar a enfrentar barreiras como uso diário de comprimidos, necessidade frequente de comparecer aos serviços e estigma relacionado à prevenção do HIV. Organização Mundial da Saúde E os implantes? Aqui é importante separar ciência de expectativa. Pesquisadores estão estudando implantes capazes de liberar medicamentos lentamente durante períodos muito longos. Um dos conceitos mais interessantes apresentados recentemente utiliza um pequeno dispositivo subcutâneo com estrutura de titânio e membrana de nano canais. Em experimentos pré-clínicos com primatas, um implante desse tipo carregado com islatravir manteve liberação do medicamento por 29 meses e demonstrou proteção contra exposições experimentais ao vírus semelhante ao HIV utilizado nesses modelos animais. Sociedade Internacional de AIDS Além disso, o dispositivo foi projetado para poder ser reabastecido através da pele, sem necessidade de removê-lo toda vez que o medicamento termina. A ideia é fascinante. Mas é fundamental deixar uma coisa clara: isso ainda é pesquisa. Não é uma opção de prevenção que alguém possa procurar hoje em uma unidade de saúde. Nem toda pesquisa de longa duração chega à clínica A história do islatravir mostra também por que devemos ser cuidadosos com notícias científicas. Em determinado momento, o medicamento estava sendo estudado inclusive como implante anual para PrEP. Entretanto, em 2021, estudos foram interrompidos depois que pesquisadores identificaram reduções em linfócitos e células CD4 em alguns programas clínicos envolvendo determinadas doses do medicamento. Merck.com A pesquisa com islatravir continuou posteriormente com doses e combinações diferentes, mas aquele episódio mostra algo importante: uma tecnologia promissora não se torna automaticamente um tratamento disponível. Ela precisa passar por estudos rigorosos de eficácia e segurança. O futuro também pode trazer comprimidos semanais ou mensais A longa duração não significa necessariamente injeções ou implantes. Pesquisadores também estudam medicamentos que poderiam ser tomados:- uma vez por semana;
- uma vez por mês;
- ou em outros intervalos prolongados.
- sífilis;
- gonorreia;
- clamídia;
- hepatites virais;
- HPV;
- herpes;
- outras infecções sexualmente transmissíveis.
- acesso;
- preços viáveis;
- distribuição;
- treinamento dos profissionais;
- testagem adequada;
- acompanhamento;
- continuidade das aplicações;
- disponibilidade para populações mais vulneráveis.
- Organização Mundial da Saúde — Guidelines on lenacapavir for HIV prevention and testing strategies for long-acting injectable pre-exposure prophylaxis. 2025.
- Organização Mundial da Saúde — Guidelines on long-acting injectable cabotegravir for HIV prevention. 2022.
- Organização Mundial da Saúde — atualização sobre aprovação do lenacapavir pela FDA. 2025.
- ANVISA — Sunlenca (lenacapavir): nova indicação para profilaxia pré-exposição do HIV-1. 2026.
- New England Journal of Medicine — PURPOSE 1: lenacapavir semestral para prevenção do HIV em mulheres cisgênero.
- PURPOSE 2 — resultados de lenacapavir semestral para PrEP em populações diversas.
- International AIDS Society — pesquisas sobre dispositivos subcutâneos de liberação ultralonga de antirretrovirais.

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