Exibição do filme Um lugar Para Beijar, no Bar do Museu, comove a platéia
04/06/2009 – 23h40
“Na periferia imensa de São Paulo onde cabe a sexualidade? Onde cabe a homossexualidade?” Essa é uma das frases do narrador do filme Um lugar Para Beijar de direção da jornalista Neide Duarte, da Rede Globo e concepção e realização de Cristina Abbate, coordenadora do Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo (PM). O documentário teve mais uma apresentação, na noite desta quinta-feira, e comoveu a platéia no Bar do Museu no centro de São Paulo. A apresntação foi organizada pela Associação de Amigos do Museu de Arte Moderna, PM e o instituto Barong.
“O Bar do Museu esteve sempre aberto para manifestações artísticas e culturais, achamos, então, interessante fazer uma exibição aqui, para amigos e quem mais quisesse ver o filme”, disse Marta McBritton, coordenadora do Instituto Cultural Barong.
Marta afirma que já havia se apaixonado artisticamente pelo documentário e que quanto mais pessoas assistirem, melhor. “Ele tem a proposta de falar do mundo gay sem o glamour a que as pessoas estão acostumadas. Ele retrata os excluídos dos excluídos, os homossexuais da periferia”.
A coordenadora do Instituto Barong, ONG que trabalha com prevenção à Aids e DSTs acrescenta que cultura e arte são meios eficientes de abordar e sensibilizar sobre o tema. “Devemos temer a homofobia e não o homoafeto”, ela defende.
Cristina Abbate, coordenadora do PM e uma das idealizadoras do projeto explicou que o documentário não tem objetivo comercial. “Queríamos justamente mostrar como é a vida fora do circuito conhecido como gay, da rua Consolação e Jardins”.
O filme mostra também como vivem os Homens que Fazem Sexo com Homens (HSH) (e que não se consideram homossexuais) e traz depoimentos de diversos personagens desse universo, como travestis, transexuais, homossexuais e agentes de prevenção do PM, que vivem e trabalham na periferia.
Cristina Abbate declarou, antes da apresentação, que o governo do Estado em parceria com o Município vai criar um serviço imediato para atender as necessidades dos travestis e transgênicos. “Um dos objetivos é trabalhar com redução de danos para o uso de hormônios e silicone nessa população”, explicou.
O médico Paulo Roberto Teixeira, consultor do Programa das Nações Unidas para Aids e Organização Mundial da Saúde, também esteve presente na exibição. “Achei o filme maravilhoso. Comovente, sem ser piegas. É tocante esse lado da relação deles com a família, muitas vezes de histórias trágicas”, disse.
Teixeira, que foi o criador do primeiro programa para prevenção e controle da Aids na América Latina, lembrou que a vida homossexual do Brasil real é absolutamente ignorada. “Nós que estamos nas instâncias governamentais e não-governamentais e somos responsáveis pelas iniciativas de prevenção ao HIV conhecemos muito pouco desse universo. Foi corajoso mostrar esses locais tão remotos.”
Em breve, o filme Um lugar Para Beijar será exibido em rede aberta pela TV Cultura.
Valéria Polizzi
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AGÊNCIA AIDS
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05/JUNHO/09
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