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terça-feira, março 3, 2026

Falta acolhimento para portadores do vírus HIV

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Falta acolhimento para portadores do vírus HIV

Os serviços de atendimento, como internação e consultas, não atendem à demanda da Capital

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FOTO: NATINHO RODRIGUES
Além da falta de recursos que vem fechando as casas de acolhimento, outro problema é a busca por atendimento. A equipe da Casa do Sol Nascente diz que o programa municipal é bom, mas não funciona efetivamente

Vulneráveis psicologicamente e debilitados na condição física, portadores do vírus HIV seguem a difícil rotina de enfrentar a doença. Falta, antes de tudo, acolhimento para essas pessoas. Fortaleza hoje só conta com a Casa do Sol Nascente, no Condomínio Uirapuru, que oferece abrigo temporário, porém integral, e acompanhamento biopsicossocial e pedagógico para crianças e adultos com Aids. São 12 pessoas cadastradas, sendo 10 instaladas na casa e duas internadas.

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Além da falta de recursos que vem motivando o fechamento das casas de acolhimento, outro problema enfrentado pelos portadores de HIV é a busca por atendimento na Capital. O Serviço de Atenção Especializada (SAE) Carlos Ribeiro, localizado no bairro Jacarecanga, que faz parte do Centro de Especialidades Médicas José de Alencar (Cemja), ressente de sucateamento dos serviços.

As internações são complicadas e a realização de consultas e exames também. Os médicos deixam de trabalhar por atraso no pagamento dos salários. Além disso, as cestas básicas que garantem a segurança alimentar dos doentes e são distribuídas pelo Fórum de ONGs Aids do Estado do Ceará foram reduzidas pela metade há dois meses.

Medicamentos

Faltam também medicamentos para combater as doenças oportunistas. Uma luta constante e antiga do Fórum para garantir o bem-estar dos pacientes é conseguir o passe livre nos ônibus, principalmente para as famílias em que todos os integrantes estão doentes.

De acordo com a equipe da Casa do Sol Nascente, o programa de atendimento do Município é bom, mas não está funcionando efetivamente. A coordenadora da área técnica de DST/Aids e Hepatites Virais da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Fabiana Sales, explica que a Casa do Sol Nascente recebe repasses da Prefeitura por meio de convênios que estão em processo de renovação e seguem o trâmite burocrático normal. O que diz respeito aos leitos infantis vai para publicação nos próximos dias. Já o de leitos dos adultos aguarda a prestação de contas do ano passado, necessária para abrir um novo convênio.

Cestas

Sobre as cestas básicas, a SMS diz que são de responsabilidade da Central de Segurança Alimentar. A Secretaria de Saúde repassava 195 kits. Porém, são mais de sete mil pessoas com HIV em Fortaleza que necessitam de ajuda. Uma solução está sendo articulada com a Secretaria do Trabalho para que a entrega das cestas seja vinculada à política social. A demora do processo tem prejudicado a entrega.

No que concerne aos medicamentos, a SMS revela que os pacientes podem pegar nos postos de saúde. O Cemja possui nove serviços de atendimento de HIV/Aids. Dois estão com estrutura apta. Porém, a sede do SAE Anastácio Magalhães, no Rodolfo Teófilo, está em reforma. Os serviços foram transferidos para outro prédio sem estrutura necessária. Tudo deve ser normalizado no dia 31 de maio de 2014.

A edificação do Cemja teve de ser interditada por conta de princípios de incêndios no ano passado. Os serviços foram remanejados para outras unidades. O de HIV/Aids foi para um prédio que estava sem funcionar há algum tempo. Uma sobrecarga de energia gerou curtos-circuitos, mas o problema foi resolvido na última terça, segundo a SMS.

A Casa do Sol Nascente concorre a editais anuais para conseguir tocar os projetos. No momento, quatro estão em andamento. O perfil é de pacientes com HIV e com envolvimento com drogas. Alguns chegam bem debilitados.

Cuidados abrem novos caminhos aos pacientes

É na Casa do Sol Nascente que vidas são ressignificadas por meio do carinho e da atenção dos cuidadores. A equipe de atendimento da instituição traça planos com essas pessoas, o que faz com que elas planejem novos caminhos a seguir. A esperança ressurge. Eles têm aulas de música e recebem todo o encaminhamento necessário. Além disso, os pacientes têm atividades religiosas e acompanhamento nutricional, social e de saúde.

O ex-jogador de futebol M.S, 34 anos, reencontrou o sentido de viver na Casa do Sol Nascente. Após passar por problemas sérios com drogas e descobrir o vírus HIV, em jornada com várias internações e idas e vindas de uma depressão profunda, ele hoje já consegue planejar o futuro: quer montar uma sorveteria.

Perdeu a visão, mas enxerga a esperança. Animado, M.S está no abrigo há pouco tempo e já conseguiu se integrar com os colegas. Ele reclama da dificuldade de internação em Fortaleza. Passou por isso nas diversas vezes que precisou dos serviços. “Remédio às vezes não tem”.

J.M.A, de 34 anos, passou por situações bem difíceis, como uma cirurgia que precisou fazer no coração, mas hoje está recuperado e os sonhos voltaram a fazer parte da sua trajetória. “Quero comprar uma casa para meus filhos e ficar tranquilo lá”.



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