Zarifa Khoury, Susanna Lira, Cida Lemos e Silvia Almeida conversam com público em São Paulo
Atividade realizada pela Agência AIDS teve apoio do Espaço Unibanco de Cinema, Condomínio Conjunto Nacional e DKT do Brasil
09/03/2010 – 1h20
Na noite dessa segunda-feira, 8 de março, Dia Internacional da Mulher, o filme documentário “Positivas” foi exibido por duas vezes no Espaço Unibanco de Cinema em São Paulo, seguido por um debate mediado pela jornalista Roseli Tardelli e com as participações da diretora do filme, Susanna Lira; das personagens Silvia Almeida e Cida Lemos; e da médica infectologista Zarifa Khoury. Na primeira sessão, às 18h30, o evento contou principalmente com a presença de profissionais das áreas da saúde e da comunicação, artistas e outros interessados. Já na segunda exibição, às 20h, a plateia era quase toda formada por mulheres da comunidade de Heliópolis.
O filme mostra a história de mulheres que foram infectadas com o HIV em relações estáveis e como elas e seus familiares encararam a vida com o vírus da AIDS.
“Quis mostrar o filme de forma bem diversificada sobre a vida de mulheres com HIV com todas as verdades possíveis e coloquei de propósito algumas cenas para mostrar que nem sempre é fácil para familiares falarem sobre o tema”, contou Susanna. “Fiquei assustada quando soube que 64% das mulheres com o HIV contraíram o vírus em relações estáveis, por isso quis dirigir este filme”, acrescentou a diretora.
Nos debates posteriores as exibições do filme, o assunto destaque foi o mesmo: a falta de poder das mulheres em relação aos homens na negociação do uso do PRESERVATIVO.
“Temos que nos reconhecer com direitos e deveres… Não usar a CAMISINHA é uma opção de risco mesmo em relações estáveis”, disse Cida Lemos, que além de personagem do filme, é ativista e membro da rede de mulheres com HIV Cidadãs Posithivas.
Silvia Almeida, integrante da mesma rede, ressaltou que o filme também é uma mensagem para os homens.
“A infecção pelo HIV não acontece necessariamente porque uma pessoa é boa ou ruim, mas porque essa pessoa está viva”, comentou Silvia.
A coordenadora do Instituto Cultural Barong, Marta Mcbritton, presente no evento, sugeriu mandar uma cópia do filme para os participantes do Big Brother Brasil, reality show da TV Globo.
“Um caso como aquele (polêmica criada por Marcelo Dourado sobre a não possibilidade de heterossexuais pegarem HIV – saiba mais) repercute muito, a gente que trabalha na ponta sentiu o preconceito”, explicou.
A diretora Susanna Lira disse que pretende levar o filme para festivais e exibi-lo no canal pago GNT.
Vontade de viver
Na opinião da maioria das mulheres que vieram da comunidade de Heliópolis (Zona Sul de São Paulo) para assistir o filme, o que mais chamou a atenção foi o fato das personagens mostrarem força para vencer o preconceito e “vontade de viver”.
“Dificilmente vejo algo assim, quase chorei, principalmente no momento em que elas contam como foi descobrir o HIV“, disse Elaine Nunes, 28, auxiliar administrativa.
“Foi ótimo para nos conscientizar e ficar mais atentas”, comentou Silmara da Silva Pontes, de 38 anos.
Silvana Santos, de 21 anos, conta que não conhecia o que era a transmissão vertical do HIV, ou seja, a transmissão do vírus da mãe para o bebê na gestação, no momento do parto ou na amamentação.
“Achei o filme bastante educativo e vi que nem sempre é possível confiar no parceiro”, comentou a jovem.
Solange Pinto, líder na comunidade de Heliópolis, disse que os grupos de moradores na Zona Sul de São Paulo são unidos, mas ainda assim há problemas.
“Mesmo no nosso meio, ainda existe um preconceito muito grande, o que impede que muitas pessoas não assumam que têm o HIV“, comentou.
Para saber mais informações sobre o filme, acesse http://www.positivasofilme.blogspot.com
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10/03/2010
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