Vacina contra a nova gripe vai estar disponível na rede privada do Pará no início de abril, a R$ 70,00 em média
YÁSKARA CAVALCANTE
Da Redação
Até o início de abril, a vacina contra o vírus H1N1, transmissor da gripe suína, estará disponível na rede particular de saúde de todo o País, o que significa que a imunização não se restringirá a apenas aos grupos prioritários, conforme determinado no cronograma do Ministério da Saúde, mas chegará a toda a população brasileira. No Pará, as doses serão trivalentes, isto é, imunizarão tanto contra a gripe A como contra a sazonal, e estarão disponíveis até o final de março, como adianta o infectologista Newton Bellesi, dono de uma das maiores clínicas de imunização do Estado.
Com a liberação das vacinas para a rede privada, crianças a partir de dois anos e adultos entre 40 e 59 poderão ser imunizados, já que elas não fazem parte do cronograma nacional de vacinação do Ministério da Saúde.
Newton Bellesi ainda não sabe quantas doses serão disponibilizadas para atender a procura pela vacina. Contudo, o médico garante que haverá quantidade suficiente para atender a demanda. “Ainda não sabemos quantas doses receberemos, mas posso dizer que vamos receber uma quantidade suficiente para atender todo mundo”, reforça.
O médico explica que a vacina recebida por ele, e possivelmente distribuída a outras clínicas de imunização privadas, será adquirida do laboratório francês Sanofi Pasteur. As doses são trivalentes, o que significa que quem for vacinado estará imune ao vírus H1N1 e a outros tipos de Influenza, que transmitem a gripe comum.
Diferentemente das multidoses usadas na campanha nacional de vacinação – em uma ampola são abstraídas dez doses -, as vacinas disponibilizadas na rede particular serão monodoses, ou seja, doses individuais, que devem custar, cada uma, em torno de R$ 70,00, mesmo preço da vacina contra a gripe sazonal.
Newton Bellesi orienta que as pessoas que integram os grupos prioritários (grávidas, doentes crônicos, crianças entre seis meses e dois anos, e idosos com mais de 60) que receberem a vacina contra a gripe A também podem se vacinar contra a gripe sazonal. “As pessoas que já tiverem sido vacinadas contra a gripe A podem ser imunizadas contra a gripe comum como forma de prevenção”.
Segundo o médico, somente clínicas de imunização privadas licenciadas pelo Ministério da Saúde podem comercializar a vacina. “Vacina é um produto que precisa de cuidados. Por isso, só as empresas devidamente licenciadas pelo Ministério da Saúde podem atuar com imunização”, esclarece Newton Bellesi.
A Associação Brasileira de Imunizações (SBIm) propôs às clínicas particulares que se comprometam em priorizar o atendimento de pacientes do grupo de risco, caso as doses não sejam suficientes para atender a grande procura.
Instituto nega ter recebido material de ana
O resultado do exame da jovem Ana Vitória Moreira da Silva e Silva, de 23 anos, que morreu na última sexta-feira, 5, no Pronto-Socorro Municipal da 14 de Março, com suspeita de gripe A, ainda não foi divulgado, mesmo que a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) tenha confirmado, por vínculo epidemiológico, que a paciente, trazida de Curuçá para Belém com um quadro grave de pneumonia, tenha sido acometida pelo vírus H1N1.
Ana Vitória ficou internada no hospital de Curuçá, onde morava, por oito dias. Com o agravamento de uma pneumonia que começou com febre alta, tosse, coriza e fortes dores pelo corpo – todos os sintomas da gripe A -, a família optou por trazê-la a Belém, onde foi internada na tarde do dia 4 de março, só sendo medicada com o antiviral específico (Tamiflu) por volta das 23h, segundo a tia da jovem, Luzia da Silva. “Quando foram dar o remédio já era tarde demais”, lamentou.
A busca pelo resultado do exame que comprovará ou não a morte de Ana Vitória por gripe A tem um obstáculo, pois o Instituto Evandro Chagas, de acordo com o vice-diretor, Wyller Melo, não recebeu material de nasofaringe para ser analisado.
A coordenadora de Vigilância à Saúde, da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), Ana Helfer, informou que foi o IML que fez a coleta de material biológico para ser analisado.
População ansiava pela possibilidade de pagar pelas doses
A professora Ana Lúcia Lima, de 27 anos, comemorou a notícia da liberação da vacina contra a gripe pandêmica para a rede privada. Mãe de dois filhos, a professora não tem problemas de saúde e não tem direito, portanto, a ser imunizada dentro da campanha nacional, que começou na última segunda-feira.
“Acho que a vacina já deveria estar disponível nas clínicas particulares há muito tempo. Parece que o governo limitou a vacina só para a rede pública… Se existem pessoas que podem pagar, porque não disponibilizar e amenizar esse surto da doença?”, argumentou.
Assim como Ana Lúcia, a estudante Regina Barbosa Alves, de 20 anos, também festejou o fato de poder se vacinar. “Todo dia a gente ouve falar na gripe. Isso preocupa muito, porque os jovens não podem se vacinar. Mas, agora, com a vacina nas clínicas, é só pagar e pronto. Quanto mais pessoas estiverem vacinadas, menos riscos existirão da doença se espalhar”, observou a estudante.
Dentistas – A procura pela vacina contra o vírus H1N1 tem sido grande, porém, tranquila em todos os postos de saúde da capital. Após a polêmica, os dentistas, por serem profissionais de saúde que lidam diretamente com o risco de infecção, têm direito à vacina, conforme esclareceu o secretário municipal de saúde, Sérgio Pimentel.
Portadores de HIV podem ter restrição dependendo da gravidade
Para tirar dúvidas de profissionais de saúde, sobretudo aqueles que trabalham diretamente com a pandemia de gripe A, foi realizada ontem, em 14 hospitais universitários do País de forma simultânea, uma videoconferência que esclareceu as atividades do cronograma da vacinação nacional.
O evento também levantou, por especialistas paraenses, uma questão um tanto quanto complexa: os portadores de AIDS que estiverem com o grau de imunidade abaixo da média esperada correm o risco de não serem vacinados, como ocorreu com a chegada da vacina contra a febre amarela, que só foi liberada para os pacientes que estivessem com a quantidade mínima de linfócitos, células responsáveis por organizar a resposta imune do organismo.
A videoconferência foi promovida pelo Ministério da Saúde e em Belém teve a coordenação da Rede Universitária de Telesaúde do Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB), que sediou o encontro.
No Pará, segundo a infectologista e vice-diretora do Hospital Barros Barreto, Helena Brígido, existem pelo menos 5 mil portadores de HIV, o que a levou a perguntar, durante a videoconferência, se os doentes poderiam ser imunizados contra o H1N1 dentro do calendário que atenderá aos pacientes crônicos, entre os dias 22 de março a 2 de abril.
Três pessoas do Ministério da Saúde e sediadas em Brasília eram responsáveis por responder os questionamentos dos participantes da videoconferência. Helena Brígido perguntou sobre os doentes de AIDS por ter associado o processo de imunização atual com a vacinação nacional contra a febre amarela. “Quando ocorreu a vacinação contra a febre amarela, os portadores de HIV precisavam ter pelo menos 200 células de CD-4 (nomenclatura que identifica o grau de imunidade). Por isso, surgiu a dúvida em relação aos pacientes de HIV“, justificou.
AMAZÔNIA – PA | CIDADES
AIDS | DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSIVEIS
10/03/2010
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