Filmes retratam vida de homossexuais

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Em meio às romarias, religiosidade e a forte figura do Padre Cícero, TRAVESTIS contam sobre suas vidas em vídeos

Juazeiro do Norte. Assuntos que podem ser polêmicos, onde paira a religiosidade popular, chegam na forma educativa e de sensibilização quanto à situação de vida dos homossexuais. Os filmes-documentários “Quero viver igual a um beija-flor” e “Também sou teu povo” são curtas produzidos neste Município, levando para o espectador uma realidade que poucas pessoas conhecem da vida dos TRAVESTIS, na terra do Padre Cícero. Estas produções obtiveram reconhecimento e chamam a atenção para as temáticas, num espaço onde as personagens ficam no mundo do obscurantismo e exercem a sua profissão no silêncio das madrugadas.

Os fatos que ligam questões relacionadas ao preconceito e a violência estão em cena no filme “Quero viver igual a um beija-flor”, produzido ano passado e distribuído para várias instituições do Município. São depoimentos da vida dos TRAVESTIS que atuam, principalmente, no Centro da cidade. Relatam o seu dia a dia, escolha de vida, sonhos, a relação com a fé. O mundo da beleza, do glamour e a falta de perspectiva numa região onde as opções de trabalho para os TRAVESTIS ainda são muito restritas. Em depoimentos que se traduzem como uma denúncia da realidade de vida dentro do preconceito, destacam que a escolha pela prostituição é justamente pela falta de alternativas de trabalho, como traduz a TRAVESTI “Pâmela”.

As filmagens foram feitas nas ruas da cidade, espaço de trabalho dos TRAVESTIS. Segundo a diretora do filme “Quero viver igual a um beija-flor”, Nívea Uchoa, a ideia era levar às pessoas a realidade de vida dos TRAVESTIS, incluindo também o depoimento de uma flanelinha do Centro de Juazeiro. As entrevistas feitas a todas as personagens da vida real, mostram os diversos aspectos da história dessas pessoas. Mesmo com as agruras do preconceito e as difíceis condições de vida, essas pessoas sobrevivem com dificuldade, com o cerceamento do mercado de trabalho.

A liberdade é o limite para a açougueira “Priscila”. Dela partiu o título do filme. Conquistou o seu espaço de trabalho dentro do mercado público da cidade e lá se diz respeitada e reconhecida por todos. “Quero mesmo é viver como um beija-flor. Só cheirando flor”, diz. Essa liberdade que se propõe no imaginário de uma TRAVESTI sintetiza o pensamento de todas elas. Um mundo permeado pela conquista do “sonho da liberdade”.

Falta oportunidade

Profissão: garotas de programa. Realidade: falta de oportunidade. O filme chama a atenção, no início, para essa questão. “Estamos levando esse trabalho para vários espaços, inclusive para as escolas, com a finalidade de mostrar as pessoas a vida dos TRAVESTIS e minimizar um pouco essa questão do preconceito”, diz João Alves da Silva, diretor-executivo do Grupo de Apoio a Livre Orientação Sexual do Cariri (Galosc), instituição responsável pela produção do material. Mais de 300 DVDs foram distribuídos gratuitamente, com apoio do Ministério da Cultura.

“Quero viver como um beija-flor” foi produzido em parceria com os jovens integrantes da ONG Verde Vida da Ponta da Serra, em Crato, através de edital público da Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura. Segundo João Alves, as ações visam o combate à homofobia e a ampliação da visibilidade do segmento LGBT, com vistas à valorização da sua existência.

Já o filme “Também sou teu povo” circulou, segundo o diretor Franklin Lacerda, pelos mais importantes festivais de curtas-metragem do País, como o Cine Ceará, Festival Internacional de Curtas-metragem de São Paulo, entre outros nacionais, além de ter ganho o prêmio de exibição no Canal Brasil.

O filme parte da visão dos TRAVESTIS de Juazeiro e da sua relação com a cidade, no cenário das romarias, a relação com o visitante romeiro, o personagem Padre Cícero, a religiosidade e a igreja. O trabalho, com direção também de Orlando Pereira, faz parte do acervo do Centro de Pesquisas de Cinema Documentário da Unicamp. Ganhou prêmios de melhor Montagem e Desenho Sonoro no “For Rainbow”, em Fortaleza. Mais recentemente foi selecionado pelo Museu do Homem do Nordeste da Fundação Joaquim Nabuco, como um dos 12 filmes que apontam para representação visual dos nordestinos.

Debate

“É recompensador saber que anos depois o curta ainda provoca o espectador”

Franklin Lacerda

Diretor do vídeo “Também sou teu povo”

“Essa é uma oportunidade de levar à tona o debate acerca da diversidade sexual”

João Alves

Diretor do Galosc

MAIS INFORMAÇÕES

GALOSC – Juazeiro do Norte (CE)

(88) 3571.1705

Coletivo Malungo – docariri@gmail.com

(88) 9619.1898

 

 

DIÁRIO DO NORDESTE – CE | REGIONAL


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Claudio Souza DJ, Bloqueiro e Escritor
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