O estudo também demonstrou que as taxas de incidência de cancro do pulmão eram similares entre mulheres seropositivas para o VIH e seronegativas. Todavia, a incidência de cancro do pulmão, na população do estudo, foi três vezes maiores que a observada na população feminina em geral, nos EUA. Contudo, isto poderá ser explicado pelos hábitos tabágicos, segundo os investigadores.
“Encontrámos um aumento substancial do risco de cancro de pulmão tanto nas mulheres infectadas pelo VIH como naquelas em risco de o serem, quando comparado com a expectativa na população em geral. Uma possível explicação pode ser a alta taxa de consumo de cigarros”, explicam os investigadores.
As taxas de cancros relacionados com o VIH diminuíram dramaticamente desde a disponibilização da terapêutica anti-retroviral eficaz. Todavia, esta tendência tem sido acompanha pelo aumento da incidência de alguns cancros não relacionados com a SIDA, incluindo o do pulmão.
Este tipo de cancro é raro entre pessoas infectadas com VIH. O consumo de tabaco foi identificado com um forte factor de risco, mas algumas investigações sugerem que a duração da infecção pelo VIH também pode influenciar. Porém, o papel exacto dos factores relacionados com o VIH não é claro.
Devido a estas incertezas, os investigadores do Women’s Interagency HIV Study (WIHS) analisaram as taxas de cancro de pulmão na sua coorte nos períodos anteriores e posteriores à disponibilização da terapêutica de combinação anti-retroviral eficaz.
Compararam a incidência do cancro de pulmão entre mulheres infectadas pelo VIH e as participantes seronegativas do estudo. Os factores de risco para o desenvolvimento deste cancro foram também analisados e comparados entre mulheres seropositivas para o VIH e seronegativas.
Um total de 3549 mulheres, das quais 898 eram seronegativas para o VIH, foi seguido durante um período de doze anos entre 1994 e 2006. Os anos de 1994-1997 foram definidos como sendo o período antes da disponibilização da terapêutica de combinação anti-retroviral eficaz.
As mulheres geraram um total de 25000 pessoas ano/seguimento para análise, com uma media de 5,8 anos por indivíduo.
Houve 14 casos de cancro do pulmão, sendo doze destes em mulheres infectadas pelo VIH. A incidência geral de cancro de pulmão foi de 56 por 100 000 pessoas/ano. Esta foi similar tanto para as mulheres seropositivas para o VIH, como para as seronegativas.
Esta taxa de incidência foi três vezes maior que a observada na população de mulheres em geral, da mesma idade e etnia. Este risco excessivo foi também similar nas mulheres seropositivas para o VIH e seronegativas no coorte WIHS, e para as épocas antes e depois da disponibilização da terapêutica anti-retroviral eficaz.
Análises posteriores demonstraram que tanto as mulheres seropositivas para o VIH, como as seronegativas no estudo WIHS tinham mais probabilidade de ter um historial de consumo de tabaco que as mulheres da população em geral (68% vs 37%, p < 0,001). Para alem disso, quando comparadas com as fumadoras na população em geral, as mulheres do estudo WIHS fumavam aproximadamente mais 50% de maços de cigarros por ano.
Em seguida dos investigadores analisaram os factores de risco para o cancro de pulmão das mulheres da coorte.
Somente o historial tabágico e a intensidade do consumo de tabaco foram significativos. Não foram observados cancros de pulmão em não fumadores, e foi encontrada uma relação com a dose, com o risco de cancro de pulmão a aumentar com o número de maços de tabaco fumados por ano.
Todavia, entre as mulheres seronegativas para o VIH, o cancro de pulmão só ocorreu em mulheres que fumavam pelo menos 20 maços por ano, contudo em mulheres seropositivas para o VIH, a maioria dos cancros (sete) foram observados naquelas que fumavam entre dez e vinte maços por ano (incidência, 246 por 100 000 pessoas/ano). Os investigadores pensam que o “VIH pode ter acelerado o desenvolvimento do cancro de pulmão.”
As mulheres que desenvolveram cancro fumavam uma media de 19 maços de cigarros por ano, o que era significativamente maior que a media de nove maços por ano consumido pelas fumadoras que não desenvolveram cancro (p=0,002).
Por fim, os investigadores analisaram as características das mulheres infectadas pelo VIH que desenvolveram cancro do pulmão.
A média de idades foi de 53 anos, e todos eram de etnia negra não-hispânica. A média anual de consumo de cigarros era de 15 maços.
No momento do diagnóstico de cancro, só duas das mulheres estavam a tomar terapêutica anti-retroviral. A média de contagem de células CD4 foi de 376/mm3 e a média de carga viral foi de 3400 cópias/mL. Dois terços das mulheres tinham historial de doenças definidoras de SIDA.
A média de sobrevivência depois do diagnóstico de cancro de pulmão foi de 14 meses, e uma das mulheres estava ainda viva aos 28 meses.
“Quando comparado com o controlo baseado na população em geral, qualquer dos aumentos da incidência de cancro de pulmão em mulheres infectadas pelo VIH podia ser explicado pelas diferenças no historial de exposição ao tabaco”, comentaram os investigadores.
Concluíram então que “o desenvolvimento de cancro de pulmão entre mulheres infectadas pelo VIH aparece fortemente relacionado com a exposição ao tabaco. Assim sendo, o desenvolvimento e implementação de programas de cessação tabágica que têm como alvo as pessoas infectadas pelo VIH serão cada vez mais importantes. O papel preciso da infecção do VIH, per se, no desenvolvimento ou progressão do cancro de pulmão aguarda futuros esclarecimentos.”
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