GLOBAL: Atendimento local de boa qualidade é crucial para o combate ao HIV, afirma estudo
NAIRÓBI, 17 Junho 2009 (PlusNews) – Fornecer serviços de prevenção e tratamento de HIV em clínicas locais bem equipadas pode ser a chave para o sucesso no combate à pandemia do HIV/SIDA nos países em desenvolvimento. Esta é a conclusão de um relatório da ONG internacional Action Aid, que lida com o combate à pobreza.
“Precisamos mobilizar as pessoas no nível mais básico dos cuidados de saúde”, disse Miriam Were, presidente do Conselho Nacional de Contrôle da SIDA do Quénia, no lançamento do relatório “Preocupação de Base: Por que os cuidados primários de saúde são a chave para lidar com o HIV/SIDA” (Primary Concern: why primary healthcare is key to tackling HIV and AIDS, em inglês), em Nairobi, no Quénia.
“O tratamento para o HIV vai além dos antiretrovirais. Pessoas vivendo com o HIV precisam de cuidados abrangentes e os centros de saúde deveriam ter capacidade para tratar as infecções oportunistas.”
Lidar com doenças fáceis de tratar como tuberculose, diarréia e malária em clínicas locais deixaria as instituições terciárias livres para tratar infecções mais sérias.
O relatório da ActionAid cita o exemplo de Cuba, país que investiu muito em cuidados primários de saúde e que, apesar de ser relativamente pobre, tem indicadores de saúde que rivalizam com os dos Estados Unidos e outros países desenvolvidos.
Formação
O lançamento do relatório foi usado para pedir a formação de mais trabalhadores da rede primária de saúde: “O que estamos a fazer é formar durante algumas semanas leigos, que depois são chamados de especialistas em aconselhamento. Mas não damos formação a enfermeiros do setor primário de saúde”, disse Leonard Okello, diretor da equipa global de HIV da ActionAid. “Deveríamos estar a fornecer a profissionais as qualificações necessárias para integrar a gestão do HIV em seu trabalho.”
Ele visitou recentemente uma clínica no oeste do Quénia, onde uma ONG tinha instalado um distribuidor de preservativos, mas as enfermeiras nunca tinham recebido treinamento para instruir as pessoas sobre o uso correcto do preservativo.
“A máquina estava lá parada, porque o projeto da ONG tinha treinado sua própria equipa e estava usando as instalações do governo, mas não a equipa; é preciso uma melhor integração se quisermos ter algum impacto”, disse Okello.
Os activistas pressionaram os governos, principalmente em África, para ampliar o acesso a cuidados primários de saúde através da construção de mais centros de saúde e da melhora dos centros já existentes.
Cuidado perto de casa
Linda Mafu, coordenadora regional em África da Campanha Mundial contra a SIDA, coalizão mundial de grupos nacionais, regionais e internacionais da sociedade civil, disse: “Os centros de saúde precisam ser expandidos e receber melhor equipamento para que sejam capacitados a lidar não somente com o HIV, mas com outras doenças que afetam a população. Desta maneira, as pessoas não têm que percorrer a pé distâncias tão longas e esperar durante horas na fila.”
Okello descreveu a iniciativa de Uganda para reduzir o custo do transporte. “As pessoas seropositivas vão aos centros de saúde cada três meses, a não ser que haja uma urgência, e escolhem uma pessoa para trazer os medicamentos ao vilarejo uma vez por mês”, disse ele. “Este tipo de inovação só pode vir da comunidade, pois são eles que conhecem melhor sua situação.”
O relatório prevê um sistema de saúde pública eficiente que fornece serviços para HIV a longo prazo, mas diz que ainda haveria necessidade do envolvimento do setor privado e das ONGs no fornecimento de serviços no futuro próximo.
“Muitas pessoas, inclusive as mais vulneráveis, tais como as trabalhadoras do sexo, geralmente escolhem sair do sistema de saúde pública”, diz o relatório. “Retardar programas de HIV até que sistemas de saúde mais eficientes sejam funcionais levará a um aumento do número de mortes relacionadas à SIDA.”
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Tema(s): (IRIN) Cuidados/Tratamento
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