Grande sucesso na prevenção dirigida a trabalhadoras do sexo e homens que têm sexo com homens na Índia

0
332
Grande sucesso na prevenção dirigida a trabalhadoras do sexo e homens que têm sexo com homens na Índia

Table of Contents

 

Roger Pebody, Tuesday, August 19, 2008
De acordo com os resultados de uma avaliação apresentada por Álvaro Bernejo da International HIV/AIDS Alliance, na Conferência Internacional SIDA na Cidade do México, um programa de prevenção do VIH, dirigido a homens que têm sexo com homens e a trabalhadoras do sexo na Índia, tem tido um enorme impacto no aumento do uso reportado de preservativo e na diminuição da incidência de ISTs.

O programa fez parte da International HIV/AIDS Alliance’s Frontiers Prevention Project, que concentra esforços nos países de menor prevalência nos quais a epidemia ainda não está generalizada, mas está concentrada em grupos, tais como, trabalhadoras do sexo e homens que têm sexo com homens. A Frontiers aponta para o apoio a organizações parceiras locais, no desenvolvimento de programas de prevenção para o VIH que possam fornecer um pacote completo de intervenções, incluindo o aumento da oferta de serviços assim como o reforço do poder da comunidade. As intervenções focam-se nos grupos populacionais que são mais vulneráveis ao VIH e a quem são oferecidos serviços de modo intensivo para garantir uma “cobertura de saturação”, com o objectivo de que a vasta maioria dos grupos-alvo da população possa aceder aos serviços oferecidos.

Andhra Pradesh, o estado mais populado do Sul da Índia e um dos 6 estados Indianos com a maior prevalência de VIH, ofereceu o programa que consistia em:

  • Promoção focada na saúde individual;

  • Expansão em larga escala dos serviços mais requisitados – 60 novas clínicas de saúde sexual, distribuição de preservativos, tratamento para pessoas com VIH;

  • Mobilização de comunidades – envolvimento no planeamento do programa, envolvimento nos serviços de entrega, chegar aos trabalhadores das comunidades e promover o seu acesso aos serviços;

  • Intervenções estruturais e ambientais para criar um ambiente capacitante – por exemplo, a criação de drop-in centers;

  • Aumento do poder e capacidades das ONGs locais.

Também foi considerado um “programa modelo” uma vez que uma parte significativa dos recursos foram devotados à avaliação externa. Foram recolhidos os dados quantitativos de 2.182 trabalhadoras do sexo (TdS) e 2.929 homens que têm sexo com homens (MSM) na mesma linha de referência, no fim de 2003 e princípio de 2004. Seguindo a implementação, os seguintes dados foram recolhidos em 2007, de 2.374 TdS e 2.014 MSM em 24 locais.

No entanto, o plano inicial era conduzir uma avaliação em ambas as áreas apontadas pela intervenção, e numa série de áreas de “controlo” que não receberam a intervenção.

Contudo, a vida real provou ser menos fácil de controlar, porque uma outra agência, a AVAHAN, começou a implementar um leque similante de actividades nas áreas de controlo. Por isso, os resultados apenas comparam os dados recolhidos inicialmente e os resultados quatro anos depois.
A avaliação teve em conta os resultados de um uso auto-reportado de preservativos e para episódios de infecções pelo vírus Herpes HSV-2 e Sífilis ( os testes eram realizados nas entrevistas). Os directores do programa acreditavam que o aumento do uso de preservativos e a diminuição das ISTs levaria à descida da incidência do VIH.

Houve um aumento massivo no uso de preservativos com o seu último parceiro masculino por parte dos MSM – de 58% na linha de referência para 91%. O uso de preservativos com o último cliente, por parte das TdS, aumentou de 70% para 98%.

Muitos dos MSM eram casados, e o uso de preservativo com a última parceira sexual aumentou de 15% para 41%. Este foi um aumento a pique embora a maioria dos MSM continuasse a não usar preservativos com as suas parceiras do sexo feminino.

Igualmente, o uso de preservativos com parceiros regulares por parte das Trabalhadoras do Sexo era limitado (ao contrário dos seus clientes). Aumentou de 6% para 22%.

Embora o uso do preservativo auto-reportado seja sujeito a problemas de confiança, Álvaro Bernejo referiu que havia uma correlação entre o uso reportado do preservativo e o número de ISTs.

Houve também uma redução drástica das ISTs. As taxas de sífilis em MSM desceram de 26% para 9%, e para as TdSs, a queda foi de 23% para 10%.

As taxas de infecção por HSV-2 desceram de 37% para 13% nos MSM e de 50% para 23% nas TdSs.

Bernejo atribuiu o sucesso do programa ao alcance da saturação, e sugeriu que existe um “ponto de viragem” a partir do qual as intervenções comportamentais começaram a ter um impacto sério. Além disso, Bernejo referiu que a implementação do programa foi sujeita a um nível exigente de gestão e contabilidade, o que pode ser necessário para um desenvolvimento de programas de prevenção.

Referência

Bernejo A et al. Condoms and STIs: the impact of a four year focused prevention programming at scale amongst MSM and FSWs in Andhra Pradesh (AP) India – results of an evaluation study. XVII International AIDS Conference, Mexico City, August 6 2008, abstract WEAC0202.

Tradução

GAT – Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA

 


Descubra mais sobre Blog Soropositivio Arquivo HIV

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.