| Roger Pebody, Tuesday, August 19, 2008 |
O programa fez parte da International HIV/AIDS Alliance’s Frontiers Prevention Project, que concentra esforços nos países de menor prevalência nos quais a epidemia ainda não está generalizada, mas está concentrada em grupos, tais como, trabalhadoras do sexo e homens que têm sexo com homens. A Frontiers aponta para o apoio a organizações parceiras locais, no desenvolvimento de programas de prevenção para o VIH que possam fornecer um pacote completo de intervenções, incluindo o aumento da oferta de serviços assim como o reforço do poder da comunidade. As intervenções focam-se nos grupos populacionais que são mais vulneráveis ao VIH e a quem são oferecidos serviços de modo intensivo para garantir uma “cobertura de saturação”, com o objectivo de que a vasta maioria dos grupos-alvo da população possa aceder aos serviços oferecidos.
Andhra Pradesh, o estado mais populado do Sul da Índia e um dos 6 estados Indianos com a maior prevalência de VIH, ofereceu o programa que consistia em:
- Promoção focada na saúde individual;
- Expansão em larga escala dos serviços mais requisitados – 60 novas clínicas de saúde sexual, distribuição de preservativos, tratamento para pessoas com VIH;
- Mobilização de comunidades – envolvimento no planeamento do programa, envolvimento nos serviços de entrega, chegar aos trabalhadores das comunidades e promover o seu acesso aos serviços;
- Intervenções estruturais e ambientais para criar um ambiente capacitante – por exemplo, a criação de drop-in centers;
- Aumento do poder e capacidades das ONGs locais.
Também foi considerado um “programa modelo” uma vez que uma parte significativa dos recursos foram devotados à avaliação externa. Foram recolhidos os dados quantitativos de 2.182 trabalhadoras do sexo (TdS) e 2.929 homens que têm sexo com homens (MSM) na mesma linha de referência, no fim de 2003 e princípio de 2004. Seguindo a implementação, os seguintes dados foram recolhidos em 2007, de 2.374 TdS e 2.014 MSM em 24 locais.
No entanto, o plano inicial era conduzir uma avaliação em ambas as áreas apontadas pela intervenção, e numa série de áreas de “controlo” que não receberam a intervenção.
Contudo, a vida real provou ser menos fácil de controlar, porque uma outra agência, a AVAHAN, começou a implementar um leque similante de actividades nas áreas de controlo. Por isso, os resultados apenas comparam os dados recolhidos inicialmente e os resultados quatro anos depois.
A avaliação teve em conta os resultados de um uso auto-reportado de preservativos e para episódios de infecções pelo vírus Herpes HSV-2 e Sífilis ( os testes eram realizados nas entrevistas). Os directores do programa acreditavam que o aumento do uso de preservativos e a diminuição das ISTs levaria à descida da incidência do VIH.
Houve um aumento massivo no uso de preservativos com o seu último parceiro masculino por parte dos MSM – de 58% na linha de referência para 91%. O uso de preservativos com o último cliente, por parte das TdS, aumentou de 70% para 98%.
Muitos dos MSM eram casados, e o uso de preservativo com a última parceira sexual aumentou de 15% para 41%. Este foi um aumento a pique embora a maioria dos MSM continuasse a não usar preservativos com as suas parceiras do sexo feminino.
Igualmente, o uso de preservativos com parceiros regulares por parte das Trabalhadoras do Sexo era limitado (ao contrário dos seus clientes). Aumentou de 6% para 22%.
Embora o uso do preservativo auto-reportado seja sujeito a problemas de confiança, Álvaro Bernejo referiu que havia uma correlação entre o uso reportado do preservativo e o número de ISTs.
Houve também uma redução drástica das ISTs. As taxas de sífilis em MSM desceram de 26% para 9%, e para as TdSs, a queda foi de 23% para 10%.
As taxas de infecção por HSV-2 desceram de 37% para 13% nos MSM e de 50% para 23% nas TdSs.
Bernejo atribuiu o sucesso do programa ao alcance da saturação, e sugeriu que existe um “ponto de viragem” a partir do qual as intervenções comportamentais começaram a ter um impacto sério. Além disso, Bernejo referiu que a implementação do programa foi sujeita a um nível exigente de gestão e contabilidade, o que pode ser necessário para um desenvolvimento de programas de prevenção.
Referência
Bernejo A et al. Condoms and STIs: the impact of a four year focused prevention programming at scale amongst MSM and FSWs in Andhra Pradesh (AP) India – results of an evaluation study. XVII International AIDS Conference, Mexico City, August 6 2008, abstract WEAC0202.
Tradução
GAT – Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA
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