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Gravidez acontece a partir dos 10 anos

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DIÁRIO DA MANHÃ ONLINE – GO | CIDADES

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15/09/2010

Gestação precoce atinge 20% de jovens goianas. Em 12 meses, 854 meninas com até 14 anos tornaram-se mães

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Rafaela Carvello

A gravidez precoce é um problema de saúde pública e acomete 20,63% das jovens com idade entre 10 e 19 anos em Goiás. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde (SES), foram realizados 17.961 partos de meninas nessa faixa etária no ano passado. A precocidade em ter filhos acomete também meninas com idade entre 10 e 14 anos que, mesmo sendo consideradas gravidez de risco, somam um total de 854 partos em 2009, quase 1% do total de grávidas do Estado.

Mesmo a adolescência sendo considerada por especialistas a idade da descoberta do sexo, quando este é praticado sem os cuidados adequados, o resultado pode gerar consequências irreversíveis. Entre elas está o surgimento de doenças sexualmente transmissíveis (DST), AIDS e gravidez indesejada. No caso da maternidade, dois períodos marcam a vida da adolescente. O primeiro é o gestacional e o segundo, o pós-nascimento.

No período gestacional, o corpo feminino, em especial nas adolescentes de 10 a 14 anos, ainda não está plenamente preparado para a maternidade. Os hormônios ainda estão em processo de formação de seios, ovários e menstruação. Durante a gravidez, todo o organismo altera seu sistema para a manutenção e desenvolvimento embrionário do bebê.

Já no período denominado pós-nascimento, a vida da adolescente muda por completo. Segundo o psicólogo Leonardo Ferreira Faria, especialista em neuropsicologia, ao ter um bebê precocemente, a jovem passa a lidar com um ser estranho e que exige dela uma responsabilidade maior do que sua maturidade. “Quanto mais jovem, mais o adolescente está ligado ao mundo abstrato do que ao concreto e não tem preparo para impor limites e regras a esse filho”, explica o especialista.

Para Leonardo, a criança ao nascer é como uma folha em branco na qual os pais e o relacionamento familiar determinam as regras, a diferenciação entre o certo e o errado e a formação da identidade sexual. “A adolescente não tem noção exata das implicações que um filho pode causar e acaba deixando de viver a própria vida”, revela o psicólogo. A “queima de etapas” é um dos principais impactos na vida da jovem que tem de transitar da infância ou pré-adolescência para a idade adulta. Durante a queima de etapas, os sonhos são desfeitos e a infância interrompida. De acordo com a psicóloga Márcia Freire, é comum que para não pular essa etapa da vida os bebês sejam cuidados pelos avós. “A vida da adolescente fica partida, em grande parte dos casos o pai não assume um relacionamento concreto. Vendo-se sozinha, ela recorre aos avós”, relata. Nesse caso, segundo a especialista, se os responsáveis pela criança conseguirem definir seus papéis é possível impor regras e limites na formação desse indivíduo.

Fatores

Entre os 13 e 14 anos de idade, o adolescente se encontra na chamada zona crítica de desenvolvimento. Nesse período são formados os caracteres sexuais responsáveis pela explosão de hormônios e pelo despertar ao sexo. “O problema é que vivemos em uma sociedade ‘sexalista’, onde o ato sexual está na música, na TV e filmes”, afirma Leonardo. Para o especialista, a comunidade sexualizada “bombardeia” o adolescente com a temática de que sexo é bom e, se a pessoa está sozinha, não é “ninguém”.

“O que deve ser questionado é como a aprendizagem social e as informações sobre o tema estão chegando aos adolescentes”, questiona o psicólogo. Uma pesquisa realizada por estudantes de enfermagem da Universidade de Aracaju revelou que dos 816 adolescentes da rede pública entrevistados mais de 60% não tinham oportunidade de falar sobre o assunto em família.

Segundo a pesquisa, devido à falta de oportunidades em casa, o adolescente busca em revistas, livros, jornais, grupos de amigos e televisão, entre outras fontes de informação, procurando conhecer melhor sobre sexualidade e contracepção, e tentando esclarecer dúvidas existentes sobre o tema. Um exemplo disso é que o estudo constatou, no aspectos pedagógicos, que 57,7% dos adolescentes não recebem informações sobre métodos ANTICONCEPCIONAIS na escola.

Estudante de Aruanã descobriu que estava grávida aos 11 anos

Ivair Lima

Da editoria de Cidades

K. P. S. terá o primeiro filho, nos próximos dias, com 12 anos de idade. A menina engravidou com 11 anos e três meses. Para surpresa da mãe da menina, Cleine Pereira, 28, dona de casa, a gestação foi tranquila. “Quando soube que ela estava grávida, fiquei muito preocupada. Ela é magrinha demais. Graças a Deus, está bem.”

K. diz que se transformou em celebridade em Aruanã, cidade distante 310 quilômetros de Goiânia. “Quando eu ia ao posto de saúde, todas minhas amigas iam juntas. A cidade inteira queria saber quem era a grávida de 12 anos. Até hoje, ainda falam muito sobre mim.”

K. cursa a 6ª série do ensino fundamental. Este ano abandonou o colégio. Bem falante e muito articulada, diz que a gravidez não foi indesejada. “Eu sabia como prevenir, mas queria ter um filho. Quando contei para minha mãe, ela não acreditou. Aí fizemos o teste. “O namorado de K. tem 16 anos. A mãe da garota conta que o Conselho Tutelar de Aruanã se interessou pelo caso, mas as duas famílias procuraram o conselho e explicaram que cuidariam do adolescente e da menina. “Os quatro pais assumiram que ela seria bem cuidada. Não foi aberto nenhum procedimento.”

A gravidez acarretou o amadurecimento precoce da menina. “Eu era uma menininha, pesava 38 quilos. O médico disse que o bebê e eu crescemos juntos.” A menina sentiu dores na noite de ontem e foi levada ao Materno Infantil. Examinada, os médicos disseram que está tudo bem, mas ela deve aguardar em Goiânia para ter o bebê, que, no oitavo mês de gestação, está para nascer a qualquer hora.

A menina se transformou em mulher em todos os sentidos. Já mora com o namorado, dividindo a casa com outra irmã, também casada precocemente, com 14 anos. Saudável e bem disposta, K. diz que faz de tudo. “Cozinho, arrumo a casa. E brinco também”, confessa.

Saiba mais

Por lei, a gravidez em menores de 14 anos é considerada crime e intitulado como presunção de violência. É considerado ato infracional, porém só pode ser enquadrado como abuso caso a família da adolescente denuncie

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