Gripe Suína: Tamiflu agora pode

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Tamiflu agora pode           

 

Governo agora admite que faltaria Tamiflu

O Ministério da Saúde admitiu ontem que o Tamiflu – usado no tratamento da gripe suína – só não chegou às farmácias porque não havia estoque para suprir a demanda. O governo havia restringido o uso do antiviral alegando que a automedicação era perigosa, que somente pacientes em estado grave deveriam ter acesso ao medicamento e até que o vírus H1N1 poderia se tornar resistente. Página 14

Ministério admite que remédio não chegou às farmácias por falta de estoque

 

Célia Costa e Evandro Éboli BRASÍLIA E RIO

 

Depois de restringir o uso do antiviral Tamiflu, usado no tratamento da gripe suína, alegando que a automedicação era perigosa, que somente pacientes em estado grave deveriam ter acesso ao medicamento e até que o vírus H1N1 poderia se tornar resistente, o Ministério da Saúde admitiu ontem: o remédio só não chegou às farmácias porque não havia estoque para suprir a demanda. O diretor de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde, Eduardo Hage, disse que o laboratório Roche, produtor do Tamiflu, deve distribuir o remédio e que, em 2010, qualquer um poderá adquiri-lo no balcão das farmácias.

 

  • O próprio laboratório priorizou a demanda do ministério, o que foi correto.

 

Na medida em que foi aumentando a sua capacidade, ele informou que vai ter disponibilidade para atender à nossa nova demanda, bem como para comercializar o medicamento – disse Hage em audiência pública na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados.

 

A Roche, no entanto, informou que não há qualquer previsão de quando voltará a distribuir o Tamiflu para as farmácias.

 

As restrições ao uso do medicamento sempre receberam duras críticas de especialistas. Para eles, se o Tamiflu tivesse sido tomado de maneira menos restrita, o número de mortes por gripe suína no Brasil poderia ter sido menor. Segundo um boletim divulgado quarta-feira, no país morreram até agora 657 pessoas por causa da doença. O total de registros mantém o Brasil em primeiro lugar no mundo em número de óbitos causados pelo H1N1 – seguido de Estados Unidos (556) e Argentina (465).

 

A informação dada ontem por Hage contraria todas as explicações apresentadas pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão, desde o início da pandemia, para restringir a utilização do Tamiflu. Há um mês, mesmo depois de ampliar o uso do antiviral, Temporão determinou que apenas os serviços públicos fizessem a distribuição do medicamento. O ministro disse que isso evitaria uma “corrida às farmácias”.

 

Para especialistas, no entanto, o antiviral deveria ser administrado em pacientes com sintomas da doença nas primeiras 48 horas, período que o Tamiflu é mais eficaz no combate ao H1N1.

 

Especialista: mortes seriam evitadas

 

Para o infectologista Edmilson Migowski, a prova de que o uso mais amplo do medicamento diminuiria o número de mortes é que, depois que qualquer médico – da rede pública ou não – foi liberado a prescrever o medicamento, ocorreu uma redução do total de casos graves da doença.

 

De acordo com o boletim divulgado na quarta-feira, por três semanas consecutivas houve uma queda significativa dos registros. Entre 9 e 15 de agosto, foram 1.165 casos; dos dias 16 a 22 do mesmo mês, foram 639; finalmente, de 23 a 29 de agosto, foram 151 casos.

 

No fim de abril, mesmo antes da confirmação de qualquer caso da gripe suína no Brasil, aumentou a demanda pelo medicamento e os estoques encolheram. Depois disso, o remédio não voltou mais aos balcões das drogarias. Segundo a Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias, o governo federal comprou todo o estoque de Tamiflu das grandes redes. O Ministério da Saúde passou a ser o único com acesso ao fabricante.

 

Segundo nota do ministério divulgada ontem, não há proibição à venda do remédio nas farmácias. “O fato é que o único laboratório fabricante do medicamento, o Roche, deu prioridade aos pedidos de compra feitos pelo Ministério da Saúde (…). Essa medida é necessária para que o governo federal cumpra a sua missão de oferecer o medicamento gratuitamente à população em caso de necessidade”, diz o texto. Ainda na nota, o ministério garante que não há falta do medicamento e que encomendou ao laboratório nove milhões de tratamentos, com entrega prevista até maio de 2010.

 

As orientações do ministério

 

No fim de abril, quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) aumentou o alerta sobre a pandemia no Brasil, ainda não havia confirmação de nenhum caso de gripe suína. Mesmo assim, houve uma corrida às farmácias, e os estoques de Tamiflu e de máscaras de proteção se esgotaram. Na época, o Ministério da Saúde alertava sobre os riscos da automedicação.

 

Segundo o ministério, isso poderia mascarar ou atenuar sintomas, além de provocar resistência ao medicamento específico para a influenza.

 

No dia 3 de julho, depois que o vírus já tinha se disseminado e a demanda por exames aumentou, o ministério determinou que os testes para confirmação laboratorial de novos casos de gripe suína fossem feitos apenas em pacientes com sintomas graves da doença, ou por amostragem em situações de surto, em locais como escolas ou empresas.

 

Em 16 de julho, o ministério garantiu que tinha estoque suficiente de medicamento para o tratamento de todos casos indicados.

 

Além de comprimidos para uso imediato, haveria matéria-prima para a produção de mais nove milhões de tratamentos.

 

Oito dias depois, foi divulgada uma nota na qual o diretor de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde, Eduardo Hage, reiterava que o uso indiscriminado do antiviral para todos os casos de gripe poderia tornar o novo vírus resistente ao medicamento.

 

Em 26 de julho, o uso do antiviral ficou restrito aos que tivessem agravamento do quadro ou que fizessem parte dos grupos de risco (crianças com menos de 2 anos, pacientes idosos e aqueles que passam por tratamento contra câncer e AIDS).

 

Em 3 de agosto, a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) começou a elaborar um protocolo para recomendar que, antes de o quadro se agravar, o paciente deve receber o remédio. A orientação do braço da OMS nas Américas é diferente da adotada atualmente no Brasil, por recomendação do Ministério da Saúde. No Brasil, a ordem é que o medicamento seja dado somente a pacientes em estado grave ou que integrem o grupo de risco. Na época, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, disse ser contra a distribuição indiscriminada a hospitais particulares e farmácias do Tamiflu. Ele explicou que a medida poderia estimular a automedicação, além de provocar uma resistência do vírus ao medicamento

 

Ação vai pedir indenização para famílias vitimadas

 

O defensor público da União André Ordacgy disse que vai entrar com uma ação civil pública pedindo 300 salários-mínimos de indenização, por danos morais, para as famílias dos mortos pela gripe suína. No fim de julho, ele já tinha entrado com uma outra ação – para que todos os pacientes tivessem acesso ao medicamento contra a doença de forma livre. Há duas semanas, o pedido de liminar fora negado pela 15aVara Federal.

 

  • É lamentável que tenham tomado uma decisão dessa depois de tantas mortes – disse o defensor.

 

  • Duas famílias já recorreram. Estou aguardando o fim da epidemia, previsto para outubro, conforme orientação de especialistas, para elaborar a nova ação.

 

A decisão de entrar na Justiça com pedido livre acesso ao Tamiflu recebeu o apoio oficial do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro, com base na informação de especialistas de que o uso do medicamento só seria eficaz nas primeiras 48 horas.

 

Com base em relatos de profissionais, Ordacgy disse acreditar que, se o medicamento fosse ministrado em casos que, a princípio não são graves, talvez tivéssemos um número reduzido de casos. Na ação, ele também contestou a decisão de concentrar a realização dos exames somente em centros de referência

O GLOBO

Editoria: Pág. Dia / Mês/Ano:

RIO

 

04/Setembro/09


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Claudio Souza DJ, Bloqueiro e Escritor
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