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Yana Lima A hepatite viral do tipo C é a que causa o maior número de mortes entre todos os tipos da doença no Brasil. Em 80% dos casos ela se torna crônica, podendo causar a morte. Atualmente, sete pessoas fazem o tratamento em Roraima, que é caro (cada ampola custa R$ 600,00) e demorado (de seis meses a um ano). Para evitar complicações, a orientação do Ministério da Saúde é que as pessoas do grupo de risco (quem fez transfusão de sangue antes de 1993 e usuários de drogas) façam a testagem para a doença. O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza gratuitamente o exame sanguíneo para detectar a doença e os antivirais para tratá-la. Na rede estadual, o Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) e o Laboratório Central de Roraima (Lacen) disponibilizam o teste. Mas quem já descobriu ser portador do vírus reclama de falta de informações e de dificuldades para ter acesso aos medicamentos. O portador de HEPATITE C Luiz Feitosa, 65 anos, há sete descobriu que estava com o vírus, quando seria submetido a uma cirurgia cardíaca para troca da válvula mitral, no hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo. “A doença nunca se manifestou e hoje faço apenas a dieta alimentar. A cada seis meses sou submetido ao exame de carga viral para saber se tenho que tomar algum medicamento e controlar o possível avanço da doença. Mas, até agora está controlada”, disse. Luiz Feitosa disse que até hoje não teve acesso ao tratamento e nem ao medicamento Ribavirima (antiviral utilizado no tratamento para HEPATITE C), fornecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O paciente apresentou a receita médica e os documentos exigidos a serem preenchidos. “Tentei em 2006 conseguir o remédio e devido à burocracia acabei desistindo de conseguir por meio da Dadimed. Exigiram vários documentos e como não tenho muito conhecimento desisti, e nunca mais voltei lá. Não sei preencher o documento e apresentei o laudo médico com a receita, mas negaram o medicamento. O que também falta são especialistas para atender os portadores de HEPATITE C. O único que conheço atende apenas particular”, disse. Maria José Gomes, 63, também possui o vírus, e explicou que chegou a procurar tratamento da rede pública de saúde, mas confessa que por desconfiança, decidiu se tratar em outro estado. “Os médicos demoraram muito tempo para descobrir qual era o meu problema de saúde. Fui a vários profissionais durante anos até diagnosticarem o vírus. Acho que por isso não senti segurança no tratamento local, e decidi me tratar em Manaus”, comentou. Ela contraiu o vírus há mais de vinte anos, ao fazer uma transfusão de sangue para sobreviver à malária, e todo mês vai à capital amazonense retirar o medicamento e consultar-se. Além de caro – apenas uma ampola, que deve ser tomada toda semana, chega a custar R$ 600,00 ao MS – o tratamento contra a doença apresenta fortes efeitos colaterais, parecidos ao de uma quimioterapia, além de depressão. Outra paciente que prefere não ser identificada, explicou que depois de muitos exames iniciou o tratamento. “É muito sofrido. Hoje tomo um medicamento (Interferon) uma vez por semana, quatro comprimidos de Ribavirina por dia e três injeções por semana, por causa da anemia que ocorreu por causa do tratamento”, disse. Ela afirmou que faz controle todos os meses com exames e há algum tempo começou a perder o cabelo. “Não quero assustar ninguém e sim tentar fazer um alerta para que as pessoas façam exames para detectar a HEPATITE C“, ressaltou. DOENÇA – A Organização Mundial de Saúde estima que dois milhões de pessoas possuam a doença no planeta, mas a maioria não tem conhecimento disso. No Brasil, quem recebeu transfusão de sangue antes de 1993 deve fazer o exame, pois antes disso, não havia controle acerca do material coletado. Além disso, a principal preocupação é com os usuários de drogas, uma vez que a doença é facilmente transmitida por meio de perfuro-cortantes. Até mesmo as drogas inaladas causam preocupação, uma vez que provocam o ressecamento e possível sangramento da mucosa nasal. Trabalhadores como profissionais de saúde e manicures também estão no grupo de risco, por manusearem equipamentos que podem transmitir o vírus e devem fazer o teste. Roraima é uma área endêmica para hepatite, portanto, qualquer pessoa pode procurar um posto de saúde e se vacinar. Já a testagem pode ser feita em qualquer unidade de saúde. O resultado nessas unidades sai em até 15 dias. No CTA é mais rápido. Sai em até uma semana. Remédios evitam evolução para cirrose hepática De acordo com a gerente do Núcleo de Controle de Hepatite Viral, Jaqueline Barros, o tratamento para os tipos B e C existem para evitar que a pessoa evolua para cirrose hepática. Em geral, o remédio é injetável e dura em média de seis meses a um ano. O tipo D da doença também foi inserido recentemente e o tratamento passa a ser garantido pelo Sistema Único de Saúde. “O MS adquire de maneira centralizada e distribui para os estados. Apesar do tratamento ser caro, ele é garantido para todos que detectarem a doença”, afirmou. A Secretaria Estadual de Saúde (Sesau) esclareceu, por meio de sua assessoria de comunicação, que o protocolo clínico e diretrizes terapêuticas para o tratamento da HEPATITE C é preconizado por portaria, do Ministério da Saúde, que detalha o fluxo para o tratamento em todos os estados. Ou seja, o tratamento que é oferecido em Roraima é o mesmo do Amazonas, por exemplo. “Os pacientes recebem todo o tratamento, de forma gratuita, inclusive a medicação, considerada de alto custo e que é oferecida pelo governo do estado, mediante comprovação da necessidade e solicitação médica”, disse a secretaria, em nota. A Sesau esclareceu ainda que para iniciar o tratamento da HEPATITE C, o paciente deve apresentar solicitação médica na Central de Marcação da Sesau, que encaminhará ao laboratório credenciado para a realização dos exames de Biologia Molecular, compreendido em três procedimentos laboratoriais: HCV RNA (qualitativo), HCV RNA (quantitativo) e Genotipagem. Com relação aos exames feitos em laboratório particular, a Secretaria explicou que o exame acontece a partir do credenciamento feito pela Sesau, que garante o procedimento a todos os usuários da rede Sistema Único de Saúde (SUS). No exame HCV RNA (qualitativo) o paciente saberá se tem ou não o vírus da HEPATITE C. No HCV RNA (quantitativo) mensura a carga viral no organismo da pessoa infectada pelo vírus e o Genotipagem aponta a periodicidade do tratamento (o tempo que deve ser feito). Esses exames são essenciais para o tratamento da HEPATITE C.
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