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HEPATITE DE SÃO PAULO À frente de um quadro sobre hepatite exibido aos domingos no “Fantástico” (TV Globo), o médico Drauzio Varella –colunista da Folha– percorreu o Brasil para conhecer a realidade da doença. Ele afirma que houve avanços no controle da hepatite, mas acha que a situação “pode sair de controle rapidamente”. O médico falou à Folha, por telefone. Folha – Com base no que o sr. viu durante as gravações, qual é, hoje, o maior problema da hepatite no Brasil? Drauzio Varella – A hepatite é uma doença silenciosa, uma epidemia ignorada. Embora tenhamos alguns números do Ministério da Saúde, provavelmente há subnotificação de casos. Como a doença só manifesta sintomas aparentes em seu estágio avançado, a maioria dos pacientes nem sabe que está infectada. Em que áreas a situação é mais preocupante? Existem áreas onde o quadro de contaminação é simplesmente caótico. Na região da Amazônia oriental, já próximo ao Peru, há aldeias em que o índice de infecção chega a quase 20%. Isso é completamente inaceitável. No chamado polígono das hepatites, na região Sul, a contaminação também é grande. O vírus da HEPATITE B foi levado para lá pelos imigrantes italianos e se difundiu. Hoje, aproximadamente 8% dos moradores são infectados. É só um pouco menos do que na China. O que precisa ser feito para mudar esse quadro? Precisamos de uma política de enfrentamento, com diagnóstico e vacinação. O vírus é altamente contagioso, bem mais do que o HIV. Se não houver cuidado, a situação pode sair de controle muito rapidamente, como aconteceu na China, que eu conheci de perto. (GM) OS TIPOS DA DOENÇA Hepatite A Transmissão: por água ou alimentos contaminados, pode ser assintomática ou ter sintomas semelhantes aos da gripe comum Tratamento: é controlada pelo próprio organismo. Há vacina HEPATITE B Transmissão: contato sexual e sangue contaminado. Pode tornar-se crônica e causar cirrose e câncer Tratamento: não tem cura, mas pode ser controlada com remédios. Há vacina HEPATITE C Transmissão: por meio de sangue contaminado. Torna-se crônica na maioria dos casos. Pode causar cirrose e câncer Tratamento: remédios funcionam em 55% dos casos. Não há vacina Hepatite D Transmissão: só quem tem HEPATITE B pode ser contaminado pelo vírus tipo D. Pode causar cirrose e câncer Tratamento: medicamentos semelhantes aos usados contra a HEPATITE B Hepatite E Transmissão: água ou alimentos contaminados por fezes e carne mal cozida Tratamento: não existe um específico. Normalmente, é autoeliminada pelo organismo Não viral Causada por doenças crônicas, álcool, remédios e drogas FOLHA DE S. PAULO – SP | SAÚDE |
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