
Michael Carter
Investigadores dos EUA reportam na revista Gastroenterology que beber café está associado a melhor resposta à terapêutica da hepatite C. Após ajustes para outros factores, beber três ou mais chávenas de café por dia aumentou as hipóteses de uma resposta virológica mantida em 80%.
O estudo envolveu doentes com mono-infecção por hepatite C. Todos tinham feito anteriormente terapêutica para a hepatite C mas tinham falhado em alcançar uma resposta virológica sustida.
“Observámos uma associação independente entre a ingestão de café e a resposta virológica ao re-tratamento como interferão peguilado e ribavirina,” comentam os investigadores.
Já se sabe que beber grandes quantidades de café está associado a baixos níveis de enzimas no fígado e a uma progressão mais lenta de doença pré-existente no fígado.
No entanto, desconhece-se o impacto do consumo de café na resposta à terapêutica da hepatite C.
Os investigadores da Hepatitis C Antiviral Long Tearm Treatment Against Cirrhosis Trial (HALT-C)quiseram assim observar se beber café afectava os resultados da terapêutica da hepatite C com interferão peguilado e ribavirina, após 20, 48 e 72 semanas.
Todos os 855 doentes apresentavam fibrose e já tinham feito um curso anterior, mal sucedido, de tratamento para a hepatite C.
O re-tratamento consistiu em interferão peguilado e ribavirina baseada no peso. Os doentes ofereceram informações sobre a sua dieta, e 85% indicaram que bebiam café, com 15% a afirmarem que consumiam três ou mais chávenas por dia.
Os bebedores de café tinham uma carga viral de hepatite C mais elevada no início.
Apesar disso, após doze semanas de terapêutica, os doentes que bebiam três ou mais chávenas de café, tinham uma média de 2 log10 cópias/ml de carga viral em comparação com uma carga viral de 4,6 log10 cópias/ml para os não bebedores (p < 0,001).
Os doentes que beberam três ou mais chávenas de café tinham significativamente mais probabilidade do que os não bebedores de café de ter uma resposta de tratamento a qualquer momento.
Uma resposta virológica mantida (carga viral indetectável seis meses após o final da terapêutica, considerada como a cura do doente) foi observada em 26% dos doentes que bebiam três ou mais chávenas de café por dia, comparado com 11% dos que não bebiam café.
Após o controlo de outros factores conhecidos por terem um efeito nas respostas de tratamento para a hepatite C, os investigadores descobriram que os doentes que bebiam três ou mais chávenas de café por dia tinham significativamente mais probabilidade de obter uma resposta virológica sustida do que os que não bebiam (HR = 1,8; 95% IC, 0,0-3,9; 0 = 0,034).
“Estes resultados sugerem que os bebedores de café têm uma melhor resposta ao tratamento sendo independente de outros factores de risco,” comentam os investigadores.
Não se pode oferecer uma explicação para os efeitos benéficos do café. Não existem provas de que beber chá tenha efeitos benéficos semelhantes, e especulam que a cafeína possa ter um papel.
Embora concluam que beber café fosse associado com uma resposta significativamente melhor ao tratamento, os investigadores escrevem que “são necessários estudos futuros para replicar estas descobertas noutras populações.
Referência:
Freedman ND et al. Coffee consumption is associated with response to peginterferon and ribavirin therapy in patients with chronic hepatitis C. Gastroenterology 140: 161-69, 2011
Tradução
GAT – Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA
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