Informações sobre a saúde sexual de trabalhadores sexuais masculinos

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Estudo fornece informação sobre a saúde sexual de trabalhadores sexuais masculinos em Inglaterra

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Os dados epidemiológicos das clínicas de medicina geniturinária em Inglaterra (GUM) demonstraram que os profissionais do sexo masculinos têm maior probabilidade de serem diagnosticados com determinadas infeções de transmissão sexual (ITS) do que outros homens. Os trabalhadores sexuais masculinos tinham três vezes mais probabilidade de serem diagnosticados com o vírus da imunodeficiência humana (VIH) ou clamídia e duas vezes com gonorreia quando comparados com outros homens. Aproximadamente um terço dos garotos de programa era migrante, a maioria do Brasil. Os achados foram publicados na edição online da Sexually Transmitted Infections.

Pouco se sabe sobre as caraterísticas e saúde sexual dos profissionais do sexo masculinos no Reino Unido, apesar de se pensar que têm maior risco de ITS quando comparados com outros homens. As diferenças na saúde sexual de acordo com o estado de migração foram observadas nas garotas de programa, mas este assunto ainda não foi explorado nos trabalhadores sexuais masculinos.

Uma equipa de investigadores analisou 627 780 registos eletrónicos de homens que frequentaram serviços de saúde sexual em Inglaterra, durante 2011. Estes registos forneceram dados relativos ao trabalho sexual, idade, estado de migraçao dos garotos de programa. No entanto, os investigadores acreditam que é provável que o número seja mais alto, “devido em parte à falta de revelação. Estudos do Reino Unido têm relatado que apenas um terço dos TS [trabalhadores do sexo] revela a sua ocupação aos profissionais de saúde”.

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Os Profissionais do sexo masculinos são ligeiramente mais velhos que os outros homens (mediana de idade, 29 versus 28 anos; p=0,05) e 30% dos homens que trabalham no mercado do sexo tinham idade acima dos 35. Os autores evidenciam que estes achados são contrários às “suposições de que os trabalhadores sexuais masculinos [TSM] são predominantemente um grupo jovem”.

Os dados ainda mostraram que os garotos de programa masculinos tem maior probabilidade que outros homens de serem migrantes (38 versus 19%; p<0,001) e de se identificarem como homens que têm sexo com homens (57 versus 15%; p<0,001), mas os investigadores em certa medida ficaram surpreendidos com a baixa proporção de homens que se identificaram como tal e sugerem que este achado necessita de mais esclarecimento.

Os garotos de programa migrantes relataram 50 países de origem, sendo 39% originários da América do Sul (97% destes do Brasil), 25% da Europa e 12% da Europa do Leste. Os trabalhadores do mercado do sexo que eram migrantes tinham duas vezes maior probabilidade de se identificaram como homens que têm sexo com homens quando comparados com trabalhadores do sexo masculinos não-migrantes (77 versus 35%; p<0,001).

Os profissionais do sexo masculinos recorreram mais vezes as clínicas que outros homens (média 4,5 versus 2,3 visitas) e os trabalhadores do mercado do sexo, de sexo masculino migrantes fizeram mais consultas do que os trabalhadores sexuais masculinos nascidos no Reino Unido (5 versus 4,4 visitas; p=0,03).

No geral 86% dos garotos de programa realizaram um rastreio da saúde sexual e 73% um teste para o VIH. Os números comparativos para os outros homens [não profissionais do sexo] foram de 68 e 73%, respetivamente.

As taxas de diagnóstico de clamídia eram mais altas entre trabalhadores sexuais masculinos do que em outros homens (25 versus 10%; p<0,001), tal como foram os diagnósticos de gonorreia (17 versus 3%;p<0,001) e VIH (4 versus 0,6%; p<0,001).

Após o ajuste para as variáveis de confusão como a idade e orientação sexual, os trabalhadores sexuais masculinos tinham três vezes maior probabilidade de serem diagnosticados com VIH (OR=3,37; IC 95%, 1,86-6,02; p<0,001) quando comparados com outros homens e aproximadamente três vezes maior probabilidade de receberem um diagnóstico de clamídia (p<0.001) e duas vezes maior probabilidade de gonorreia (p<0,001). Os garotos de programa masculinos migrantes tinham maior probabilidade que os não-migrantes de serem diagnosticados com clamídia (OR=2,2; IC 95%, 1,08-4,49; p<0,03).

Os trabalhadores sexuais masculinos tinham significativamente maior probabilidade de reinfeção por clamídia e gonorreia do que outros grupos de homens (9 versus 4%; 14 versus 5%).

“O nosso estudo fornece uma imagem comparativa nacional sobre a saúde sexual e o uso do serviço dos frequentadores [trabalhadores sexuais masculinos] das clínicas GUM”, concluem os autores.

Referência

McGrath-Lone L et al. The sexual health of male sex workers in England: analysis of cross-sectional data from genitourinary clinics. Sex Transm Infect, online edition. doi: 10.1136/sextrans-2013-051320, 2013.

Nota do editor de Soropositivo Web Site

O estudo reflete, pela pesquisa, a situação dos trabalhadores do sexo na Inglaterra.

O universo dos trabalhadores do sexo, especialmente aqueles que trabalham na rua, é extremamente violento e perigoso.

Dificilmente alguém vai ao hospital, no Brasil, com o moralismo hipócrita que existe neste canto obscuro da américa latina e diz ao seu médico ou enfermeiro que é um profisional do sexo.

Difícil obter números assim, e mais dificil ainda adequar as campanhas de prevenção e redução de danos emtre trabalhadores sexuais que, no meu entendimento, seguem abandonados.

Se alguém tem algo a acrescentar a este texto sobre trabalhos de prevenção à AIDD  e outras DSTs, tais como a sífilis e o HPV, por favor, tenha a bondade de entrar em contato comigo pelo sistema de cometários, pois terei prazer em publicar e linkar a este texto.

O que eu vejo é uma realidade dantesca…


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