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Gus Cairns, Monday, January 25, 2010 |
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O segundo maior estudo do mundo sobre sexo realizado em homens que têm sexo com homens (HSH), levado a cabo junto sobretudo de homens do Este e Sudeste Asiáticos, mostrou que 46% dos homens que praticam sexo anal referem um uso inconsistente do preservativo com parceiros ocasionais e níveis ainda mais elevados de sexo desprotegido com parceiros regulares.
O estudo permitiu recolher dados sobre uma ampla série de indicadores, tendo os seus resultados mostrado uma grande semelhança com os obtidos no maior estudo do género realizado até ao presente (o GMSS, Inquérito sobre Comportamento Sexual dos Homens Homossexuais, no Reino Unido – ou Gay Men’s Sex Survey).
O sucesso do inquérito em língua inglesa, alojado no website gay asiático www.fridae.com, levou à realização do inquérito de 2010 em nove línguas, desde o hindi ao japonês.
O inquérito de 2009 foi respondido por cerca de 8000 homens. Vinte por cento desses homens pertenciam a 3 países não-asiáticos, os EUA, Reino Unido e Austrália, facto que pode ter influenciado alguns resultados, como, por exemplo, os números relativos à realização do teste de despistagem do VIH.
Um quarto eram oriundos de Singapura (onde o site está alojado), 13% da Malásia, 8% de Hong Kong, 6% da China continental, outros 6% da Tailândia e cerca de 3% cada da Indonésia, Filipinas e Taiwan. Registaram-se também participações significativas do Japão, Coreia do Sul e Vietname.
De entre os achados que diferiram significativamente dos observados no inquérito inglês (GMSS), destacam-se:
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uma percentagem maior de homens nunca havia feito o teste do VIH (74%, versus 65% no GMSS). Quanto à realização do teste nos últimos doze meses, a diferença registada foi menor (51% versus 54%).
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cinco por cento dos que fizeram o teste e 3.7% de todo o grupo sabiam que tinham VIH, em comparação com 11.6% e 9.8% para os mesmos grupos do estudo inglês.
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a percentagem de homens com um número elevado de parceiros era menor do que no RU (13% tinha tido mais de 10 parceiros no último ano, em comparação com 19.5% com mais de doze parceiros, no estudo inglês).
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o número dos que conheceram os parceiros na internet foi superior ao do estudo inglês; o número dos que conheceram os parceiros em bares e discotecas foi, pelo contrário, inferior. No que se refere às saunas, os números foram semelhantes.
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À parte estes números, a semelhança entre os restantes dados recolhidos nos dois estudos foi grande.
O relatório do inquérito (que pode ver aqui: www.msmsexsurvey.com) mostra os seguintes números brutos:
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Cinquenta e oito por cento dos homens tinham tido um parceiro regular e 62% sexo com um parceiro ocasional;
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Setenta e nove por cento dos que tinham um parceiro regular e 72% dos que tinham sexo com parceiros ocasionais praticaram sexo anal;
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Cinquenta e três por cento dos que tinham parceiro regular e 33% dos que tinham parceiros ocasionais não usaram preservativo de forma consistente;
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Sessenta e sete por cento dos que praticaram sexo anal com parceiros regulares e 46% dos que tiveram sexo anal com parceiros ocasionais, não utilizaram preservativos de forma consistente.
Refira-se, para comparação, que, no último GMSS, 53% daqueles que tinham, no ano anterior, praticado sexo anal receptivo e 52% dos que tinham praticado sexo anal insertivo, nem sempre tinham usado preservativo.
O perfil etário de quem respondeu ao inquérito era muito semelhante ao do GMSS, com uma idade média de 33 anos (34 no GMSS). Tratava-se, maioritariamente, de pessoas com nível educacional avançado (dois terços com educação superior – 61% no caso do GMSS) e viajadas (64% referiram ter viajado para fora do seu país de residência no último ano).
Oitenta e dois por cento identificava-se como sendo homossexual (86% no GMSS) e 15% como sendo bissexual (8.5% no GMSS), tendo 7% referido ter tido sexo com uma mulher no ano anterior, a mesma proporção verificada no GMSS. Cinco e meio por cento referiu ser casado com uma mulher (no GMSS, 4.3% eram casados ou a sua relação primária era com uma mulher). Três quartos referiram sentir-se confortáveis com a sua sexualidade, e cerca de um terço pareceu estar socialmente isolado, referindo “não ter ou ter poucos” amigos gays.
Tal como foi dito acima, a proporção dos que tinham tido um número elevado de parceiros sexuais (mais de 10) era inferior à observada no GMSS. Por seu lado, a proporção dos que não tinham praticado qualquer relação sexual era maior do que no inquérito inglês (13% versus 7% no GMSS).
No que se refere ao item “relação de compromisso”, 45% responderam afirmativamente (48% no caso do GMSS), tendo 42% referido manter relações sexuais apenas com o seu parceiro.
A internet foi referida como o meio mais comum para conhecer outros homens: 72% tinha conhecido alguém através da internet no ano anterior (62% no último GMSS, cujos dados foram recolhidos em 2007), 38% tinha conhecido alguém em saunas (percentagem semelhante à do GMSS) e 28% num bar (52% no caso do GMSS, “num bar, pub, ou discoteca”).
Tal como foi referido em cima, 5% dos que tinham feito o teste do VIH obtiveram um resultado positivo. Destes, 62% encontrava-se a tomar medicação ARV e 51% apresentava uma carga viral indetectável. No que se refere à influência do estado serológico sobre o facto de se ter ou não um parceiro regular, ela praticamente não existiu, tendo sido semelhante a proporção de homens com ou sem VIH a referir parceiro estável. Quanto aos parceiros, 70% deles não eram seropositivos.
Embora cerca de dois terços dos homens tenham concordado que “a melhor altura para falar de VIH é antes do sexo”, apenas 20% tinha de facto abordado a questão antes do sexo: no GMSS, 40% tinha referido, para a mesma questão, “às vezes”, e 10-20% “sempre”.
A última secção do inquérito dizia respeito à estigmatização. Quase 40% dos homens que responderam referiu conhecer alguém com VIH, tendo 14% referido ter tido sexo com alguém que sabiam ter VIH. Três quartos dos inquiridos referiu que seria amigo de alguém com VIH, mas apenas 60% partilharia comida com ele e 30% teria relações sexuais (estes valores incluem também as respostas dos homens seropositivos).
O fundador do Fridae, o Dr. Stuart Koe, referiu:
“O nosso inquérito teve início em 2004, sobretudo como adjuvante de um estudo local a decorrer em Singapura. Entretanto, por volta de 2006, não só estávamos já a recolher mais resultados que os estudos de papel e caneta, como éramos mais custo-eficazes para o mercado e obtínhamos mais respostas íntimas e espontâneas sobre algumas matérias sensíveis”.
O inquérito de 2010, o 2010 Asia Internet MSM Sex Survey, encontra-se actualmente em linha em www.2010aimss.com, estando a decorrer até 28 de Fevereiro.
Tradução
GAT – Grupo Português de Activista sobre Tratamentos VIH/SIDA
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