, Bateria de exames de sangue duas vezes ao ano e resultados ideais. Relacionamento homossexual estável e relações sexuais com um único parceiro, sempre com proteção. Para Rafael*, 26 anos, e Daniel*, 29, isso não é comportamento de risco. "Estamos juntos há três anos. Meu sangue é AB, bem raro, e já omiti minha atividade sexual. Todas as outras perguntas eu respondi com sinceridade", conta Daniel.
Mas você não pode prejudicar alguém, Daniel? "Estou certo que não. Faço exames por conta própria, num dos melhores laboratórios da cidade. Tenho um familiar salvo por transfusão de sangue, o que me faz querer doar."
Para eles, os centros de coleta de sangue deveriam abordar o assunto nos materiais de divulgação e campanhas. Roseli Sandrin, chefe de coleta do Hemosc, diz que omitir informação na triagem pode colocar vidas em risco. "Responder ao questionário honestamente é uma etapa importantíssima da doação", destaca.
Etapas da doação
Ao chegar ao Hemosc, você passará pelas seguintes etapas:
Cadastro
No setor de cadastro será feito seu registro, com apresentação dos documentos.
Triagem
Verificação da pressão arterial, temperatura, pulso, peso e altura. Testes para ver se tem anemia.
Entrevista individual
É confidencial e, se necessário, completada por um exame médico. O candidato não deve esconder doenças que já teve ou aspectos do comportamento sexual.
Com base nas respostas do questionário, um funcionário do Hemosc conversará sobre informações de caráter pessoal e íntimo. Tudo será mantido em sigilo. O entrevistador definirá sua aptidão ou não para a doação.
Coleta de sangue
A doação é a retirada de aproximadamente 450 ml de sangue. A coleta é feita por pessoal capacitado e sob supervisão de um médico ou enfermeiro. O ambiente deve ser limpo e confortável, e o material descartável. O tempo para completar a bolsa de sangue varia de cinco a dez minutos.
Quanto se coleta
É retirado volume de sangue que não causa prejuízo à saúde do doador – aproximadamente 450 ml para doação e 45 ml para testes laboratoriais. A quantidade de sangue no corpo de uma pessoa é de 8% de seu peso e, desse total, apenas 10% pode ser doado. A parte líquida é reposta pelo organismo rapidamente. O ferro é reposto pela alimentação em até dois meses para homens e três meses para mulheres, devido ao período menstrual.
Após a doação não é preciso tomar medicação.
Frequência
Homens podem doar sangue num intervalo de 60 dias, não ultrapassando a quatro doações ano. Mulheres num intervalo de 90 dias, não ultrapassando três doações ano.
O que diz a Anvisa – resolução 153 e nota técnica
A nota técnica, que explica a resolução, diz que não há qualquer distinção sobre a orientação sexual dos doadores. Mas deixa claro que estão descartados homens que tenham feito sexo com outro homem nos últimos 12 meses. "Mesmo que afirme que tenha feito sexo com proteção", reforça a nota da Anvisa, enviada à reportagem.
Por que a Anvisa tem essa postura
Os boletins epidemiológicos do Programa Nacional de DST/Aids afirmam que homens que mantêm relação sexual com outros homens ainda são a categoria de exposição mais freqüente entre as pessoas com o HIV.
Atualmente, é de cerca de 16 dias o período de janela imunológica para o HIV (entre a contaminação e a detecção por exames).
Por isso, para reduzir o risco mínimo, é preciso fazer a triagem clínica (entrevista) de doadores, além dos exames.
A triagem tem o objetivo de impedir a doação de pessoas que se expuseram a situações de risco.
Estudos científicos que embasam a decisão
No Brasil
Em 1999 e em 2004 foram testadas duas situações:
Sem restrição à doação de sangue por homossexuais
Nesta análise, a cada 100 mil doadores, em média, 2,1 teriam infecção recente que não seria detectada pelo processo rotineiro de triagem.
Com restrição à doação de sangue por homossexuais
1,4 pessoa, em média, teria infecção que não seria diagnosticada. Isto significa um aumento no risco biológico de quase 50%.
Para a Anvisa, nenhuma mudança nas normas de triagem por orientação sexual deve ser feita sem uma análise técnica das conseqüências.
Em 2006, o estudo foi citado em revista científica da organização não-governamental O Grupo Pela Vida, de portadores de HIV e Aids, amigos e familiares.
No artigo, o pesquisador Jorge Beluqui destacou que a probabilidade de Aids entre homossexuais é, ao menos, 18 vezes maior que entre heterossexuais.
Inglaterra
Estudo publicado em 2003 analisou doações de sangue feitas por homossexuais que tiveram o último contato sexual há 12 meses ou mais.
Resultado: aumenta 60% o risco de doações de sangue contaminado por HIV aos bancos de sangue. Segundo a pesquisa, se não houver restrição em relação à doação feita por homossexual, o risco de sangue contaminado por HIV passaria de 0,45 para 2,5 ao ano.
Estados Unidos
Com base em inquéritos anônimos, oito centros de sangue avaliaram os riscos de contaminação de homossexuais. Eles foram definidos como homens que, ao menos uma vez na vida, tiveram relações sexuais com outro homem.
Resultado: havia mais contaminação por HIV em homens que fizeram sexo com homens nos últimos cinco anos, do que nos que nunca tinham feito ou então feito há mais de cinco anos.
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