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Koch: O bacilo da pobreza

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Números da TUBERCULOSE caíram, mas a resistência do bacilo de Koch cresceu

 

Os números alarmam: a cada ano, 440 mil casos de TUBERCULOSE resistente a medicamentos surgem no mundo, gerando uma média de 150 mil mortes. Quem in-forma é a Organização Mundial da Saúde (OMS), que re-força o alerta contra essa doença infecciosa que ataca, principalmente, os pulmões. Segundo a entidade, grande parte do problema está no uso in-discriminado de medicamentos, que acaba provocando resistência de inúmeras doenças às drogas.

No Brasil, foram notificados quase 72 mil novos casos de TUBERCULOSE em 2009, o que representa uma taxa de incidência de cerca de 37 por 100 mil habitantes, segundo os últimos dados do Ministério da Saúde. De acordo com a pneumologista Margareth Dalcolmo, diretora do Centro de Referência Hélio Fraga,

da Fiocruz, 0,8% dos casos de TUBERCULOSE são multirresistentes no país: cerca de 700 por ano.

Ainda que o número não seja expressivo, merece atenção.

Segundo Margareth, os tratamentos para a TUBERCULOSE duram seis meses e custam, em média, US$ 30 por paciente. Mas curar uma pessoa que desenvolveu resistência à doença,pode custar US$ 2 mil.

– É um tratamento até quatro vezes mais longo e usa medicamentos mais caros – explica. – Além disso, usa medicação injetável, que gera gastos com remédio, seringa, agulha, alguém que aplique, observação no posto médico e por aí vai.

Rocinha apresenta o maior índice da doença

Segundo Margareth, apesar da TUBERCULOSE vir apresentando declínio nos últimos 15 anos no país, os resultados ainda não são os esperados.

– Hoje, a TUBERCULOSE decai, a cada ano, numa média de 2,2%, enquanto o esperado era de 5%. Ainda uma velocidade abaixo da desejável – lamenta.

A pneumologista alerta, ainda, para as marcantes variações regionais da doença. Em Manaus e no Rio de Janeiro, por exemplo, a taxa de incidência gira em torno de 70 por 100 mil habitantes, quase o dobro da média nacional. Somente na favela da Rocinha, a maior do Brasil, a taxa sobe para 200.

Segundo Marcus Barreto Conde, professor Instituto de Doenças do Tórax do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, a TUBERCULOSE é uma doença relacionada ao baixo índice de qualidade de vida e baixo acesso ao sistema público de saúde.

– As grandes capitais são os locais onde encontramos grandes bolsões de pobreza e, onde, coincidentemente, as taxas de TUBERCULOSE são maiores – observa.

Para Ana Glória Pires, representante da Secretaria Executiva da Parceria Brasileira Contra a TUBERCULOSE, que promove ações de combate à doença, a enfermidade ainda é alvo de muito preconceito no país.

– A TUBERCULOSE persiste porque é estigmatizada pela pobreza, porque está mais nas favelas, nos presídios e na população de rua – comenta. – Apesar de ter fácil tratamento, é mais difícil trabalhar com ela do que com a AIDS, por exemplo. Isso acontece porque ainda há muito preconceito. Ter TUBERCULOSE denota que você é pobre, mora em local pouco saudável, com doentes.

Para os especialistas, o maior desafio é tratar a doença enquanto ela ainda é precoce. Mas a falta de informação adequada acaba agravando esta realidade.

– Quando a gente detecta um caso, a conduta vai além do tratamento – explica Margareth.

– Cada doente diagnosticado gera, em média, quatro novos casos, envolvendo as pessoas que estiveram em contato com ele e que podem estar contaminadas.

Então temos que fazer um mapeamento do caso.

Marcus adianta que é preciso ficar atento aos sinais da doença:

– Todo paciente com tosse há mais de duas semanas, que emagreceu e apresenta febre, deve procurar ajuda médica, especialmente de um pneumologista .

JORNAL DO BRASIL – RJ | SAÚDE


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