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Moçambique: tratamento não é fácil, mas vale a vida

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Agência de Notícias da Aids

Editoria: Pág.

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28/FEVEREIRO/08

 

27/2/2008 – 12h15

Depois de descobrir que era soropositiva, o momento mais difícil da vida da moçambicana Elvira Howana, 43 anos, foi começar o tratamento anti-retroviral. Ela tinha razões de sobra para ter medo. Seu marido, soropositivo, faleceu seis meses depois de começar a tomar os anti-retrovirais (ARV). Ela mesma já tinha ouvido boatos de que os ARVs podiam matar. Relutante, ela começou o tratamento. Hoje, quatro anos depois, Howana está saudável e cumpre fielmente as recomendações médicas.

Porém, nem todos os soropositivos seguem o tratamento à risca. Mesmo com a chegada dos anti-retrovirais em Moçambique em 2003, muitos pacientes ainda resistem em iniciar o tratamento. Outros simplesmente abandonam a terapia por não suportarem os efeitos colaterais. “Nos primeiros 15 dias sofri de dores no estômago, tonturas e borbulhas na pele”, lembra Howana. “Mas depois passou.”

Seu atual marido, Samuel Sitóe, que conheceu na clínica onde recebe os ARVs, diz que já perdeu muitos amigos que interromperam o tratamento. Soropositivo, ele toma ARVs há cinco anos e porque desenvolveu resistência à medicação de primeira linha, já está na segunda linha de tratamento. “Algumas pessoas vieram me pedir ajuda e levei-os para o hospital, mas porque abandonaram o tratamento e conselhos dos médicos, morreram depois de pouco tempo”, lamentou.

Efeitos de diferentes graus

Massimo Magnano, médico do programa DREAM da Comunidade Sant’Egidio, organização não-governamental (ONG) italiana voltada para a SIDA, os ARVs podem produzir efeitos colaterais como qualquer outro medicamento potente. Os efeitos mais freqüentes são vômitos, náuseas, febres, anemia e problemas neurológicos. “Nestes casos o médico simplesmente muda a medicação, mas não a interrompe”, disse.

Já em casos de efeitos colaterais graves, que são raros, o paciente pode sofrer de, entre outros, hepatite aguda, problemas renais e alergia generalizada. “Nesta situação suspendemos o tratamento e reavaliamos o quadro”, explicou.

O DREAM fornece ARVs a mais de 12 mil soropositivos em Moçambique. Para evitar interrupções no tratamento, o programa faz uma abordagem personalizada entre o paciente e o médico, além de promover palestras e trabalhos de sensibilização.

O ativista Sousa Chilaúle, fundador da ONG Xirilu Xa Kudumba (Pranto de Esperança, em Xi-Changana), lembra que passou por maus bocados no início do tratamento. “Tive prisão dos músculos, desarticulação e cansaço, mas eram efeitos colaterais passageiros da dosagem”, contou. Lentamente seu corpo começou a reagir. Dos 45 quilos iniciais, Chilaúle pulou para 75. “O tratamento deixou-me com esperanças”, disse ele, que está no quinto ano sem interromper a medicação.

Realmente eficazes

Moçambique tem uma soroprevalência nacional de 16 por cento numa população de quase 20 milhões. Cerca de 75 mil estão em tratamento anti-retroviral, segundo as últimas estatísticas do Ministério da Saúde. Joaquim Brandão, diretor adjunto de operações de HIV e Aids da ONG Visão Mundial, enfatiza que, mesmo com os efeitos indesejados, os ARVs têm eficácia comprovada.

“Quando o paciente toma os ARVs, seu estado de saúde geralmente melhora”, afirmou. “Mas é necessário que se cumpra a medicação e respeitem os horários definidos pelo médico.” Brandão destaca que alguns soropositivos terão efeitos colaterais severos. “Nesse caso, o médico tem que ser contatado, mas o paciente nunca deve suspender o tratamento por conta própria”, aconselhou.

Falta de comida

Um dos principais obstáculos no tratamento é a questão alimentar. Uma boa alimentação é essencial para um tratamento bem-sucedido e para manter o sistema imunológico forte. Além disso, alguns ARVs precisam ser tomados após uma refeição para não causar enjôos. Magnano aconselha os soropositivos a equilibrar sua dieta alimentar com o consumo de alimentos com proteínas e gorduras, como carnes, arroz, feijão, ovos, leite e farinha de milho.

Porém, isso nem sempre é possível, já que muitos moçambicanos só conseguem fazer uma refeição diária. Quase 40 por cento da população vive com menos de US$ 1 por dia, segundo as Nações Unidas. “Alguns fogem do tratamento devido à fome e este é o grande problema que nós, soropositivos, sofremos”, desabafou Howana.

Por outro lado, os ARVs também podem causar falta de apetite. Sitóe aconselha aqueles em tratamento que insistam na comida mesmo sem fome. Howana, que passou por períodos de desconforto devido à medicação, insiste que os pacientes não interrompam o tratamento.

“As pessoas devem aceitar o tratamento, procurando curar doenças oportunistas, e perceber que os ARVs aumentam a defesa do organismo”, aconselhou.

Fonte: Irin PlusNews


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