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O Jornal O Estado de São Paulo, em reportagem de Lígia Formenti noticia, no dia 15/02/2008, assim:

“Portadores do vírus da Aids demoram para buscar tratamento no Brasil

Relatório diz que 44% detectam o HIV após já estar com sintomas da doença; desses, 29% morrem no ano seguinte “

No Jornal de Brasília, da mesma data, a manchete é diferente, mas mostra o mesmo quadro “Ajuda tardia”.
Nesta matéria, a Coordenadora do Programa Nacional DST/AIDS, Mariângela Simão, disse que uma das prioridades é aumentar o número de testes rápidos nos centros de saúde, que podem diagnosticar a doença em até meia hora. "A pessoa tem que se dispor a fazer o teste, mas o serviço de saúde tem que se organizar para facilitar o acesso. Ele dificulta quando faz a pessoa ir uma vez para aplicar o teste, outra para pegar o resultado." Disse também que que ainda persiste, no Brasil, a percepção de que a AIDS é uma "doença do outro", e que se a pessoa não for homossexual, profissional do sexo ou usuária de droga, não corre risco. "O perfil da epidemia mudou radicalmente no Brasil. Hoje, é uma epidemia predominantemente heterossexual, ou seja, pessoas que têm sexo desprotegido com pessoas de outro sexo. Todo mundo que tem vida sexual ativa tem que pensar na qualidade da sua relação."

Ao longo de treze anos vivendo com o HIV cansei de ouvir as pessoas dizerem que “preferem não saber, ou se matariam. Esta linha de pensamento é, efetivamente, uma prática suicida.
Pelos idos da década de 80, quando se falava em “peste gay”, “flagelo divino” e outras baboseiras, criou-se um conjunto de estigmas onde o pior de todos é condenar a pessoa soropositiva à morte social.

O medo da exclusão, li aqui no wiki que os pais de uma garota ficaram três meses sem falar com ela por acreditarem que ela estaria contaminada por HIV, faz estas coisas.

Mas eu aconselho uma política em sentido contrário.

Quanto mais cedo você sabe, maiores são as suas chances de sobrevivência, porque o HIV vai destruindo o sistema imunológico muito lentamente e durante muitos anos o corpo humano consegue repor o que o HIV destrói. Mas o organismo precisa de ajuda.
Se você tem um resultado soropositivo em suas mãos você terá uma equipe multidisciplinar à sua disposição.
Será atendido(a) sempre pelo(a) mesmo(a) infectologista.
Terá um prontuário. (O meu monta três tomos). Este prontuário terá a sua história clínica e sempre se poderá saber o que é preciso fazer para evitar um mal maior.
O HIV leva, em média, de cinco a sete anos para causar danos graves, e é quando aparecem as infecções oportunistas. Há sobreviventes de longo curso que ficam quinze anos sem tomar nenhuma medicação anti-retroviral (coquetel).

Ao invés de tratar a infecção, cuida-se da saúde como um todo, enquanto ela ainda é um todo.
De suas funções hepáticas e renais, até exames de imagem computadorizada de seu cérebro, tudo será feito, e fará efeito.
Eu descobri rapidamente e rapidamente comecei a me tratar, não tomo coquetel, embora tome uma pilha de comprimidos para controlar outras coisas, como o triglicérides por exemplo.

Sabendo cedo você pode se cuidar e viver bem, sem ter de tomar o coquetel, pois tomar o coquetel não é um passeio à praça. Os efeitos colaterais são difíceis de serem encarados; náuseas, vômitos, sabor metálico na boca, gastrite e alguns deles podem até matar se não forem retirados rapidamente da combinação (o DDI pode causar pancreatite fulminante – basta procurar por estes termos no Google).

Eu não vou ficar pondo medo em vocês, que já são crescidinhos e sabem o que querem da vida. Mas, muito cá prá nós, se você pratica sexo desprotegido, esta em situação de risco; se usa drogas injetáveis e compartilha agulhas e seringas, também está em situação de risco, uma pessoa que bebe demais numa festa e resolve transar com alguém que nunca viu, dificilmente terá discernimento para usar camisinha e estará em situação de risco. Ainda cá pra nós, estas três situações são verdadeiras roubadas e me parecem coisas de gente boba, que não sabe nada da vida.
Se você se enquadra ou se enquadrou alguma vez numa destas situações, ou em muitas outras, pense um pouco e faça o exame.

Muito pior que morrer de AIDS é morrer de medo.

Cau


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Claudio Souza DJ, Bloqueiro e Escritor
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