Mulheres Sem Futuro. Eu mandei ontem uma mensagem para uma amiga, contando a matéria que uma outra amiga me deu para publicar, uma matéria muito boa e, eu não pude resistir a por, no texto dela, as minhas observações.
Algumas coisas que ela diz estão certas.
Esta é uma sociedade ridiculamente patriarcal onde os homens matam as mulheres quando elas se cansam, por exemplo, de apanhar. Pois bem. Eu estava naquilo que eu, aqui, ouso dizer que foi “meu primeiro casamento”.
Teria sido melhor se eu me casasse com a Medusa.
Bem, um dos irmãos desta minha primeira esposa batia em sua mulher e seviciava sua filha. (ÓDIO).
A esposa um dia se cansou e deu, por assim dizer, linha, foi embora e conheceu alguém que realmente a amava. Mas este meu “cunhado” (eu preferia ser cunhado do Loky) não gostou. Uniu-se a outro de “meus cunhados”, buscaram os dois e, além de torturar e matar, e eu coloco um dos itens e tortura. Empala-los, vivos, com um cabo de vassoura. Foram perseguidos, presos, julgados e sentenciados a 30 anos de reclusão. É tarde, passa das 00:10 e eu estou mais morto do que vivo.
Bem, 10:30 e eis-me de volta.
Sentenciados e apenados, foram “movidos” para algum presídio e eu não sei colocar isso no tempo e no espaço, o que sei é que eu, como pessoa, não poderia impedir o que vai no parágrafo adiante.
Tendo eu sido uma pessoa que “se criou” e assim o foi (!!!…) nas ruas e que vivia Na Noite (todo mundo sabe disso) eu não poderia, com o que “eu sabia da vida” impedir uma irmã de visitar seus irmãos na prisão.
Não porque eu sou “magnânimo”. A verdade é que entre a lista de adjetivos que cabem a mim magnânimo não está, definitivamente, na lista. E eu sabia que haveria uma drenagem de recursos para eles, que ela levaria para eles aquilo que, se costuma chamar de “Jumbo”.
O último Censo em 2012 mostrou que 43 mil meninas menores de 14 anos vivem relacionamentos estáveis como se fossem mulheres.
A prática é ilegal, a maioria vive em união consensual, sem registro.

Em comunidades mais pobres, e abandonadas, as próprias famílias são responsáveis pelos casamentos, uma vez que as uniões são vistas como fuga da pobreza. É a transformação em chaga social de um sonho de criança de casar-se vestida de noiva. Mas de que tipo de menina nós falamos?
Certamente não é da mesma menina urbana de um cortiço paulistano ou da de uma favela carioca. Essas têm sonhos possíveis, apesar de, na maioria, inalcançáveis. Falamos de outro mundo, em que, apesar da televisão, o que prevalece é a história e a realidade materna. Destino trágico.
Não muito diferente da sina de milhares de meninas pobres no mundo em desenvolvimento, no qual as mulheres são pressionadas, por motivos diversos, a casar-se e a ter filhos com pouca idade.
Nos países pobres, mais de 30% das jovens se casam antes de completar 18 anos. Muitas meninas enfrentam pressões para terem filhos o mais rapidamente possível, engravidam e morrem de hemorragia. Os maridos não são fiéis e elas, com maior vulnerabilidade por causa da idade, frequentemente também sucumbem a DSTs.
É uma realidade com nuances distintas. Na África ocidental, a fome empurra jovens para o casamento precoce. Pais casam suas filhas mais cedo em busca de dotes para ajudar as famílias a sobreviver.
O Níger tem o mais alto índice de casamento infantil no mundo, com uma em cada duas jovens se casando antes dos 15 anos – algumas delas com apenas sete anos.
No Brasil, a lei é clara ao classificar como estupro qualquer envolvimento carnal com menores de 14 anos. Além de ser crime, essas meninas também sofrem desvantagens em relação a saúde, educação, relacionamentos sociais e pessoais em comparação com aquelas que se casam mais tarde.
O que essas brasileirinhas vivem é inaceitável. Enquanto não conseguimos tirá-las da miséria -e essa é uma prioridade de nossa presidenta-, temos que protegê-las dessas relações perversas com ações policiais firmes e campanhas para a eliminação do casamento de crianças. Essas relações também impõem uma barreira às comunidades que procuram aumentar os níveis de escolaridade e buscam diminuir os índices de pobreza.
As noivas meninas têm seu futuro comprometido e seus direitos básicos de brincar e estudar violados. Se tornam meninas sem presente e mulheres sem futuro.
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