“Não dá para fazer prevenção de AIDS sem enfrentar o debate sobre sexo, drogas e diversidade sexual”

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Foto: Mario Henrique de Oliveira

Pro­fes­so­ra Ve­ra Pai­va: “É ab­sur­do a eli­mi­nação de lei­tos de AIDS em São Pau­lo, já que aqui o núme­ro de pes­so­as do­en­tes au­men­tou em tor­no de 70% na últi­ma déca­da”.

Nes­sa terça-fei­ra 21, do­cen­tes, pes­qui­sa­do­res, re­pre­sen­tan­tes da so­ci­e­da­de ci­vil e ins­ti­tuições di­vul­ga­ram o ma­ni­fes­to Aids no Bra­sil ho­je: O que nos ti­ra o so­no? (ínte­gra, no fi­nal des­ta matéria).

No do­cu­men­to, ma­ni­fes­tam pre­o­cu­pação com a res­pos­ta à epi­de­mia de AIDS no país, que tem for­ta­le­ci­do um sen­so co­mum de que a do­ença dei­xou de ser pro­ble­ma de saúde públi­ca. Res­sal­tam que a epi­de­mia se “es­ta­bi­li­zou” em pa­ta­ma­res al­tos, ina­ceitáveis, com in­di­ca­do­res ne­ga­ti­vos, que estão lhes ti­ran­do o so­no:

  1.  Au­men­to de 10% no núme­ro anu­al de óbi­tos. De 11.100, em 2005, foi pa­ra 12.073, em 2010. Equi­va­le a um óbi­to por ho­ra.
  2.  Re­dução do núme­ro de ges­tan­tes so­ro­po­si­ti­vas re­ce­ben­do remédio an­tir­re­tro­vi­ral pa­ra evi­tar a trans­missão do HIV ao recém-nas­ci­do. Em 2005, 53,8% ti­ve­ram aces­so. Em 2008, 49,7%. Fal­ta de di­agnósti­co e tra­ta­men­to da ges­tan­te e recém-nas­ci­do re­sul­ta em três bebês in­fec­ta­dos a ca­da dois di­as.
  3.  Au­men­to de 12% no núme­ro de ca­sos de AIDS. De 33.166, em 2005, pa­ra 37.219, em 2010.
  4.  Re­dução em al­guns es­ta­dos, co­mo São Pau­lo, da quan­ti­da­de de médi­cos e fe­cha­men­to de ser­viços e lei­tos es­pe­ci­a­li­za­dos pa­ra pes­so­as com AIDS, ig­no­ran­do o cres­ci­men­to de do­en­tes.

“Já há al­guns me­ses vári­os pes­qui­sa­do­res que par­ti­ci­pa­ram da cons­trução da res­pos­ta bra­si­lei­ra à epi­de­mia de AIDS, des­de o seu início nos anos 80, co­meçaram a con­ver­sar so­bre es­ses pro­ble­mas”, aten­ta a pro­fes­so­ra e pes­qui­sa­do­ra Ve­ra Pai­va. “Afi­nal, pas­sa­ram a ob­ser­var si­nais pre­o­cu­pan­tes.”

“De um la­do, os bons re­sul­ta­dos pro­du­zi­dos pe­las me­di­cações são gla­mou­ri­za­dos pe­la indústria far­macêuti­ca”, pros­se­gue a pro­fes­so­ra. “De ou­tro, es­sa gla­mou­ri­zação mais a ideia de que a epi­de­mia está sob con­tro­le ten­dem a fa­zer com que as pes­so­as re­la­xem nos cui­da­dos de pre­venção. So­ma­ram-se, ain­da, ou­tros fa­to­res.”

A própria Ve­ra apon­ta qua­tro im­por­tan­tes:

1. A epi­de­mia de crack, que pre­o­cu­pa to­dos e ti­ra a AIDS da li­nha de fren­te. A pre­valência de HIV en­tre usuári­os de dro­ga sem­pre foi um fa­tor de ex­pansão da epi­de­mia, es­pe­ci­al­men­te en­tre he­te­ros­se­xu­ais e mais po­bres. Não se po­de abrir mão das ações de re­dução de da­nos en­tre usuári­os de dro­gas.

2. A cri­mi­na­li­zação das ONGs, co­lo­can­do no mes­mo sa­co as cor­rup­tas, que são mi­no­ria, com as que fa­zem um tra­ba­lho que os go­ver­nos não con­se­guem re­a­li­zar. A tal pon­to que, re­pen­ti­na­men­te, a so­li­da­ri­e­da­de pas­sou a ser sinôni­mo de cor­rupção e as pes­so­as e em­pre­sas não con­tri­bu­em mais. Es­se qua­dro mais a re­ti­ra­da do fi­nan­ci­a­men­to in­ter­na­ci­o­nal (afi­nal, so­mos a 6ª eco­no­mia do mun­do!) aca­ba­ram re­du­zin­do o tra­ba­lho que ape­nas a so­ci­e­da­de ci­vil mo­bi­li­za­da e fi­nan­ci­a­da con­se­gui­ria fa­zer.

3. A di­fi­cul­da­de de se tra­tar a questão da se­xu­a­li­da­de no âmbi­to do Es­ta­do lai­co, co­mo acon­te­ceu até ago­ra. O ve­to do go­ver­no fe­de­ral às cam­pa­nhas de pre­venção vol­ta­das pa­ra a po­pu­lação gay mas­cu­li­na con­tras­ta com as de­cisões do Su­pre­mo Tri­bu­nal Fe­de­ral (STF), por ex­em­plo.

4. A re­sistência dos órgãos go­ver­na­men­tais ao con­tro­le so­ci­al da epi­de­mia pe­los mo­vi­men­tos so­ci­ais in­de­pen­den­tes. E sem es­se con­tro­le, o as­sun­to sai da agen­da. Is­so fi­cou cla­ro na XIX Con­ferência In­ter­na­ci­o­nal de Aids, re­a­li­za­da de 22 a 27 de ju­lho, em Washing­ton, EUA, que de­mons­trou que es­se con­tro­le tem im­pac­to.

A go­ta d’água pa­ra o pro­tes­to des­ta se­ma­na de do­cen­tes e pes­qui­sa­do­res foi uma de­cla­ração — in­fe­liz, di­ga-se de pas­sa­gem — do dr. Dir­ceu Gre­co num dos de­ba­tes da XIX Con­ferência.

Além de re­per­cu­tir mui­to mal en­tre par­ti­ci­pan­tes da con­ferência, es­tran­gei­ros e bra­si­lei­ros, ela deu o mo­te pa­ra o ma­ni­fes­to que já se or­ga­ni­za­va en­tre pes­qui­sa­do­res que há anos co­la­bo­ram com os pro­gra­mas de AIDS em to­do o Bra­sil. Dr. Dir­ceu Gre­co é o di­re­tor do De­par­ta­men­to de DST, Aids e He­pa­ti­tes Vi­rais do Mi­nistério da Saúde.

Diz o ma­ni­fes­to: “ao ser ques­ti­o­na­do so­bre ‘o que lhe ti­ra o so­no ho­je?’, o re­pre­sen­tan­te do go­ver­no bra­si­lei­ro res­pon­deu que ‘dor­me tran­qui­lo’. E mais: “Que na­da no Bra­sil em re­lação à AIDS lhe ti­ra o so­no”.

Dr. Dir­ceu Gre­co con­tes­ta. Leia AQUI a res­pos­ta de­le.

“É equi­vo­ca­do o dis­cur­so de tran­qui­li­da­de dos go­ver­nos mu­ni­ci­pais, es­ta­du­ais e do Mi­nistério da Saúde em re­lação ao con­tro­le atu­al da epi­de­mia, as­sim co“Não dá para fazer prevenção de AIDS sem enfrentar o debate sobre sexo, drogas e diversidade sexual” lazy placeholder­mo é ab­sur­do a eli­mi­nação de lei­tos de AIDS em São Pau­lo, já que aqui o núme­ro de pes­so­as do­en­tes au­men­tou em tor­no de 70% na últi­ma déca­da”, ad­ver­te Ve­ra Pai­va. “Co­mo a epi­de­mia está ‘es­ta­bi­li­za­da’ em núme­ros al­tos, o HIV con­ti­nua cir­cu­lan­do bas­tan­te. E, em vez de se pre­pa­rar pa­ra aten­der mais gen­te que está ado­e­cen­do, eli­mi­nam-se lei­tos em São Pau­lo. Is­so é ina­ceitável!”

Ve­ra Pai­va é pro­fes­so­ra de Psi­co­lo­gia do Ins­ti­tu­to de Psi­co­lo­gia da USP e uma das co­or­de­na­do­ras do Núcleo de Es­tu­dos pa­ra a Pre­venção da Aids, o Ne­paids-SP, um dos mais an­ti­gos gru­pos de pes­qui­sas nes­se se­tor no Bra­sil. O Ne­paids e os pes­qui­sa­do­res de ou­tros cen­tros de pes­qui­sa que as­si­nam o ma­ni­fes­to têm uma vas­ta lis­ta de tra­ba­lhos ci­entífi­cos pu­bli­ca­dos no ex­te­ri­or em epi­de­mi­o­lo­gia da AIDS, as­sistência, pre­venção e com­por­ta­men­to.

Pa­ra en­ten­der me­lhor o con­tex­to do ma­ni­fes­to e as pre­o­cu­pações dos do­cen­tes e pro­fes­so­res, lei­am o res­tan­te da en­tre­vis­ta que fiz com Ve­ra Pai­va. É uma das es­pe­ci­a­lis­tas que mais sa­bem pen­sar pre­venção de AIDS no Bra­sil.

Vi­o­mun­do – Afi­nal, quem são os pes­qui­sa­do­res que as­si­nam o ma­ni­fes­to?

Ve­ra Pai­va — São pes­so­as que par­ti­ci­pa­ram da cons­trução da co­ra­jo­sa res­pos­ta bra­si­lei­ra à epi­de­mia de AIDS, des­de o seu início dos anos 80, no go­ver­no José Sar­ney. São pes­qui­sa­do­res que sem­pre ti­ve­ram uma pos­tu­ra não par­tidária, es­ta­dis­ta. Sem­pre ti­ve­ram uma pos­tu­ra de pen­sar nas pes­so­as afe­ta­das pe­la AIDS.

Vi­o­mun­do – Até re­cen­te­men­te se di­zia que a epi­de­mia de AIDS es­ta­va sob con­tro­le no Bra­sil. O que acon­te­ceu?

Ve­ra Pai­va – No início da epi­de­mia, nós fi­ca­mos mui­to as­sus­ta­dos com a sua ex­plosão. De mo­do que quan­do se con­tro­lou a sua ex­pansão, deu aque­le tre­men­do alívio. Ufa! E o que sig­ni­fi­cou con­tro­le? Não foi o fim de­la, co­mo al­guns pen­sam equi­vo­ca­da­men­te. Foi uma di­mi­nuição da sua ace­le­ração, mas a níveis mui­to al­tos. E o que está acon­te­cen­do? As pes­so­as pas­sa­ram a re­la­xar nos cui­da­dos, já que ho­je você tem remédi­os que per­mi­tem con­tro­lar a do­ença. Não é co­mo nos anos 80 e co­meço dos 90, quan­do o di­agnósti­co de AIDS equi­va­lia uma sen­tença de mor­te.

Pes­qui­sas re­cen­tes não di­vul­ga­das mos­tram, por ex­em­plo, que os jo­vens acham que: AIDS aca­bou, AIDS não é pro­ble­ma, AIDS é coi­sa de gen­te ve­lha, da ge­ração dos pais de­les ou das bi­chas ve­lhas.

Vi­o­mun­do – No au­ge da epi­de­mia, se­gui­do­res das mais di­ver­sas re­li­giões, ven­do seus fi­lhos ado­e­ce­rem de AIDS, per­mi­ti­ram que se fi­zes­se pre­venção na es­co­la. Só que ago­ra estão con­tra. Será que acham que seus fi­lhos pa­ra­ram de tran­sar na ado­lescência?

Ve­ra Pai­va – Na­da mu­dou. In­de­pen­den­te­men­te de re­li­gião, as pes­so­as con­ti­nu­am a ini­ci­ar a vi­da se­xu­al ce­do no Bra­sil, em média, com 15 anos. Is­so acon­te­ce com cristão, católi­co, evangéli­co, ateu…

Vi­o­mun­do – Bem no co­meço da nos­sa con­ver­sa você fa­lou da indústria far­macêuti­ca. Gos­ta­ria que de­ta­lhas­se um pou­co mais es­se pon­to.

Ve­ra Pai­va – Com os gran­des avanços na área de me­di­ca­men­tos an­tir­re­tro­vi­rais, é possível con­tro­lar a epi­de­mia de AIDS com uma pre­venção bi­omédi­ca. Is­so é ver­da­de. Os últi­mos de­ba­tes são nes­se sen­ti­do. E a indústria far­macêuti­ca ob­vi­a­men­te es­ti­mu­la-os.

As­sim, é im­por­tan­te ter aces­so a es­se ti­po de in­for­mação. To­dos os pro­gra­mas de AIDS têm a obri­gação de dar es­sa in­for­mação e eles não estão li­dan­do bem com is­so.

Por ou­tro la­do, nós va­mos re­co­men­dar de for­ma ge­ne­ra­li­za­da o an­tir­re­tro­vi­ral co­mo meio de pre­venção com to­dos efei­tos ad­ver­sos que o seu uso contínuo acar­re­ta?

Ou de­ve­mos con­ti­nu­ar in­sis­tin­do na di­mi­nuição do es­tig­ma e dis­cri­mi­nação, es­pe­ci­al­men­te con­tra ho­mos­se­xu­ais, no uso de ca­mi­si­nha pe­los ho­mens, na ne­go­ciação do se­xo se­gu­ro pe­las mu­lhe­res? Se­gu­ra­men­te o se­gun­do ca­mi­nho está cor­retíssi­mo, pa­ra evi­tar a in­fecção pe­lo HIV, em pri­mei­ro pla­no, além de be­ne­fi­ci­ar também a a saúde se­xu­al e re­pro­du­ti­va.

A per­gun­ta que to­do mun­do de­ve­ria fa­zer é es­ta: quem ga­nha com a dis­se­mi­nação da in­for­mação de que está tu­do re­sol­vi­do na área de AIDS, pois se tem bons remédi­os?

Por ou­tro la­do, não é possível ne­gar es­sa in­for­mação ao usuário. Não se po­de ti­rar o di­rei­to do que está mais ex­pos­to à in­fecção pe­lo HIV e po­de­ria se be­ne­fi­ci­ar da pro­fi­la­xia à ba­se de me­di­ca­men­tos, que os ser­viços já estão ofe­re­cen­do, sem mui­ta pro­cu­ra por fal­ta de in­for­mação.

Mas te­mos que in­cor­po­rar também de mo­do in­te­li­gen­te as ou­tras ações de pre­venção, co­mo a cir­cun­cisão. Ela evi­ta a trans­missão de mu­lhe­res in­fec­ta­das pa­ra ho­mens e as mães de­vem sa­ber que po­dem even­tu­al­men­te pro­te­ger seus fil­lhos.

Vi­o­mun­do – Ou se­ja, a me­di­cação pa­ra pre­ve­nir a AIDS é um fa­to. Mas não se po­de des­pre­zar a pre­venção ba­se­a­da na ne­go­ciação do se­xo se­gu­ro e uso de ca­mi­si­nha. Se­ria por aí o ca­mi­nho?

Ve­ra Pai­va — Se­gu­ra­men­te, sim. To­mar me­di­cação an­tir­re­tro­vi­ral sig­ni­fi­ca efei­tos­co­la­te­rais. E não se po­de pri­o­ri­zar a pre­venção me­di­ca­men­to­sa. Na XIX Con­ferência, a Hil­lary Clin­ton dis­se que o mun­do po­de ter uma ge­ração sem AIDS.

Eu di­ria que, se nós não pres­tar­mos atenção a es­se pro­ble­ma e dei­xar­mos de abor­dar a se­xu­a­li­da­de, nós va­mos ter no Bra­sil uma ge­ração sem ca­mi­si­nha e com AIDS.

Al­guns po­dem di­zer: Ah, ho­je ter AIDS não é pro­ble­ma, dá pa­ra vi­ver bem. Mas al­guém es­co­lhe­ria is­so co­mo des­ti­no? E vou além. Os ges­to­res, li­de­ranças re­li­gi­o­sas e pais que re­la­xa­rem com seus fi­lhos, com os jo­vens de sua ci­da­de, a co­mu­ni­da­de e a igre­ja es­tarão sen­do com­pla­cen­tes com es­se ho­ri­zon­te.

Su­gi­ro que ve­jam o vídeo abai­xo. Ne­le, fa­lam pro­fis­si­o­nais de saúde que tra­ba­lham com AIDS des­de o co­meço da epi­de­mia, pes­so­as que vi­vem com AIDS e que di­zem “não façam se­xo sem pro­teção”. Aliás, as pre­o­cu­pações que ex­pres­sa­mos no ma­ni­fes­to estão no vídeo, que foi fei­to pa­ra o Dia Mun­di­al de Aids, 1º de de­zem­bro, e exi­bi­do em se­minário in­ter­na­ci­o­nal no ano pas­sa­do.

Vi­o­mun­do – O Mi­nistério da Saúde está aten­to a tu­do is­so?

Ve­ra Pai­va – Eu acho que eles estão acu­a­dos pe­lo de­ba­te que tor­nou a se­xu­a­li­da­de uma coi­sa difícil nu­ma eleição e, aí, estão ava­li­an­do mal.

Vi­o­mun­do — Por quê?

Ve­ra Pai­va – Os go­ver­nos fe­de­ral, es­ta­du­ais e mu­ni­ci­pais acre­di­tam que aqui­lo que as li­de­ranças re­li­gi­o­sas fa­lam pu­bli­ca­men­te do púlpi­to ou no Con­gres­so Na­ci­o­nal é o que seus se­gui­do­res fa­zem. Não é. Pas­to­res não são iguais às su­as ove­lhas. Mais de 95% das ove­lhas católi­cas, evangéli­cas, são a fa­vor de uso de ca­mi­si­nha, mais de 85% acham que se de­ve dis­tri­buir ca­mi­si­nha nas es­co­las. Também as ove­lhas co­meçam a vi­da se­xu­al com 15 anos, em média.

Então é um er­ro políti­co que des­pre­za as evidênci­as que as pes­qui­sas em se­xu­a­li­da­de, re­li­gi­o­si­da­de e pre­venção têm acu­mu­la­do. O Es­ta­do lai­co e as políti­cas de pre­venção ba­se­a­das no sa­ber técni­co ci­entífi­co são al­guns dos re­cur­sos es­tru­tu­rais mais im­por­tan­tes do con­tro­le da AIDS — em to­do mun­do!

Os go­ver­nos estão com me­do de fa­lar de se­xo, dro­gas, di­ver­si­da­de se­xu­al. Aids en­vol­ve tu­do is­so. Não dá pra fa­zer pre­venção, se­ja com que tec­no­lo­gia for, sem en­fren­tar co­ra­jo­sa­men­te es­se de­ba­te, pa­ra ga­nhar eleição!

Vi­o­mun­do – O go­ver­no está sen­do pau­ta­do por es­se dis­cur­so con­ser­va­dor?

Ve­ra Pai­va – Pe­lo me­do de per­der a eleição is­so está acon­te­cen­do em to­dos os par­ti­dos.

Vi­o­mun­do – Qual a pre­o­cu­pação de vocês ago­ra?

Ve­ra Pai­va – Aju­dar o de­ba­te públi­co so­bre AIDS a ca­mi­nhar, de no­vo, nu­ma di­reção pro­du­ti­va, man­ten­do a in­de­pendência do pen­sa­men­to acadêmi­co e do mo­vi­men­to so­ci­al, que foi fun­da­men­tal des­de os anos 1980.

A res­pos­ta bra­si­lei­ra à epi­de­mia de AIDS foi cons­truída co­ra­jo­sa­men­te con­tra es­sa pers­pec­ti­va elei­to­rei­ra. Jun­to com re­li­gi­o­sos com­pro­me­ti­dos com di­rei­tos hu­ma­nos, pe­tis­tas e tu­ca­nos, a gen­te te­ve co­ra­gem de ti­rar o véu das coi­sas. E o que está acon­te­cen­do é que am­bos estão se acu­an­do por con­ta das no­vas li­de­ranças re­li­gi­o­sas que não en­ten­dem o Es­ta­do lai­co. E não é as­sim que se faz uma políti­ca de Es­ta­do. Aids é uma políti­ca de Es­ta­do e não uma políti­ca de um go­ver­no. Nun­ca ti­ve­mos tan­tos re­cur­sos e co­nhe­ci­men­tos pa­ra con­tro­lar a epi­de­mia no mun­do. Não po­de­mos per­der es­sa opor­tu­ni­da­de. De jei­to ne­nhum!

Gru­po de pes­qui­sa­do­res de vári­as par­tes do mun­do reu­ni­dos em Washing­ton, EUA, pa­ra dis­cu­tir a res­pos­ta bra­si­lei­ra à epi­de­mia de AIDS. Ve­ra Pai­va é a do meio, na fi­la da fren­te. Fo­to: Ar­qui­vo pes­so­al

MA­NI­FES­TO: AIDS NO BRA­SIL HO­JE. O QUE NOS TI­RA O SO­NO?

En­quan­to o mun­do dis­cu­te a in­ter­rupção da trans­missão do vírus da AIDS, o Bra­sil per­de o con­tro­le so­bre a epi­de­mia e dor­me tran­qui­lo. É o que se po­de con­cluir a par­tir da XIX Con­ferência In­ter­na­ci­o­nal de Aids, re­a­li­za­da nos Es­ta­dos Uni­dos no últi­mo mês de ju­lho.

Pe­la pri­mei­ra vez na história da epi­de­mia, o mun­do ou­viu o anúncio de que o co­nhe­ci­men­to acu­mu­la­do, os com­pro­mis­sos as­su­mi­dos em nível glo­bal, as con­quis­tas no cam­po dos di­rei­tos hu­ma­nos e as tec­no­lo­gi­as ho­je dis­poníveis nos per­mi­tem am­bi­ci­o­nar a er­ra­di­cação da AIDS. Na mes­ma Con­ferência, porém, ao ser ques­ti­o­na­do so­bre “o que lhe ti­ra o so­no ho­je?”, o re­pre­sen­tan­te do go­ver­no bra­si­lei­ro res­pon­deu que “dor­me tran­qui­lo”.

A afir­mação de que a epi­de­mia de AIDS está sob con­tro­le no Bra­sil, além de fa­la­ci­o­sa, tem pre­ju­di­ca­do a res­pos­ta na­ci­o­nal, des­po­li­ti­zan­do a dis­cussão e afas­tan­do in­ves­ti­men­tos in­ter­na­ci­o­nais. Se no pas­sa­do, de­cla­rar que éra­mos o me­lhor pro­gra­ma de AIDS do mun­do le­gi­ti­mou as de­cisões ou­sa­das que ou­tro­ra ca­rac­te­ri­za­ram o pro­gra­ma bra­si­lei­ro e que tan­tos be­nefíci­os trou­xe­ram à po­pu­lação, o que te­mos ho­je é, pe­lo con­trário, um pro­gra­ma de­sa­tu­a­li­za­do, cu­jos ele­men­tos são in­su­fi­ci­en­tes pa­ra en­fren­tar a con­fi­gu­ração na­ci­o­nal da epi­de­mia.

Os atu­ais in­di­ca­do­res su­ge­rem o es­go­ta­men­to da nos­sa ca­pa­ci­da­de de in­ter­vir e de evi­tar que um núme­ro mai­or de pes­so­as se in­fec­te e mor­ra em de­corrência da AIDS.

Se é ver­da­de que ho­je te­mos co­nhe­ci­men­tos e tec­no­lo­gi­as su­fi­ci­en­tes pa­ra er­ra­di­car a AIDS, é também ver­da­de que no Bra­sil de ho­je não os es­ta­mos uti­li­zan­do em sua máxi­ma potência. Co­nhe­ci­men­tos acu­mu­la­dos não estão se trans­for­man­do em políti­cas públi­cas que nos co­lo­quem no ca­mi­nho da últi­ma déca­da da epi­de­mia. No­vi­da­des no âmbi­to das tec­no­lo­gi­as de pre­venção não estão sen­do am­pla­men­te dis­cu­ti­das e es­tu­da­das em nos­so con­tex­to. In­for­mações so­bre es­tas no­vi­da­des não estão sen­do in­cor­po­ra­das na for­mação dos técni­cos, nem no diálo­go com usuári­os e pa­ci­en­tes. Gru­pos mais vul­neráveis não estão sen­do aten­di­dos com a pri­o­ri­da­de que ne­ces­si­tam.

Re­co­nhe­cer a di­ver­si­da­de de de­man­das e ne­ces­si­da­des pre­sen­te no co­ti­di­a­no do país e cons­truir res­pos­tas que com elas di­a­lo­guem é pa­pel da políti­ca públi­ca e só po­derá ser fei­to se to­dos os se­to­res in­te­res­sa­dos fo­rem ou­vi­dos, se es­tu­dos na­ci­o­nais fo­rem fei­tos, se a ação da so­ci­e­da­de ci­vil for for­ta­le­ci­da.

É pre­ci­so ou­sa­dia pa­ra for­mu­lar políti­cas que efe­ti­va­men­te ofe­reçam à po­pu­lação con­dições pa­ra se pro­te­ger da in­fecção e do ado­e­ci­men­to por AIDS, res­pei­tan­do a au­to­no­mia dos ci­dadãos, re­du­zin­do vul­ne­ra­bi­li­da­des e as­se­gu­ran­do di­rei­tos.

É pre­ci­so ou­sa­dia pa­ra re­di­re­ci­o­nar os es­forços pa­ra o en­fren­ta­men­to da epi­de­mia nas po­pu­lações mais ex­pos­tas ao ris­co de in­fecção, ar­ti­cu­lan­do-as a ações pa­ra a po­pu­lação ge­ral.

É pre­ci­so, em sínte­se, ou­sa­dia pa­ra re­ver a res­pos­ta bra­si­lei­ra à epi­de­mia de AIDS, su­pe­rar an­ti­gos pres­su­pos­tos e ado­tar no­vas práti­cas, re­cu­pe­ran­do os princípi­os es­sen­ci­ais que fi­ze­ram da res­pos­ta bra­si­lei­ra um ex­em­plo pa­ra o mun­do.

A ca­pa­ci­da­de de re­co­nhe­cer pro­ble­mas e de mo­bi­li­zar a so­ci­e­da­de em tor­no da bus­ca de so­luções fo­ram os prin­ci­pais fa­to­res que mar­ca­ram a res­pos­ta à AIDS no Bra­sil.

Na lu­ta con­tra a epi­de­mia e em de­fe­sa dos di­rei­tos hu­ma­nos, apren­de­mos que to­dos so­mos par­te da so­lução. Mais do que dor­mir e so­nhar, que­re­mos cons­truir a mui­tas mãos as con­dições pa­ra que, no Bra­sil, a quar­ta déca­da pos­sa ser a últi­ma.

AS­SI­NAM O MA­NI­FES­TO

ADESÕES INS­TI­TU­CI­O­NAIS

Núcleo de Es­tu­dos pa­ra a Pre­venção da Aids/Uni­ver­si­da­de de São Pau­lo (NE­PAIDS/USP)

As­so­ciação Bra­si­lei­ra In­ter­dis­ci­pli­nar de Aids (ABIA)

Católi­cas Pe­lo Di­rei­to de De­ci­dir

Gru­po de Re­sistência Asa Bran­ca (GRAB)

SO­MOS – RS

Gru­po Pe­la Vid­da SP

Pro­je­to Pur­pu­ri­na – SP

Fórum de ONG/Aids de São Pau­lo

GIV – Gru­po de In­cen­ti­vo à Vi­da – SP

GA­PA – RS

RNP+ Núcleo Rio de Ja­nei­ro

GA­PA – SP

Re­de Na­ci­o­nal de Re­li­giões Afro-Bra­si­lei­ras e Saúde

Sa­patá – Re­de Na­ci­o­nal de Pro­moção e Con­tro­le So­ci­al em Saúde de Lésbi­cas Ne­gras

Fórum Ong Aids/RS – RS

CA­A­AIDS -SÃO GONÇALO/RJ

Núcleo de Iden­ti­da­des de Gêne­ro e Sub­je­ti­vi­da­des (NIGS)/Uni­ver­si­da­de Fe­de­ral de San­ta Ca­ta­ri­na (UFSC)

Gru­po de Apoio a Pre­venção a Aids do DF – GA­PA/DF

Fórum de Ongs Aids do Dis­tri­to Fe­de­ral, DF

Re­de GA­PA, SP

Cen­tro de Pro­moção da Saúde (CE­DAPS), RJ

ADESÕES IN­DI­VI­DU­AIS

Ve­ra Pai­va – USP/SP

Ri­chard Par­ker – Co­lum­bia Uni­ver­sity, EUA/ABIA – RJ

Ale­xan­dre Gran­gei­ro – USP/SP

Ma­ria Amélia Ve­ras – San­ta Ca­sa/SP, José Ri­car­do Ay­res – FMUSP/SP

Fran­cis­co Pe­dro­sa – GRAB/CE

Fran­cis­co I. Bas­tos – FI­O­CRUZ/RJ

Cris­ti­na Ama­zo­nas – UNI­CAP/PE

Ga­bri­e­la Ca­la­zans – San­ta Ca­sa e Ne­paids-USP/SP

Dul­ce Fer­raz – Ne­paids-USP/SP

Ila­na Moun­ti­an, UFMG/MG

Ales­san­dro San­tos – IPUSP/SP

Ma­ria Al­ten­fel­der – FMUSP/SP

Hen­ri­que Nar­di – UFRGS/RS

Mar­cos Gar­cia – UFS­Car, SP

Cris­ti­a­ne Gonçal­ves – UNI­FESP – Bai­xa­da San­tis­ta, SP

Fer­nan­do Po­cahy – UNI­FOR, CE

Si­mo­ne Mon­tei­ro – FI­O­CRUZ, RJ

Mário Schef­fer – FMUSP/ Pe­la Vid­da, SP

Ivan França Ju­ni­or – FSP-USP, SP

Cas­sia Ma­ria Bu­chal­la – FSP-USP, SP

Lau­ra Mur­ray – ABIA, RJ

Ve­ri­a­no Ter­to Ju­ni­or – ABIA, RJ

Valéria Mel­ki Bu­sin – FAC­CAMP, SP / CDD

Eli­a­na Zuc­chi – FSP-USP, SP

Re­na­to Bar­bo­za – Ins­ti­tu­to de Saúde, SP

Ju­an Car­los Ra­xa­ch – ABIA, RJ

Mar­co Pra­do, UFMG, MG

Gus­ta­vo Ven­tu­ri – FFL­CH-USP, SP

Sérgio Ro­dri­gues – CRD, SP

Gra­zi­el­le Ta­gli­a­men­to – Ne­paids-USP, SP / SC

Di­va Mo­re­no – LA­SA­MEC (FSP-USP) e NE­PAIDS/USP, SP

An­drea Pau­la Fer­ra­ra – SP

Luiz Fa­bio Al­ves de Deus – FSP-USP, SP

Je­a­ne Félix – DF

Dag­mar Meyer – UFRGS

RS, Inês Dou­ra­do – UF­BA

BA, Li­an­dro Lind­ner – GA­PA/SP, SP

Jor­ge Be­lo­qui – GIV, SP

Fer­nan­do Seff­ner – UFRGS, RS

Luis Fe­li­pe Ri­os – UF­PE, PE

Car­los Ebe­ling Du­ar­te – GA­PA/RS

Ana Glória Pi­res – RJ

Wil­li­an Ama­ral – RNP+ Núcleo RJ

He­le­na Edi­lia Li­ma Pi­res – GA-ASC, SC

Io­lan­da Li­ma Pi­res – SC

Ro­ber­to Cha­te­au­bri­and Do­min­gues – MG

Di­e­go Leis­mann de Qua­dros – So­mos, RS

San­dra Mel­lo Pe­rin – GA­PA-RS

Eri Ishi­mo­to, SP

Ana José Al­ves – CM­NE­GRASMS, MS

Ana Bri­to – CPqAM FI­O­CRUZ, PE

Be­a­triz Grinsz­tejn – IPEC FI­O­CRUZ, RJ

Val­di­lea Gonçal­ves Ve­lo­so – IPEC FI­O­CRUZ, RJ

Cris­ti­na Pos­sas – IPEC FI­O­CRUZ, RJ

Lígia Kerr – UFC, CE

Lu­zia Oli­vei­ra, SP

Wag­ner Fi­guei­re­do – UFS­Car, SP

Te­re­zi­nha Pin­to, SP

Re­gi­na Ma­ria Bar­bo­sa – UNI­CAMP, SP

Ci­re­ne Sil­va, SP

An­to­nio Au­gus­to Sou­za Mar­ques, RJ

Graça Por­te­la, RJ

Ma­ria He­loi­sa Ge­bran, Pro­gra­ma Mu­ni­ci­pal de DST/HIV/AIDS de Várzea Pau­lis­ta, SP

Car­la Vor­satz – IPEC/FI­O­CRUZ, RJ

Mar­cia de Avi­la Ber­ni Leão – FBB, RS

Jud­son Clay­ton Ma­ci­el – Re­de de Ações Ur­gen­tes da Anis­tia In­ter­na­ci­o­nal, RJ, Re­gi­na Ce­lia Pe­dro­sa, SP

Plínio Mósca – AMAR A VI­DA, RS

Eli­za­be­te Fran­co Cruz- EA­CH USP e GIV, SP

GUA­CI­A­RA – CA­A­AIDS, SÃO GONÇALO/RJ

Ni­lo Mar­ti­nez Fer­nan­des – IPEC/FI­O­CRUZ, RJ

Ma­ria Re­gi­na Co­trim Gui­marães – IPEC/Fi­o­cruz, RJ

Ana Pau­la San­tos Brit­to, RJ

Te­re­za Cris­ti­na – Hos­pi­tal da La­goa, RJ

Ma­ria Mer­ce­des Es­cu­der – Ins­ti­tu­to de Saúde, SP

Li­gia Ri­ve­ro Pu­po – Ins­ti­tu­to de Saúde -SES/SP

Re­na­ta Bel­len­za­ni -UFMS e NE­PAIDS, MS

Ale­xan­dre Gonçal­ves de Sou­za, San­tos/SP, Ken­neth Ca­mar­go Jr. – UERJ, RJ

Jai­me Mar­ce­lo Pe­rei­ra – RNP+ Núcleo Médio Pa­raíba, RJ

Clau­dia – UNI­GRAN­RIO, RJ

Mar­got Fetz­ner, RS

Ca­mi­la Pi­men­tel – GA­PA Bahia, BA

San­dro Ka – SO­MOS – Co­mu­ni­cação, Saúde e Se­xu­a­li­da­de, RS

San­dra Brig­nol – ISC/UF­BA, BA

Ce­les­te do Rosário San­tos – SAE Du­tra, SP

Le­o­nar­do Em­ma­nu­el Cer­quei­ra Rêgo, RJ

Lau­ro Stoc­co, DF

Clau­dio Gru­ber Mann – Ins­ti­tu­to de Psi­qui­a­tria da UFRJ, RJ

Luiz Gus­ta­vo San­tos – HUCFF-UFRJ, RJ

Eli­sa­beth Bahia, SP

Ma­nu­el­la Do­na­to – GY­CA – Glo­bal Youth Co­a­li­ti­on on HIV/AIDS, PE

RO­NAL­DO IS­ME­RIO MO­REI­RA – INS­TI­TU­TO DE PES­QUI­SA CLÍNI­CA EVAN­DRO CHA­GAS – IPEC/FI­O­CRUZ, RJ

Ro­nal­do Go­mes Ne­ves, SP

Ro­ni Li­ma – ALIA, PR

Mo­ni­ca Mal­ta – FI­O­CRUZ, RJ

Yo­ne Fon­se­ca – IP/USP, SP

Clau­dia de Qua­dro, RS

Os­val­do F R Lo­bos Fer­nan­dez – Di­a­do­rim – UNEB, BA

Ms. Clau­dio Ga­ba­na – UFRGS/PM-IMBÉ-RS

Eli­a­ne Gonçal­ves, SP

Lívia La­cer­da – MNCP RNP+ GAMPS, BA

Ma­ria Lu­cia Gon­za­ga de Aze­ve­do – UFRJ, RJ

Ce­li­na Bo­ga – FI­O­CRUZ, RJ

Mar­ce­lo, RJ

Eni Fer­rei­ra, Ati­vis­ta in­de­pen­den­te, RS

Cris­ti­na M. Igre­ja, RJ

Ju­li­an Ro­dri­gues – COR­SA- gru­po de DH, SP

Ed­na Pi­nho – Gru­po Gin­ga, BA

Fran­cis­co C G Al­bu­quer­que, SP

Ma­ria Cris­ti­na An­tu­nes – Uni­ver­si­da­de Tuiu­ti do Pa­raná, PR

Syl­vio – FDE, SP

Va­le­ria U A Vi­dal – UFF, RJ

Fer­nan­do Ca­sa­dei Sal­les, Pro­fes­sor Uni­ver­sitário Apo­sen­ta­do, SP

Pau­lo Ce­zar de Oli­vei­ra Ju­ni­or, RJ

Ivan de Oli­vei­ra – SME, RJ

Fran­cis­co Ro­dri­gues (Ki­ko) – GA­PA/PA, PA

Dou­glas Ro­cha, SP

Mar­ce­lo Ti­a­go Mo­re­no – Pu­bli­citário, RJ

Ales­san­dra Zam­be­li Al­ber­ti, RS

Lu­ci­a­no Pra­ta Sem, SP

Sil­via Re­gi­na de Sou­za, RS

José Al­ber­to Bra­ga, RJ

Tânia Ver­ga­ra, RJ

Fe­li­pe Bru­no Mar­tins Fer­nan­des – NIGS/UFSC, SC

Lu­ci­a­ne Quin­ta­ni­lha Falcão – OLE/NEPP-DH/UFRJ, RJ

Re­gi­na Ma­ria La­cer­da – ASP­PE, SP

Lu­cia Gat­ti, SP, Mar­cia Cu­nha, SP

Tha­ti­a­na Pa­che­co Oli­vei­ra Kas­bur­go Pe­rei­ra, SP

Car­los Gui­lher­me do Val­le – Uni­ver­si­da­de Fe­de­ral do Rio Gran­de do Nor­te, RN

Ma­ri­ve­te Ges­ser – UFSC, SC

Eli­as Ve­ras – UFSC, CE

Luiz Al­ber­to Simões Vol­pe – RNP+ BR Núcleo Es­ta­du­al SP e Gru­po Hi­pu­pi­a­ra, SP

Car­los Va­ral­do – Gru­po Oti­mis­mo de Apoio a Por­ta­do­res de He­pa­ti­te, RJ

Fabíola Taíse da Sil­va Araújo – UFRN, RN

Ivia Mak­sud – UFF, RJ

Re­na­to da Mat­ta – Fo­rum de Ongs/Aids Do RJ, RJ

Clau­dia Ro­dri­gues de Oli­vei­ra Bar­bo­sa – fun­ci­onária da saúde Mu­ni­ci­pal, Ri­beirão das Ne­ves/MG

Sérgio Luís Fu­na­ri – II­E­mi­lio Ri­bas, SP

Wi­li­am Pe­res – UNESP/As­sis, SP

DI­A­LA MA­GA­LHÃES – GRU­PO SAPHOS, BA

SIL­VAN­DI­RA CAL­DEI­RA – AR­CRO­ET­SUL­BA, BA

Eras­mo Ga­ma – Ar­ti­cu­lação Aids RN, RN

RA­FA­EL DU­AR­TE – GRU­PO SAPHOS, BA

Cinthia Oli­vei­ra – Lab-EshU, PE

Stephen Berg, RJ, Sil­via Kirs­ch­baum, RJ

Sil­via Han­sen, RS, Su­za­ne Li­ma da Sil­va, RS

Ser­gio Go­mes da Sil­va – UFRJ, RJ

Ke­lin Zab­tos­ki, RS, Ari Co­lat­ti – De­fi­ci­en­tes em Ação, SP

Ma­ria Amélia Lo­ba­to Por­tu­gal – U.F.E.S., ES

Ale­xan­dre Hen­ri­que do Nas­ci­men­to Frei­tas – UF­PE, PE

Jair Brandão de Mou­ra Fi­lho – GES­TOS, PE

Ju­lio As­sis Simões – USP, SP

Li­gia Bahia – UFRJ, RJ

Dreyf de As­sis Gonçal­ves – ABEP­SI/FE­NE­PAS, SP

Thi­a­go Ba­tis­ta – UFRGS, RS

Tânia Ma­ria Guel­pa Cle­men­te – Pro­gra­ma DST/Aids Bra­gança Pau­lis­ta, SP

LUIZ MOTT – GGB UF­BA, BA

Ra­fa­e­la, RJ

EDU­AR­DO FOR­TI HOLST, RJ

An­der­son Mei­nen, RS

Pris­ci­la Pa­van De­to­ni – UFRGS, RS

Clau­dia Bar­ros Ber­nar­di, Cam­pi­nas/SP

Luiz Car­los Pe­rei­ra Jr – Ins­ti­tu­to Emi­lio Ri­bas, SP

Jor­ge Fi­li­pe, BA

Ma­ria Cos­ta Cer­mel­li, RJ

Ti­a­go Ro­dri­go Ma­rin – Ins­ti­tu­to de Psi­co­lo­gia da Uni­ver­si­da­de de São Pau­lo, SP

Da­ni­e­la Car­de­al da Sil­va – HCF­MUSP, SP

Cris­tovão Bar­ros, SP

Ales­san­dra Mo­ra­es – CO­VEP/SES-MT, MT

Adri­a­na Cos­ta, SP

Ivan, PI

Lu­cas Pas­sos de Mo­rais, BA

He­loi­sa Ha­na­da – Cen­tro de Re­fe­ren­cia e Trei­na­men­to em DST/AIDS, SP

Ma­ria He­le­na Sou­za da Sil­va – IMAIS, BA

Mar­co Aurélio Máxi­mo Pra­do – Núcleo de Di­rei­tos Hu­ma­nos e Ci­da­da­nia LGBT da UFMG, MG

De­ni­se Za­ka­bi – Ne­paids, CE

Si­o­neia – DST/AIDS, MS

Da­vid Uip – Emi­lio Ri­bas, SP

Mar­cia Ri­bas – GA­PA/DF, DF

Láza­ro Luis Lu­cas, DF

Clau­dia do Val – CTA São Ma­teus

ANA LU­CIA PI­NHEI­RO, RNP+Bra­sil, RJ

Jor­ge Go­mes, RJ, Da­ni­e­la Knauth – UFRGS, RS

Ca­ro­li­na Ca­e­ta­no Drum­mond de Mo­rais – UNI­FESP, SP

Ru­bens Raf­fo Pin­to – RNP- NÚCLEO POR­TO ALE­GRE, RS

Mar­cia The­re­za Cou­to Falcão – De­par­ta­men­to de Me­di­ci­na Pre­ven­ti­va, FMUSP, SP

Adri­a­na Xa­vi­er Dor­ta – Núcleo Lon­dri­nen­se de Re­dução de Da­nos, PR

Ale­xan­dre, MG

Nei­de Emy Ku­ro­kawa e Sil­va – Uni­ver­si­da­de Fe­de­ral do Rio de Ja­nei­ro, RJ

Ma­ria Adrião, SP

Tâma­ra New­man Lo­ba­to Sou­za – Ins­ti­tu­to de In­fec­to­lo­gia Emílio Ri­bas, SP

Jo­se Can­di­do da Sil­va – RNP+PE ar­ti­cu­lação Aids/PE, PE

An­na Pau­la Ven­ca­to – CIS/UFS­Car, SP

Car­los B. Dem­koff de Al­mei­da, SP

Adri­a­na Pi­nho – Fi­o­cruz, RJ

Jor­ge Knij­nik – Uni­ver­sity of Wes­tern Syd­ney, NSW

Wi­ley Pe­rei­ra da Sil­va – As­so­ciação Kay­ros, GO

Wed­na Ga­lin­do, PE

Ana Pau­la Bohn Kas­pary, SP

Adle­ne An­dra­de, PE

So­nia Corrêa – ABIA e Ob­ser­vatório de Se­xu­a­li­da­de e Políti­ca, RJ

Márcia Tral­di – CAPS Pro­fes­sor Luís da Ro­cha Cer­quei­ra , SP

Bi­an­ca Bru­nel­li Edu­ar­do – FMUSP, SP

Nel­son So­la­no Vi­an­na – GA­PA SP, SP

Be­to de Je­sus – Ins­ti­tu­to Ed­son Ne­ris, SP

Ti­a­go Ki­etz­mann, SP

Ma­ria Ines B. Ne­mes – FMUSP, SP

Cátia Li­ma San­tos, BA

Ri­ar­do To­mio Akiya­ma – GIV-Gru­po de In­cen­ti­vo à Vi­da, SP

Ka­rin Lucy, SP

Cris­ti­na Câma­ra – Aci­ca­te: Análi­ses So­ci­o­cul­tu­rais, SP

Car­li­to Vi­ei­ra de Mo­ra­es – UFSM, RS

Sa­ra, RS

Fa­bi­a­na Ga­bas Kallás – Ins­ti­tu­to de In­fec­to­lo­gia Emi­lio Ri­bas, SP

Fla­vio Re­sen­de, DF

Ce­res Vi­dal, RJ

Luís Hen­ri­que Sac­chi dos San­tos – Fa­cul­da­de de Edu­cação – UFRGS, RS

An­to­nio Ca­bral, RJ

LU­CI­A­NE CAR­RA­FA SAN­TA­NA – AS­TRA­ES, SÃO MA­TEUS

Ludy­mil­la An­der­son -San­ti­a­go

Car­los – Anav Trans (As­so­ciação de Apoio e de Va­lo­ri­zação à Vi­da de Tra­ves­tis, Tran­se­xu­ais e Transgêne­ro do Dis­tri­to Fe­de­ral e En­tor­no), DF

Lu­ci­a­na de Re­zen­de Cam­pos Oli­vei­ra – PPRI-UERJ, RJ

Re­gi­na Bu­e­no – GPV/RJ, RJ

Ara­naí Gua­raby­ra, SP

SAN­DRA APA­RE­CI­DA DE AL­MEI­DA – FA­CE­NE/UFPB, PB

Me­la­nia Ven­ca­to, SC

Eli­sa­beth Anhel Fer­raz, RJ, He­loi­sa Lo­pes, SP

António Car­los C Cor­reia, AP

Re­gi­na H Simões Bar­bo­sa – Ins­ti­tu­to de Es­tu­dos em Saúde Co­le­ti­va/UFRJ, RJ

Te­re­sa Se­a­bra – UF­MA, MA

Fa­bio Edu­ar­do, SP

Pau­lo Ro­ber­to Gi­a­co­mi­ni – RNP+ Bra­sil, SP

Esaú Cus­to­dio João Fi­lho – Hos­pi­tal Fe­de­ral dos Ser­vi­do­res do Es­ta­do, RJ

ROGÉRIO LUÍS SO­A­RES DA SIL­VA – GRU­PO DE APOIO À PRE­VENÇÃO À AIDS/GA­PA, TAU­BATÉ/SP

Syl­via Ca­va­sin, SP, San­dra Wag­ner Car­do­so – IPEC/FI­O­CRUZ, RJ

Vitória Ma­ria Mo­rei­ra Bo­tas – Gru­po de In­cen­ti­vo à Vi­da, SP

Car­los Edu­ar­do Va­lim Ro­cha, SP

Tha­les de Sou­za Do­ni­ni Pa­nis­sa, SP

An­dre­za M San­tos, SP

Re­gi­na Fer­ro do La­go – UFRJ, RJ

RU­TE BAR­RE­TO RA­MOS, SP

Leo Mo­rei­ra Sá – ABHT – As­so­ciação Bra­si­lei­ra de Ho­mens Trans, SP

Da­ni­lo Go­mes Da Sil­va, RJ

Al­do Xi­me­nes, SP

Fer­nan­da Ca­la­zans, SP

Mar­cio Fer­rei­ra Ber­nar­di­no, SP

An­dre G. B. Vil­le­la, RJ

Nei Var­gas da Ro­sa, RS

Ane­li­se Gi­a­co­met, GA­PA/RS

Es­per Kallás, Fa­cul­da­de de Me­di­ci­na da USP – SP

Luís Au­gus­to Vas­con­ce­los da Sil­va – UF­BA/BA

Jo­se­a­ne San­tos Bar­bo­sa, BA, Eli­a­ne Pei­xo­to, UFMG – MG

Har­ley Hen­ri­ques do Nas­ci­men­to – GA­PA BA/BA

Mark Gui­marães UFMG – MG

Nei­de Gra­va­to G Sil­va – As­so­ciação San­tis­ta de Pes­qui­sa Pre­venção e Edu­cação em DST/AIDS – SP

Ota­vio Zi­ni – SC, Clau­de­mir Gonçales – Bal­neário Cam­bo­riú/SC

LA­ER­TE AR­NAL­DO SIL­VA – RE­CI­FE/PE

Wil­za Vi­ei­ra Vil­le­la – UNI­FESP/UNI­FRAN – SP/SP

Alui­sio Se­gu­ra­do – FMUSP/SP

Ar­ce­li­no Lo­pes Pe­rei­ra, RJ

Lúcia Ca­val­can­ti de Al­bu­quer­que Wil­li­ams – Un­vi­er­si­da­de Fe­de­ral de São Car­los/SP

Dur­val Ro­dri­gues Cas­te­lo Bran­co Ne­to, UF­MA/MA

PS do Vi­o­mun­do: O ma­ni­fes­to foi lançado na terça-fei­ra 21 com a as­si­na­tu­ra de 14 ins­ti­tuições e 54 de do­cen­tes, pes­qui­sa­do­res e re­pre­sen­tan­tes da so­ci­e­da­de ci­vil. Na quar­ta 22, com as no­vas adesões, as as­si­na­tu­ras de ins­ti­tuições to­ta­li­za­vam 17 e as in­di­vi­du­ais, 114 .

Fonte: VioMundo

Por Con­ceição Le­mes


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