Nas prisões do Reino Unido, mais de um terço dos casos de TB são resistentes aos medicamentos
De acordo com um estudo publicado no Journal of Epidemiology and Community Health, muitos reclusos no Reino Unido com tuberculose têm uma forma de doença resistente aos medicamentos.

Os investigadores também demonstraram que a maioria dos casos de tuberculose (TB) nos reclusos era potencialmente infecciosa. Além disso, a maioria dos reclusos não completou a terapêutica para a TB no prazo de um ano e mais de um quarto dos que recebiam tratamento para a infecção na altura da libertação abandonaram subsequentemente o programa de tratamento.
Os investigadores escrevem que “Este estudo constatou níveis extremamente elevados de resistência aos medicamentos entre os casos de tuberculose diagnosticados nas prisões do Reino Unido. Também, foi frequente…que os reclusos tivessem uma forma infecciosa da doença e que não completassem o tratamento, sendo a gestão da doença complicada por causa de transferências, libertações e factores sociais”.
O Reino Unido é um país com baixa prevalência de TB, mas a incidência da doença tem aumentado nos últimos anos. Os reclusos são um dos grupos reconhecido como estando em risco elevado de infecção.
Além disso, os reclusos têm muitas vezes outros factores sociais e clínicos que os tornam mais vulneráveis à TB e à progressão da doença, tais como abuso de drogas e álcool, serem sem abrigo e a infecção pelo VIH. Nas prisões do Reino Unido, tem sido reportada a transmissão da TB e um surto de infecção resistente em Londres foi associado, em muitos dos casos, à reclusão.
Investigadores examinaram as características dos reclusos diagnosticados com TB no Reino Unido entre 2004 e 2007 e compararam estas com as de outras pessoas diagnosticadas com a infecção. Foram, também, recolhidas informações sobre taxas de resistência, resultados dos tratamentos e clusters de infecções (ou seja grupos de infecções altamente inter-relacionados).
Durante os quatro anos do estudo, um total de 205 reclusos foram diagnosticados com TB. Isto representou menos de 1% dos 29.340 dos casos de TB detectados durante este período.
Os reclusos com TB diferiram dos outros com a infecção em vários aspectos importantes.
Havia mais probabilidade de terem nascido no Reino Unido (47% vs. 25%) e de serem negros das Caraíbas (18% vs. 2%) ou caucasianos (32% vs. 22%).
Além disso, havia mais probabilidade de os reclusos terem TB pulmonar (75% vs. 56%) e por isso serem potencialmente infecciosos – exame de expectoração positivo (69% vs. 57%).
A TB resistente a pelo menos um medicamento foi detectada em 35% dos reclusos. Apesar de constituírem apenas 1% de todos os casos de TB, os reclusos representam 4% de todos os diagnósticos da TB com resistência ao medicamento de primeira linha, isoniazida. Este valor aumentou para 10% quando os investigadores limitaram a análise aos doentes nascidos no Reino Unido.
Os reclusos também tiveram resultados inferiores no tratamento. Menos de metade completaram a terapêutica para a TB no prazo de um ano (48% vs. 80%) e 21% dos reclusos abandonaram o programa de tratamento após a libertação. Mais de metade (55%) destes doentes tinha TB resistente aos medicamentos.
Os investigadores comentam, que “Os níveis elevados de resistência aos medicamentos e a baixa proporção de reclusos a completarem o tratamento no prazo de um ano é preocupante”.
Embora houvesse menos probabilidade de os reclusos falecerem enquanto sob terapêutica para a TB em comparação com os outros, os investigadores notaram que a idade média de morte foi mais baixa do que nos outros doentes (48 vs. 70 anos).
Os resultados das amostras obtidas de 57 doentes mostraram que 60% dos casos de TB pertenciam ao mesmo cluster.
“No entanto, neste estudo não é possível atribuir a transmissão à reclusão”, escrevem os autores. Apesar disso sugerem, que “as estruturas das prisões, pelo facto de congregarem as pessoas, podem contribuir para a transmissão”.
Os investigadores concluem que “taxas elevadas de tuberculose, especialmente de tuberculose resistente aos medicamentos entre os reclusos, juntamente com níveis baixos de tratamento bem sucedido tornam o controlo da tuberculose entre os reclusos um desafio exigente. Estes resultados corroboram as linhas de orientação nacionais que recomendam que os reclusos sejam rastreados à entrada, que todos os que estão em tratamento recebam a terapêutica directamente observada (DOT) e que seja assegurada a continuidade dos cuidados de saúde para os casos de transferência e libertação.
Referência
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