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Tuberculose Volta A Matar Pessoas Vivendo COM HIV

Tuberculose volta a matar pessoas vivendo com HIV em grandes e assustadores números.

Mortalidade associada a coinfecção HIV/AIDS + Tuberculose é a maior desde 2006

Quando fui diagnosticado portador de HIV estava com baixa contagem de CD4 e minha vida foi virada de pernas para o ar por conta do preconceito.

Parte disso foi de imensa responsabilidade minha.

Eu não guardava, não cuidava do que ganhava, não respeitava os sentimentos que muitas vezes eram apontados em minha direção.

Eu brincava de viver e, se posso dizer algo em minha defesa, é que eu não tive um período de adolescência.

Fugitivo de meu pai, ainda pós-púbere deixei minha casa, por conta da violência de meu pai. Há algo sobre isso no blog e basta seguir o link ou QRCode.

As consequências naturais destas ausências foi uma personalidade confusa.

E ainda mais abalada pela mulher que foi mãe de minhas filhas.

Eu semeei meu caos, como quem planta espinheiros em um caminho pelo qual vai e, lá na frente, deparei-me com um beco sem saída e tive de me virar com os espinhos que plantei, agora crescidos, graúdos e apontados para mim. É a leu de causa e efeito. Causalidade é tudo, disse “Merovígnio” em Matrix. E é mesmo.

Bem, com esta lambança toda em volta de mim, acabei em uma casa de apoio. Esta foi, como base de recuperação inicial de minha saúde. Ganhei peso, me alimentei, e comecei a tentar planejar meu futuro.

Em especial após ter sobrevivido aos primeiros seis meses. A quase que totalidade das pessoas que ali coabitavam comigo, viam, ali, um excelente espaço para esperar a morte chegar.

Tudo o que eu desejei foi reiniciar minha vida!

Isso, claro, após absorver todos os impactos do diagnóstico, da subversão de minha realidade, da perda de minha posição, meu “Status Quo”.

No entanto, o local era um foco de tuberculose e eu rapidamente contraí e desenvolvi tuberculose ativa. Meu CD4, creio, estava abaixo de 150 e estar vivo, hoje, dadas as condições iniciais desta luta, residem no domicílio do milagre.

Sabia as complicações e dificuldades que poderiam vir se eu falhasse no tratamento da TB (Tuberculose). Creia, após duas experiências frustradas em duas casas de apoio, optei pelas ruas para reiniciar minha vida. Era mais seguro (creia, era!) e, a0o menos, eu podia cuidar de mim conforme eu entendia e sabia ter de ser.

Mulheres com mais de 50 anos vivendo com HIV São Negligenciadas

Parte de meu complicado tratamento contra a tuberculose foi feito eu habitando as calçadas e marquises do Bom Retiro, região no Centro de São Paulo, não muito distante da cracolândia.

Venci a tuberculose e, sim, dadas as condições em que tive de lutar, esta é uma vitória absolutamente minha.

E é por conta desta experiência que, neste instante, abrindo a página da UNAIDS, ao me deparar com determinada notícia, resolvi, de estalo, narrar estes fatos, colar parte da publicação da UNAIDS que me causou tal alarme, assim intitulada:

 

Pela primeira vez desde 2006 aumentam as mortes por tuberculose entre pessoas vivendo com HIV

Isso me leva a reiterar a pergunta: estar indetectável basta?

 

A tuberculose é bem indiferente a altas contagens de CD4. Saúde da pessoa com HIV inclui dez milhões de trilhões de outros aspectos.

A tuberculose (TB) é a principal causa de morte entre as pessoas vivendo com HIV, responsável por cerca de um terço das mortes relacionadas à AIDS em todo o mundo. Esforços coordenados e intensificados para prevenir, diagnosticar e tratar as duas doenças resultaram em um declínio de 68% nas mortes por tuberculose entre pessoas vivendo com HIV entre 2006 e 2019. Entretanto, em seu Relatório Global de Tuberculose de 2021, a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou que as mortes por TB entre pessoas vivendo com HIV aumentaram pela primeira vez em 13 anos, de 209 mil, em 2019, para 214 mil, em 2020.

“O aumento das mortes por TB entre pessoas vivendo com HIV é alarmante e demonstra a fragilidade do progresso pandêmico”, disse Winnie Byanyima, diretora-executiva do UNAIDS. “Quando a pandemia de COVID-19 começou, a atenção global sobre o HIV e a TB mudou à medida que o mundo se concentrava em enfrentar a nova pandemia. Isto significou vidas perdidas desnecessariamente e importantes metas para o HIV, TB e outras doenças deixando de ser alcançadas. São necessárias ações urgentes e maiores investimentos para nos colocar novamente no caminho certo”.

Probabilidades 1800% Maiores

As pessoas vivendo com HIV têm 18 vezes mais chances de desenvolver tuberculose. Embora cerca de 85% das pessoas que desenvolvem a TB possam ser tratadas com sucesso, as taxas de sucesso do tratamento para pessoas vivendo com HIV são muito menores, em torno de 77%. Isto demonstra a importância de aumentar os esforços de prevenção, bem como o tratamento das duas doenças.

A ação coletiva nesta área tem salvado vidas nos últimos anos. Entre 2018 e 2020, cerca de 7,5 milhões de pessoas vivendo com HIV receberam tratamento preventivo contra a tuberculose, superando a meta global de seis milhões. Entretanto, muito mais precisa ser feito para enfrentar as desigualdades subjacentes que continuam a alimentar a propagação do HIV e da TB.

Pessoas refugiadas e deslocadas correm um risco particularmente alto de desenvolver a TB. No final de 2020, o Escritório do Alto-comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) estimou que 82,4 milhões de pessoas em todo o mundo foram deslocadas de suas casas. A guerra na Ucrânia já forçou 3,5 milhões de pessoas a fugir do país e outras milhões estão desalojadas internamente. É fundamental que a Ucrânia e seus países vizinhos recebam apoio urgente para fornecer serviços de saúde essenciais para as pessoas afetadas pela guerra, incluindo serviços para tuberculose e HIV.

A Crise Emergente da Tuberculose é Séria

“Neste momento de crise, há uma oportunidade de construir um futuro resistente à pandemia se as lideranças trabalharem de forma conjunta para enfrentar as desigualdades que colocam todas as pessoas em perigo”, disse Winnie. “Enquanto a AIDS, a TB e a COVID-19 se espalham de maneiras únicas, estamos observando como cada uma delas é impulsionada pela desigualdade social e econômica que deixa algumas comunidades mais vulneráveis e o mundo inteiro em risco. Temos a opção de enfrentar essas desigualdades ou deixar que essas pandemias continuem no poder está em nossas mãos”.

A leitura completa, para quem tem HIV, ou AIDS, porta, ou não, tuberculose, é MANDATÓRIA, portanto, deixo o link aqui.

 

Há Vida com HIV.

Use camisinha e PrEP como segunda camada de proteção.

Cuide-se bem

 

 

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