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No Reino Unido, uma em cada dez pessoas com gonorreia tem uma estirpe com redução da susceptibilidade ao tratamento

Roger Pebody
Published: 01 September 2010
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Dependendo da definição utilizada para resistência, entre 1% e 10% das pessoas com gonorreia, no Reino Unido, têm uma estirpe que é resistente ao antibiótico usualmente utilizado para tratar a infecção. Os dados divulgados pela Health Protection Agency chamam a atenção para o risco de o tratamento se tornar ineficaz, mas também salientam que os casos de falência terapêutica permanecem raros.

O órgão de saúde pública divulgou também dados que demonstram que, um pouco menos de meio milhão de novos diagnósticos de infecções por via sexual foram recolhidos em 2009, continuando a tendência ascendente observada na última década. O maior número de diagnósticos efectuados corresponde à faixa etária de jovens com idade inferior a 25 anos.

Gonorreia resistente aos tratamentos

Os antibióticos recomendados para o tratamento da gonorreia têm vindo a mudar, uma vez que as estirpes da bactéria desenvolveram resistência aos medicamentos já existentes. No final da década de 90, a resistência à classe das quinolonas (por exemplo a ciprofloxacina) levou a que se abandonasse esta classe de medicamentos como tratamento de primeira linha, tendo sido substituída por medicamentos da classe das cefalosporinas (como por exemplo, cefixima, ceftriaxone).

Mas, embora a ciprofloxacina já não seja amplamente prescrita no Reino Unido, um terço de novas infecções de gonorreia são de estirpes resistentes a este fármaco. Da mesma forma, um quinto dos doentes tem uma estirpe que é resistente à penicilina e, dois terços, uma estirpe resistente à tetraciclina. Com tantas opções de tratamento já exploradas, seria preocupante se os tratamentos agora utilizados se tornassem ineficazes nos próximos anos.

A Health Protection Agency’s Gonococcal Resistance to Antimicrobials Surveillance Programme (GRASP) tem monitorizado esta questão desde 2000. O programa conduziu  testes de susceptibilidade antimicrobiana em isolados de N gonorrhoeae, recolhidos em 26 clínicas de saúde sexual no Reino Unido e no país de Gales. Em 2009, 1 395 amostras foram testadas. Tendo em conta a epidemia geral da gonorreia, um elevado número de amostras vieram de homens que têm sexo com homens (38%) e, um terço destes estava infectado pelo VIH. Entre as mulheres (28%) e os homens heterossexuais (34%), percentagens significativas correspondiam à faixa etária inferior a 25 anos e também a pessoas de origem afro-caribiana.

A cefixima é o antibiótico mais utilizado para tratar a gonorreia. Há alguma incerteza sobre o cut-off que deve ser utilizado para definir a redução de susceptibilidade, ou de resistência ao antibiótico. A HPA disponibiliza dados para cut-off diferentes: a definição mais amplamente aceite (Concentração Inibitória Mínima (superior a 0,25mg/L) e uma alternativa, inferior (Concentração Inibitória Mínima superior a 0,125mg/L).

Utilizando a definição padrão, 1,2% dos casos, em 2009, eram resistentes. Contudo, utilizando o ponto de definição inferior, 10,6% dos casos eram resistentes, um salto de 0,1%, em 2005 para 2,8%, em 2008.

Estas estirpes foram diagnosticadas em pessoas de todos os grupos demográficos, contudo eram mais predominantes em homens gay e bissexuais. A tendência era que fossem de origem caucasiana e reportassem, pelo menos, dois parceiros sexuais ingleses nos três meses anteriores ao diagnóstico.

Apesar de as orientações terapêuticas para o tratamento da gonorreia recomendarem ter em atenção os padrões locais de sensibilidade quando o tratamento é disponibilizado, a Health Protection Agency (HPA) afirma não ter dados sobre as variações regionais.

Menos de 1% das estirpes era resistente ao segundo tratamento vulgarmente mais utilizado, com ceftriaxone. Mas, as estirpes resistentes a um fármaco eram, muito frequentemente, resistentes a outros.

A HPA está a investigar combinações terapêuticas para tratar a infecção pela bactéria e a incentivar a indústria farmacêutica a desenvolver novos fármacos.

A HPA recomenda que os clínicos devem estar atentos para a possibilidade de falência terapêutica entre os seus doentes. Acrescentam, que devem considerar fazer testes de cura, principalmente se os sintomas persistem ou após uma infecção na cavidade oral.

A Professora Cathy Ison da HPA comenta que: “Neste momento, os medicamentos que utilizamos no Reino Unido são eficazes para tratar a gonorreia. Mas os nossos testes de laboratório mostram que a bactéria está a ficar menos sensível a estes e, a nossa preocupação é que a gonorreia se transforme numa infecção muito difícil de tratar nos próximos cinco anos, tal como no resto do mundo”.

Acrescentou que tal poderá significar que a alteração do comportamento sexual seja a única solução para controlar a infecção.

Novos diagnósticos de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs)

A HPA divulgou também dados sobre 482 696 novos diagnósticos de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) recolhidos em 2009. Os dados mostram que na população geral, a idade de pico de as mulheres adquirirem uma IST é entre os 19 e os 20 anos e, nos homens, entre os 20 e os 23 anos.

Entre as mulheres, dois terços dos novos diagnósticos correspondem a menores de 25 anos. Entre os homens, cerca de metade estão nesta faixa etária.

Os novos diagnósticos de clamídia, gonorreia e herpes genital aumentaram entre 2008 e 2009, entre os 5-7% para cada patologia. Parte deste crescimento poderá ser devido ao aumento da taxa de realização de testes, incluindo através do National Chlamydia Screening Programme.

Por outro lado, o diagnóstico de sífilis e de verrugas genitais estabilizou, com uma diminuição de 1% e 0,3% respectivamente.

Sir Nick Partridge, Chefe-executivo da Terrence Higgins Trust, afirmou ser “incrível” que as infecções tenham aumentado para quase meio milhão por ano. “Até conseguirmos melhorar a educação sexual e disponibilizar um apoio mais forte aos jovens, estes continuarão a correr riscos evitáveis na sua actividade sexual” comenta.

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