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FOLHA DE PERNAMBUCO – PE | GRANDE RECIFE LGBT 13/09/2010
A cada ano, parada gay realizada pelo LGBT vem atraindo público diversificado
JÚLIA VERAS Pluralismo é uma palavra que tem definido adequadamente a Parada da Diversidade de Pernambuco, que este ano chegou a sua 9ª edição. Para além de ser um evento voltado apenas para o público homossexual, a Parada tem arrebanhado cada vez mais famílias, casais convencionais e grupos de pessoas heterossexuais que vão em busca da diversão proporcionada pelos trios elétricos. Este ano, mais de 80 mil pessoas participaram da festa, segundo estimativa da Polícia Militar. Um bom exemplo são o metalúrgico Enoque Amâncio e a bancária Suzieide Medeiros, casados há mais de dez anos. Para eles, frequentar a Parada já se tornou um hábito. “A gente vem com um grupo de amigos para se divertir e fazer a festa. Acreditamos que as pessoas têm que conviver em paz, respeitando uns aos outros. Não há motivo para ser agressivo com outro ser humano porque ele é diferente de você”, pontuou Suzieide. Já a corretora de imóveis Kátia Morais, 39, veio de Fortaleza, no Ceará, para o Recife com o objetivo de encontrar a namorada, que mora aqui na cidade, e participar do movimento. “Nos conhecemos pelo Orkut e começamos a namorar. Vim para cá não só para vê-la, mas também para participar da festa. A gente ainda sofre por não poder ficar juntas em público. É muito complicado”, pontuou. Realizada pelo Fórum de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais de Pernambuco (Fórum LGBT/PE), o Governo do Estado de Pernambuco e a Prefeitura da Cidade do Recife, esse ano o evento teve como tema “Direitos: Queremos por Inteiro, Não Pela Metade”, com foco no Projeto de Lei nº 122/2006, que criminaliza as manifestações homofóbicas. A secretária de Direitos Humanos, Amparo Araújo, ressaltou que os direitos humanos devem ser indivisíveis e universais. “Não pode haver indivíduos com mais direitos do que outros. Por isso, é tão importante promover no Brasil uma política como a Brasil sem homofobia. Esse é um momento de conscientização. Quando se escolhe um slogan como esse, mostra uma conjunção de interesses da sociedade”. Amparo destacou ainda o fato de que, pela primeira vez, a parada aconteceu em frente ao Acaiaca, área mais nobre da avenida Boa Viagem. “Antes, o evento tinha que ficar mais escondido. Agora, tomou toda a avenida”. Rildo Veras, assessor da Diversidade do Governo do Estado, falou sobre a importância da Parada no que concerne ao fortalecimento da causa. “Cada vez mais a população concretiza, na parada, o discurso sobre a nossa luta. Estamos felizes porque países da América Latina estão conseguindo grandes avanços. Na Argentina, o casamento foi legalizado e na Cidade do México, onde a união já era oficial, a adoção foi legalizada também”, comemorou. Ele ressaltou ainda a importância da educação dos professores. “A formação continuada é importantíssima, além de investimentos em centros de referência de atenção a vitimas da homofobia”. Integrantes da Primeira Igreja Batista da comunidade de Marcos Freire e do Grupo Arca executaram um ato de tolerância durante o evento. O auxiliar administrativo Bertoni Batista, que faz parte da organização do grupo, explicou que objetivo da ação é deixar claro que todas as pessoas são dignas do amor de deus, independente da orientação sexual. “Sabemos que muitas pessoas, tanto do movimento gay quanto da nossa própria Igreja, estranharam o fato de estarmos aqui. Queremos deixar claro que não viemos para dizer que a homoafetividade é uma coisa errada, apenas que Deus ama todos os seus filhos e que todos eles devem ser respeitados”, argumentou. |
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