O mapa-múndi das doenças
Publicado em 19 de junho de 2009 (há 17 anos, 4 meses e 3 dias)Atualizado em 31 de julho de 2026 (há 2 meses e 21 dias) DOCUMENTO HISTÓRICO E ACERVO Nosso acervo conta com mais de 5.000 publicações....
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O Globo | Editoria: | Pág. | Dia / Mês/Ano: |
Ciência |
| 21/FEVEREIRO/08 |
Estudo mostra áreas onde novas epidemias podem surgir. Brasil está entre elas O Brasil é uma das principais áreas de risco para o surgimento de doenças emergentes por reunir características que predispõem o aparecimento de novos patógenos, como alta biodiversidade, densidade populacional e desmatamento — o que favorece o contato de micróbios antes restritos à floresta com o homem. O alerta está no primeiro mapeamento já feito sobre as regiões de risco para novas infecções, organizado por um grupo internacional de cientistas e publicado na “Nature”. Baseados em dados de 335 doenças surgidas entre 1940 e 2004, os especialistas afirmam que a América do Sul é um dos locais mais ameaçados. — Graças a esse mapa, depois de muitos anos de debate, a comunidade científica poderá, enfim, ter uma valiosa ferramenta para a prevenção de novas pandemias — garante Rita Teutonico, uma das participantes do estudo. — Com ele, saberemos também onde investir melhor os nossos recursos. Países pobres são os mais ameaçados De acordo com o estudo, a maior parte das doenças emergentes deve vir dos países em desenvolvimento, onde a abundante vida animal vem colidindo com uma população cada vez maior. Cerca de 60% das infecções que surgiram desde 1940 vieram dessas áreas, muitas vezes originando-se em animais para depois atingir o homem. O vírus HIV teve sua origem nos chimpanzés. O Ebola, nos morcegos. — Concluímos que a maior parte dos recursos globais para conter as doenças emergentes estão mal localizados. A vigilância científica está focada em áreas onde dificilmente um novo tipo de doença vai surgir — diz o estudo. Com a ajuda de computadores, os cientistas analisaram dados das 335 doenças e marcaram as áreas onde futuras epidemias têm mais chances de ocorrer. Essas áreas incluem partes da América do Sul e Central, a África tropical e o sul da Ásia. A maior parte dos esforços de prevenção, porém, está localizada na Europa, América do Norte, Austrália e parte da Ásia. — Monitorar áreas onde há uma rica diversidade de vida animal pode ser a chave para prevenir o surgimento de novas epidemias — diz Kate Jones, pesquisadora da Sociedade Zoológica de Londres, que participou do estudo. A pesquisa definiu doenças emergentes como infecções novas, desconhecidas da população. Elas podem ser causadas por vírus ou bactérias nunca antes descritos ou pela mutação de um vírus já existente. Também é possível que sejam causadas por um agente que só atingia animais, e que passou a afetar também seres humanos. O saldo de algumas dessas doenças pode ser devastador. A Aids já matou mais de 25 milhões de pessoas. Já o surto da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS, na sigla em inglês), que surgiu repentinamente na China em 2002, matando mais de 800 pessoas em todo o mundo, gerou prejuízos de mais de US$ 100 bilhões. O estudo mostrou também que a década de 80 foi a que apresentou o maior número de doenças recentemente. Acredita-se que isso tenha ocorrido por causa do HIV, que deixou as pessoas vulneráveis a outras enfermidades. — Nossas prioridades devem incluir uma observação atenta e minuciosa nas áreas destacadas pelo estudo — explicou Peter Daszak, diretor do Wildlife Trust e um dos participantes do estudo.
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