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Os factores de risco tradicionais são a causa principal do espessamento da artéria carótida nos doentes infectados pelo VIH

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Michael Carter
Published: 30 August 2010
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Imagem: BioScan
Investigadores dos E.U.A constataram que o espessamento da artéria carótida nos doentes com VIH está aparentemente mais associado a factores de risco tradicionais do que à gravidade da doença pelo VIH ou à terapêutica anti-retroviral. No entanto, num estudo publicado na edição online de AIDS, os investigadores reportam que o tratamento com tenofovir teve um efeito protector contra o aumento da espessura desta artéria.

“Os factores de risco tradicionais são mais importantes na predição da IMT [espessura média da camada íntima da carótida] na infecção pelo VIH”, comentam os investigadores.

A esperança de vida dos doentes com VIH melhorou drasticamente desde a introdução da terapêutica anti-retroviral de combinação e, actualmente, é considerada próxima da normal.

No entanto, observaram-se taxas superiores de doença cardiovascular nas pessoas seropositivas. Não se compreende completamente as razões exactas, mas entre as possíveis inclui-se a prevalência elevada de factores de risco tradicionais, o efeito inflamatório da doença pelo VIH e os efeitos secundários dos medicamentos anti-retrovirais.

Um sinal importante de alerta precoce do risco acrescido de doença cardiovascular é o aumento da espessura da artéria carótida.

Portanto, investigadores do estudo Fat Redistribution and Metabolic Change in HIV Infection (FRAM), dos E.U.A., mediram a espessura média da camada íntima da carótida em 538 doentes e, seguidamente, realizaram análises para verificar se o espessamento era devido a factores de risco tradicionais ou relacionados com o VIH.

Usando uma ecografia, foi avaliada a espessura da carótida em três pontos: comum, interna e bulbo.

Um método de análise estatística designado por Bayesian model averaging (média Bayesiana de modelos) foi usado para calcular que factores estavam associados com a espessura média da camada íntima da carótida. Os investigadores acreditavam que este tipo de análise era especialmente adequado para ser usado num estudo observacional.

Os doentes tinham uma idade média de 48 anos, 69% eram homens e 41% eram afro-americanos. A espessura média da camada da carótida íntima comum foi de 0,88 mm, com uma espessura média da camada da carótida íntima interna de 1,16 mm.

Quase todos os doentes (94%) tinham experiência anterior de tratamento anti-retroviral.

Os factores com 50% de probabilidade de estarem associados com a espessura média da camada da carótida íntima foram considerados potencialmente significativos e passados para a análise subsequente.

Para a espessura média da camada da carótida íntima comum estes factores foram: idade, etnia afro-americana ou hispânica (100% de probabilidade); tensão arterial (sistólica, 97% de probabilidade; diastólica, 95% de probabilidade); colesterol HDL (85% da probabilidade) e tratamento com tenofovir (51% de probabilidade de espessura média inferior da camada da carótida intima).

Os factores de risco associados com a espessura média da carótida íntima interna foram a idade (100% de probabilidade) e o tabagismo.

A análise ulterior confirmou que cada ano de tratamento com tenofovir foi associado com uma redução da espessura média da camada da carótida íntima comum de 0,009 mm (p = 0,0278), um valor estatisticamente significativo.

O tratamento com este medicamento foi o único factor relacionado com o VIH associado à espessura da camada da artéria carótida.

“Não encontramos evidência de uma associação entre os marcadores da gravidade da doença pelo VIH ou a maioria dos medicamentos anti-retrovirais ou classes e a IMT”, comentam os investigadores. No entanto, acrescentam, “com os dados disponíveis, não podemos excluir um efeito modesto dos factores relacionados com o VIH”.

Os investigadores não tinham a certeza porque é que o tratamento com tenofovir foi associado com uma espessura média inferior da camada da carótida íntima. Os doentes que receberam tratamento com tenofovir tinham um perfil demográfico semelhante aos indivíduos que foram medicados com outros medicamentos anti-retrovirais. Além disso, os factores de risco cardiovasculares tradicionais também eram comparáveis.

No entanto, os doentes em tratamento com tenofovir tinham um colesterol total mais baixo (p=0,04).

Mas os investigadores encontraram, também, alguma evidência de que os doentes sob terapêutica com tenofovir podiam ter tido, no passado, uma doença do VIH mais grave. O seu nadir das contagens das células CD4 foi significativamente mais baixo (p < 0,01) e tinham mais probabilidade de ter progredido para a SIDA (p < 0,01). Nestas circunstâncias, os investigadores constatam que “a associação inversa entre o uso do tenofovir e a IMT é inesperada”.

Sugerem, que “será necessária investigação ulterior sobre as propriedades do tenofovir, sobretudo em ensaios randomizados, para ver se estes resultados serão replicados”.

Entretanto, os investigadores acreditam que este estudo “pode indicar que seja necessário examinar coortes com pessoas infectadas pelo VIH numa fase mais precoce, para perceber a patofisiologia da doença vascular nos que estão infectados pelo VIH”.

Referência

Delaney JAC et al. Associations of antiretroviral drug use and HIV-specific risk factors with carotid intima-media thickness. AIDS 24: edição online, DOI: 10.1097/QAD. Obo13e32833d2132, 2010.

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