
O maraviroc foi recentemente aprovado para uso no tratamento de primeira linha do VIH, embora seja utilizado mais frequentemente em doentes com extensa experiência de tratamento. No entanto, os investigadores acreditam que o medicamento possa ser especialmente benéfico para os doentes que são diagnosticados tardiamente. Alguns investigadores sugerem que o medicamente pode potenciar as contagens de células CD4, mesmo quando a carga viral não está suprimida.
O VIH utiliza um de dois co-receptores para se anexar às células humanas: CCR5 ou CXCR4. Adicionalmente, os doentes podem algumas vezes ter o que se chama de vírus misturado ou de tropismo duplo, e isto ocorre quando ambos co-receptores estão presentes.
A presença do CXCR4 e do vírus que utiliza o tropismo duplo está associada com o estádio avançado de doença e com contagem baixa de células CD4.
Conhece-se pouco sobre os tipos de co-receptor que se encontram presentes nos doentes cuja infecção pelo VIH é diagnosticada tardiamente (uma contagem de CD4 inferior a 200 células/mm3).
Assim os investigadores Austríacos analisaram os co-receptores de 50 doentes com um diagnóstico de VIH tardio entre 2004 e 2007. Para averiguar se quaisquer factores estavam associados com a presença de co-receptores particulares, foi também reunida informação sobre a contagem de base de CD4 e vírus dos doentes, bem como os seus detalhes demográficos.
Um total de 31 doentes (62%) estava infectado com uma estirpe do VIH que utilizava o co-receptor CCR5.
As contagens base de células CD4 eram mais elevadas entre os doentes em que o co-receptor CCR5 foi utilizado (61 vs 32 células/mm3), mas esta diferença não foi estatisticamente significante. Não se verificou qualquer diferença entre os dois grupos de doentes com respeito à sua carga viral base.
Os indivíduos que tinham sido infectados pelo VIH através da utilização de drogas injectáveis tinham mais probabilidades de estarem infectados com um vírus que utilizava o co-receptor CXCR4 ou de tropismos duplos do que aqueles que foram infectados com VIH por via sexual (p = 0,02). Os investigadores notaram que as investigações mais precoces demonstraram que os vírus CXCR4 e os vírus de tropismo duplo são eficazmente transmitidos através do uso de drogas injectáveis.
Finalmente, os investigadores restringiram as suas análises a doentes com uma contagem de CD4 de 50 células/mm3 ou inferiores na altura dos seus diagnósticos, e compararam a gravidade da doença entre os que apresentavam vírus que utiliza o CCR5 e aqueles que utilizam o co-receptor CXCR4 ou um vírus de tropismo duplo/misto.
Dos onze doentes com receptores CCR5, dez tinham uma doença definidora da SIDA. No entanto, apenas 50% dos doentes infectados com o vírus que utilizava outros co-receptores tinham progredido para o estado de SIDA, um dos doentes não tinha qualquer sintoma de infecção pelo VIH.
Os investigadores concluem, “o tratamento com antagonistas do CCR5 em doentes naïve à TARV [Terapêutica Anti-Retroviral], mesmo que recentemente diagnosticados num estádio avançado da infecção pelo VIH, pode ser valioso e necessita de mais avaliação”.
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