Pesquisadora defende cuidados
, Diário de Natal – RN Editoria: Pág. Dia / Mês/Ano: Cidades 16/DEZEMBRO/07 Ailton Salviano A farmacêutica Nair Ramos passa orientações para o uso correto de medicamentos A farmacêutica...
Diário de Natal – RN | Editoria: | Pág. | Dia / Mês/Ano: |
Cidades |
| 16/DEZEMBRO/07 |
Ailton Salviano
A farmacêutica Nair Ramos passa orientações para o uso correto de medicamentos
A farmacêutica potiguar Nair Ramos de Souza pesquisa a talidomida há seis anos, quando iniciou a dissertação de mestrado na Faculdade de Medicina de Fortaleza. Atualmente trabalhando no Ministério da Saúde, em Brasília, ela defende uma proposta de divulgação dos cuidados e orientações para o uso correto de medicamentos. Segundo Nair Ramos, com a crescente prática da automedicação no Brasil, urge a necessidade de promover-se campanhas de orientação quanto ao uso racional de medicamentos. Isto tem reflexos na qualidade de vida das pessoas e na diminuição de custos do sistema de saúde.
‘‘O surgimento de novas indicações da talidomida, justificadas por diversos autores, reforça a sua excelente resposta terapêutica. No entanto, o aparecimento de novos casos de recém-nascidos deformados e as falhas nos mecanismos de controle existentes obrigam-nos a prestar uma atenção rigorosa a esse fármaco. É preocupante a insuficiência de dados recentes sobre os efeitos adversos da talidomida, principalmente quanto ao seu uso prolongado’’, complementa Nair Ramos.
Uma pequena parte da população vai ser beneficiada com a reabilitação da talidomida, haja vista que as enfermidades que o medicamento atende são consideradas raras. É um grande desafio para o monitoramento da segurança do medicamento, atividade que depende da responsabilidade e do comprometimento de vários atores sociais que abrangem consumidores, profissionais da saúde, indústria farmacêutica, mídia e órgãos oficiais reguladores.
Retorno
Em 1964, o dermatologista israelense Jacob Sheskin atendia a um paciente com sérias complicações provenientes da hanseníase (lepra). Ao procurar um medicamento que fizesse o paciente dormir, lembrou-se da talidomida que originalmente fora recomendada contra insônia. Ele deu então dois tabletes ao paciente que, após ingerir a droga, dormiu por longas horas. Quando acordou foi capaz de levantar da cama sem ajuda. Experiências posteriores com a talidomida revolucionaram e tornaram mais efetiva a cura da lepra.
Dessa forma, o medicamento foi reabilitado e voltou ao mercado indicado para o tratamento de graves enfermidades como lúpus eritematoso, afecções associadas à AIDS, enxerto-contra-hospedeiro e outras. O grande desafio para os países é realizar um rigoroso controle na nova utilização da talidomida e evitar outras gerações de crianças deformadas.
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