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28/NOVEMBRO/07 |
26/11/2007
Ex-padre agora é dono de clube GLS no interior de Góias. Confira sua entrevista para o MixPor Fabio Angeli
Eulálio ao lado do grupo Cezarinas Tra-lá-lá
Eulálio Caetano de Oliveira fez o seminário católico em Brasília e Goiânia. Foi terminar seus estudos religiosos no Rio Grande do Sul. Lá, depois de trabalhar numa diocese, juntou-se a uma comunidade de sem-terras, onde atuou por anos. Aos 32 anos resolveu largar a batina e assumir sua homossexualidade. Cursou a faculdade de Direito e hoje, aos 46 anos, é proprietário de um clube GLS em Rio Verde, interior de Goiás, sua cidade natal, que tem 157 mil habitantes. Confira a entrevista que ele concedeu ao Mix.
Como foi a experiência como padre?
Foi ótimo enquanto durou. Foram 18 anos envolvido com o sacerdócio. No início trabalhava numa diocese e depois fui trabalhar junto a uma comunidade de sem-terras. Isso me levou para muito perto da realidade do nosso país. Nós acampavámos, fazíamos passeatas, entre outras ações. Eu atuava como padre, procurando desenvolver um ambiente religioso e pacífico, evitando invasões de terras, tumultos e brigas.
E por que você largou o sacerdócio?
Eu morava no Rio Grande do Sul e meus pais estavam se separando. Resolvi voltar para Góias para ajudar na questão e acabei me envolvendo com a situação, com a comunidade, e ficando de vez. Ainda tive que esperar 2 anos para ser liberado dos votos.
Você logo se assumiu gay?
Não, demorou cerca de 1 ano e meio. Eu chamei toda a minha família, disse que estava largando a batina e que era gay.
Qual foi a reação deles?
Até que foi uma reação boa. Minha mãe me acolheu muito bem e me apoiou. Com meu pai foi mais difícil, mas logo depois tudo ficou bem. Nossa famíla é muito unida, muita entrosada, o que facilitou tudo.
Mas você sempre teve certeza da sua sexualidade?
Quando estava no seminário e estudava filosofia já sabia o que eu queria, do que eu gostava. Nessa época tinha uns 18, 19 anos.
E como foi para você ser gay dentro da Igreja Católica?
Olha, é muito complicado, porque quando você está dentro de uma instituição religiosa você é muito reprimido. Não pode expressar seu desejos, enfim, é bem complicado. Por outro lado, essa instituição tem que te respeitar e te aceitar do jeito que você é.
Você chegou a se assumir para algum superior?
Sim, cheguei sim.
Qual foi a reação dele?
Primeiro ele me disse que eu não era único. Eu até fiquei bem curioso para saber quem eram os outros, mas fiquei com vergonha de perguntar (risos). Enfim, a reação dele não foi de surpresa ou espanto. Na verdade ele já percebem isso, estão acostumados com a situação. Ele só me pediu para que tomasse cuidado por causa dos escandâ-los dos padres envolvidos com pedofilia, já que isso que vemos hoje sempre existiu. Nós tinhamos acompanhamento psicológico para aprender a lidar com isso da melhor maneira possível.
Você chegou a ter relação com outros homens enquanto era padre?
Sim, tive no seminário com outros estudantes que iriam se tornar padres assim como eu. Mas depois não mais.
E agora você é proprietário de um clube GLS na sua cidade…
Sim, na verdade há mais ou menos 15 anos eu organizo festas GLS na cidade. Eu organizo o concurso Miss Gay também. Essa é a segunda boate que eu abro aqui.
Qual é o nome do clube? O que rola nele?
A boate se chama Maria. Nós sempre trazemos gogos, drags e DJs de Goiânia, da Disel Lounge, enfim, para oferecer atrações de qualidade para o nosso público.
E como é a vida gay em Rio Verde?
Aqui existem famílias bem tradicionais, então vivemos numa sociedade bem preconceituosa. Quando comecei com as minhas festas há 15 anos, era uma loucura. Teve um juiz que mandou retirar os cartazes espalhados pela cidade dizendo que nós estávamos incentivando jovens e menores a tornarem-se homossexuais. Hoje nós temos o clube e as coisas são diferentes. Mas nós temos diversos casos de famílias que botam os filhos para fora quando descobrem que são gays. Como sou conhecido na cidade, procuro conversar com os pais e mostrar que não é esse bicho de sete cabeças, que é a coisa é mais simples. Mas essa questão ainda é complicada por aqui.
Existem muitos crimes homofóbicos?
Aqui em Rio Verde nem tanto, mas em cidades vizinhas sim. Existem vários crimes e agressões contra os homossexuais.
Quais são seus planos futuros?
Estou organizando uma ONG GLBT de Rio Verde para dar maior assistência aos jovens e as suas famílias. Também estamos desenvolvendo um programa de prevenção de DST/Aids e outro de Direitos Humanos. Ano que vem vou me candidatar a vereador, já que quero atuar mais na área politica.
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