ADILSON ROSA
Da Reportagem
Cerca de 800 presos da Penitenciária Central do Estado, (antigo Pascoal Ramos) estão em greve de fome e só vão parar no momento em que a direção atender suas reivindicações. Uma delas é a transferência de presos doentes que estão em cela com detentos comuns. A outra é impedir a transferência de presos marcada para as próximas semanas.
Os presos amotinados são detentos da carceragem central que reúne os quatro principais raios – os demais, cerca de 600, estão em atividades normais. Na prática, no entanto, os presos não estão de estômagos vazios.
Na quarta-feira, dia de “jumbo” (entrega de alimentos e produtos de limpeza) os detentos receberam um reforço em comida, que seria para estocar. “Foi muita comida, mais do que de costume. Então puderam iniciar a greve de fome sem fome e não ter pressa para acabar”, explicou um parente de preso.
O que preocupa os familiares de presos é o fato de não estar descartada a prática da “roleta russa”. É um esquema no qual os presos escolhem outros detentos – um a um – para morrer. É uma forma de protestar contra a superlotação.
“O que mais revolta é ter presos doentes com tuberculose, AIDS e outras doenças infecciosas que deveriam ser tratadas e isso não acontece”, disse o familiar.
O chamado “movimento pacífico” dos presos, iniciado na quarta-feira, deixou o policiamento em alerta. O comandante do Comando Regional I, coronel Joelson Sampaio, informou que os militares estão de prontidão para evitar qualquer fuga. Ele negou que tenha encontrado algum túnel. Neste caso, o movimento pacífico seria uma forma de desviar a atenção para uma fuga em massa.
“O que temos por enquanto é um movimento para chamar a atenção e, pelas informações que temos, não tem dia para acabar. Num documento entregue, querem o cumprimento de várias reivindicações”, explicou. O movimento, no entanto, impediu que os presos saíssem para audiência nas comarcas de Cuiabá e Várzea Grande e nem advogados tiveram permissão para entrar.
Segundo a assessoria da Sejusp, os pedidos dos detentos “são os mesmos de sempre”. Na lista “de sempre” estão análise processual, mais tempo de visita e diminuição do número de detentos na penitenciária – que abriga mais que o dobro de sua capacidade.
DIÁRIO DE CUIABÁ-MT |
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06/SETEMBRO/09 |
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