Início HIV/AIDS A Busca Por Uma Vacina Primeiro editorial de soropositivo.org em primeiro de dezembro de 2000. O Início...

Primeiro editorial de soropositivo.org em primeiro de dezembro de 2000. O Início de tudo…

0

Primeiro de Dezembro

No ano dois mil, em agosto, eu criei este site, soropositivo.org e, para dar a impressão que havia “um time trabalhando” eu terminei a saudação com “toda a equipe soropositivo.org”.

O fato é que não havia, na época, e não houve, até hoje, uma “equipe”.

Aqui há uma parceria: Deus e eu… E, às vezes, eu e Deus…

Mas este foi o meu primeiro editorial, para primeiro de dezembro de 2000

 

Bem vindo


Dia primeiro de dezembro de 2000 se “comemora” o dia mundial de luta contra a AIDS.
As emissoras de TV não falarão em outra coisa; idem as emissoras de rádio e os jornais. Depois, o assunto cai, novamente, no esquecimento.
Cantamos, neste dia, muitas vitórias. Tvemos mesmo, com a participação ativa das comunidades e das Organizações não Governamenais, muitas vitórias:
Há mais remédios; os exames são mais precisos; as pesquisas em torno de vacinas já progrediram muito.
O portador de HIV vive mais e com uma qualidade de vida maior…


Sou obrigado a não concordar com a qualidade de vida maior.
Qualidade de vida de vida não é só estar bem de saúde, a custa de remédios.
Qualidade de vida é acordar de manhã e enfrentar um ônibus, metro ou trem e chegar ao trabalho, executar uma função, sair para o almoço com os amigos e voltar para mais umas cinco horas de luta e, com isso, planejar o futuro.
Qualidade de vida é não precisar esconder a doença por medo de ser discriminado, é não precisar se esconder como um criminoso só porque porta um vírus.
Qualidade de vida é poder sonhar com um futuro melhor, com uma casa própria, com casamento, vida familiar.
E a base de tudo isso esta no direito ao trabalho, aliado ao direito à saúde e a igualdade.
Nossa vida não pode permanecer resumida a caixas de remédios e exames de laboratório.
Nossa vida não pode ser vivida em órbita da doença ou da condição soropositiva.
O perfil do portador de HIV mudou; e mudou para melhor.
Já não morremos com tanta freqüência. Já não somos internados tantas vezes, já não desenvolvemos a doença e, em verdade, estamos fortes e saudáveis, aptos ao trabalho e a vida social.


Houve um erro no inicio da epidemia:
Ela foi atribuída a um grupo específico de pessoas, cuja conduta a sociedade tem por habito reprovar sem conhecer. 


Criaram – se expressões como peste gay, câncer gay, grupos de risco. Todas erradas, mentirosas, discriminadoras. Todas estigmatizadoras. E ninguém desfaz este erro. Todos agem como se nada tivesse ocorrido.


A AIDS não é privilégio de uns poucos. O HIV é bem pouco seletivo na hora de “escolher” seu hospedeiro.
Brancos, negros, índios, heterossexuais, mulheres, crianças, homossexuais, bissexuais, qualquer um.
Qualquer um pode contrair HIV e, se não se tratar, desenvolver AIDS.
Mas a grande maioria, quando descobre, entra em tratamento, recupera a saúde e tem condições de conduzir uma vida normal, como a de qualquer pessoa.
Mas isso nos é negado. Se um empregador descobre que tem um portador de HIV em seu quadro de funcionários, demite – o, sob qualquer pretexto, para se livrar de problemas futuros, que são apenas teóricos.

 Isso porque o empregador não quer correr o risco de encarar sozinho todo o ônus da eventual doença:
Internações, licenças, ausências para controle, etc.
Tudo isso faz com que o portador de HIV seja considerado um funcionário, um trabalhador pouco atraente.
É preciso mudar isso, gerando estímulos fiscais a quem emprega o soropositivo.


Desempregados, somos um ônus social. Ficamos dependendo do assistencialismo publico, quase sempre precário, de nossas famílias, quase sempre de baixa renda, e nossa vida perde em qualidade e expectativa.
Empregados, cuidamos melhor de nossa saúde, consumimos mais, pagamos impostos e vivemos felizes, produtivos e independentes.


Primeiro de Dezembro é para isso: A relação empregador/empregado_soropositivo/governo precisa mudar.

Não adianta criar um sem numero de leis que proíbam o empregador de demitir o soropositivo; ha leis e leis que proíbem um sem numero de coisas e elas continuam acontecendo, mesmo proibidas. Ou uma lei que proíbe o trafico de drogas acabou com o trafico?
Ao contrário, ao invés de simplesmente “proteger” o portador de HIV, através de dispositivos legais, louváveis é claro, que punam a empresa e/ou pessoa que incorram no crime de discriminação, é preciso estimular o empregador a manter, através de beneficio fiscais, como ja disse, e pela criação de um banco de horas, o portador de HIV saudável e apto ao trabalho em seu posto usual.

Feiras de artesanato, insisto, não resolvem nada. Nem todas as pessoas tem a habilidade manual para isso ou se interessam por tal oficio. E toda pessoa tem o direito de exercer a sua profissão, que aprendeu a desenvolver com méritos próprios e esforço, muitas vezes, diuturno. A condição sorológica não desfaz estes méritos. A maneira como o individuo “pegou” o vírus também não deve entrar na questão, pois não muda para melhor ou pior a qualidade do profissional em questão. Deve, sempre, permanecer a condição de ser humano, digno de respeito, não de dó, acima de qualquer coisa.


Enquanto isso, a sociedade precisa ser conscientizada, pelos meios de comunicação, sobre a segurança do convívio com o portador de HIV.


A imprensa em geral deve isso à população, no seu mister de informar e esclarecer.
As campanhas de esclarecimento devem ser boladas por quem entenda do assunto, por quem viva o assunto e por quem conheça a fundo o assunto.


A visão social da AIDS é equivocada. NÃO morremos como moscas. E não transmitimos a doença pelo ar, por aperto de mão ou contato social.
A relação sexual precisa ser protegida; mas não é para evitar apenas AIDS. É para evitar sífilis, gonorréia, hepatite, condiloma acuminado e uma miríade de DST´s que são tão ou mais perigosas que a infecção por HIV. E mais, evita a gravidez indesejada ou, pior, a gravidez adolescente.


Esta visão social sobre a AIDs precisa ser acertada, corrigida. E só os meios de comunicação de massa, em parceria com as Organizações não Governamentais e o Governo tem condições de reparar este dano causado por eles mesmos e pela comunidade científica, num momento em que muito pouca luz havia sobre o problema.

Você considera que a população esta devidamente esclarecida? Clique Aqui.

Acha que eu estou exagerando? Que o preconceito não é tão grande assim? Clique Aqui e depois, Clique Aqui

Acredita que ninguém se arrisca mais? Clique Aqui

Sente – se segura porque vive uma “relação estável”? Clique Aqui e chegará a conclusão que não está tão segura assim.

Depois procure na seção depoimentos pessoais as histórias de mulheres que contraíram o vírus de seus maridos e que abrem seus corações aqui, no afã de que isso não se repita…

A AIDS é um problema de todos, sem distinção possível de gênero ou “modo de vida”. Mas já não é a sentença de morte ou a “vingança de de Deus”(…).


E  é possível mudar estas coisas com conscientização e esclarecimento, informação e boa vontade.

Temos uma excelente cobertura, no que tange a tratamentos, medicação e exames; pelo menos por enquanto. Mas isso, por si só, não nos basta. Se podemos viver (e este é um direito natural de cada pessoa) com saúde, podemos muito bem trabalhar para o nosso próprio sustento e o de nossas famílias (somos pais e mães de família), sem que sejamos discriminados por nossa condição sorológica.


De todos os sintomas da AIDS o pior deles ainda continua sendo, depois e 20 anos, num mundo em que a maioria tem TV e acesso a Internet, o preconceito.
Urge que isso mude, e mude para melhor.
Cláudio, e toda a equipe da soropositivo home page

Bem-vindo

Dia 1º de dezembro de 2000 se “comemora” o Dia Mundial de Luta Contra a AIDS.
As emissoras de TV não falarão de outra coisa. O mesmo vale para rádios e jornais. Depois, como sempre, o assunto cai novamente no esquecimento.

Cantamos, nesse dia, muitas vitórias. E tivemos mesmo, com a participação ativa das comunidades e das organizações não governamentais, muitas conquistas:
Há mais remédios. Os exames são mais precisos. As pesquisas em torno de vacinas avançaram bastante.
O portador de HIV vive mais — e, supostamente, com melhor qualidade de vida…

Sou obrigado a discordar.
Qualidade de vida não é só estar “bem de saúde” à base de remédios.
Qualidade de vida é acordar cedo, enfrentar ônibus, metrô ou trem, chegar ao trabalho, almoçar com os colegas, voltar para mais cinco horas de serviço — e, no fim, poder sonhar com o futuro.

Qualidade de vida é não precisar esconder a doença por medo de ser discriminado. É não viver como se portar um vírus fosse um crime.
É poder sonhar com uma casa própria, casamento, vida familiar — sonhos simples, humanos.
E tudo isso se apoia em um tripé: direito ao trabalho, direito à saúde e igualdade de oportunidades.

Nossa vida não pode ser vivida apenas em torno da doença ou da condição soropositiva.
O perfil da pessoa com HIV mudou. E mudou para melhor.
Já não morremos com tanta frequência. Já não somos internados tantas vezes. Muitos sequer desenvolvem a doença. Estamos fortes, saudáveis, aptos ao trabalho e à vida social.

Houve um erro, logo no começo da epidemia:
Ela foi atribuída a um grupo específico de pessoas, cuja conduta a sociedade tradicionalmente condena — sem sequer compreender.

Surgiram expressões como peste gay, câncer gay, grupos de risco.
Todas erradas. Todas discriminatórias. Todas estigmatizantes. E ninguém desfaz esse erro. Todos agem como se nada tivesse acontecido.

A AIDS não é privilégio de uns poucos.
O HIV não é seletivo: brancos, negros, indígenas, heterossexuais, mulheres, crianças, gays, bissexuais — qualquer pessoa.
Qualquer pessoa pode contrair o vírus. E, se não se tratar, desenvolver AIDS.
Mas quem se trata, na maioria das vezes, recupera a saúde e pode ter uma vida normal — como qualquer outra.

O problema é que isso nos é negado.
Se um empregador descobre que tem uma pessoa vivendo com HIV entre seus funcionários, ele demite. Sob qualquer pretexto. Porque não quer correr o risco de enfrentar sozinho o custo de uma eventual doença:
Internações, licenças, ausências para controle…

Isso faz com que a pessoa com HIV seja vista como um funcionário de “alto risco”. Um fardo.
É preciso mudar isso, com estímulos fiscais para quem emprega.
Sem emprego, nos tornamos ônus social.
Dependemos de assistencialismo precário, de nossas famílias — quase sempre de baixa renda — e a vida perde em qualidade e esperança.

Com emprego, cuidamos melhor da saúde, pagamos impostos, movimentamos a economia, vivemos com dignidade, autonomia, alegria.

1º de Dezembro é para isso.
A relação empregador–empregado soropositivo–governo precisa mudar.

Não basta criar leis que proíbam a demissão. As leis existem. E continuam sendo ignoradas.
A simples existência de uma norma nunca impediu o preconceito. Ou você acha que uma lei contra o tráfico de drogas acabou com o tráfico?

Ao invés de apenas punir a empresa ou pessoa que comete discriminação, precisamos estimular o empregador a manter quem vive com HIV em seu posto — com saúde, com dignidade, com segurança jurídica.
Seja com incentivos fiscais, seja com banco de horas, seja com proteção real.

Feiras de artesanato não resolvem nada.
Nem todas as pessoas têm habilidade manual ou interesse nesse tipo de ofício.
Toda pessoa tem o direito de exercer sua profissão — aquela que aprendeu com esforço, estudo e mérito.
A condição sorológica não anula esse mérito.
E a forma como alguém contraiu o vírus também não importa.
O que importa é que continua sendo um ser humano digno de respeito. Não de pena.

Enquanto isso, a sociedade precisa ser esclarecida sobre a segurança do convívio com pessoas vivendo com HIV.

A imprensa tem o dever de informar.
As campanhas devem ser construídas por quem vive esse assunto, por quem entende do que fala, por quem tem o HIV na pele, no corpo e na alma.

A visão social da AIDS ainda é equivocada.
NÃO morremos como moscas.
E NÃO transmitimos o vírus pelo ar, pelo toque, por um abraço.

A relação sexual precisa, sim, ser protegida — mas não apenas por causa da AIDS.
É também para evitar sífilis, hepatite, HPV, clamídia, gonorreia, e uma série de outras ISTs.
Sem falar em gravidez não planejada. E, pior, gravidez adolescente.

O retrato social da AIDS precisa ser corrigido.
E só os meios de comunicação de massa, aliados às ONGs e ao governo, podem consertar esse erro — erro que foi deles também, lá no começo.

Temos, hoje, boa cobertura de tratamento, medicamentos e exames.
Mas isso, por si só, não basta.

Se podemos viver — e viver é um direito básico —, então podemos e devemos trabalhar, cuidar das nossas famílias e viver como qualquer pessoa que enfrenta uma condição crônica, como tantas outras por aí.

Porque,  depois de todos esses anos, de todos os sintomas da AIDS, o pior ainda é o preconceito.
E isso precisa mudar. Para ontem

Nota do Editor: Clique aqui, para ver o texto em seu ambiente original

 


Descubra mais sobre Blog Soropositivio Arquivo HIV

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Artigo anteriorAIDS no Peru 2013: 56 % das novas infecções são registradas em homossexuais
Próximo artigoVírus Herpes Simplex (herpes oral e genital)
🌟 25 Anos de História e Dedicação! 🌟 Há mais de duas décadas, compartilho experiências, aprendizados e insights neste espaço que foi crescendo com o tempo. São 24 anos de dedicação, trazendo histórias da noite, reflexões e tudo o que pulsa no coração e na mente. Manter essa trajetória viva e acessível a todos sempre foi uma paixão, e agora, com a migração para o WordPress, estou dando um passo importante para manter esse legado digital acessível e atual. Se meu trabalho trouxe alguma inspiração, riso, ou reflexão para você, convido a fazer parte desta jornada! 🌈 Qualquer doação é bem-vinda para manter este espaço no ar, evoluindo sempre. Se VC quer falar comigo, faça um PIX de R$ 30,00 para solidariedade@soropositivo.org Eu não checo este e-mail. Vejo apenas se há recibos deste valor. Sou forçado a isso porque vivo de uma aposentadoria por invalidez e "simplesmente pedir" não resolve. É preciso que seja assim., Mande o recibo, sem whats e conversaremos por um mês

SEM COMENTÁRIOS

Deixe uma respostaCancelar resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Descubra mais sobre Blog Soropositivio Arquivo HIV

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading

Descubra mais sobre Blog Soropositivio Arquivo HIV

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading

Sair da versão mobile