Programa africano de vacinas torna-se independente a OMS

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Correio do Brasil

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Saúde

 

03/DEZEMBRO/07

2/12/2007 23:11:25

Por Rui Martins – enviado especial – de Abuja

Ao terminar o Forum de vacinas contra a Aids (Sida), em Abuja, na Nigéria, a responsável pela divisão de doenças infeciosas da OMS, Marie-Paule Kieny, ali presente, mostrava-se otimista. Para ela, a busca de uma vacina contra a doenca na África continua sendo muito difícil e se agravou com o fracasso das pesquisas na Africa do Sul, porém houve progressos e os africanos assumiram o controle do Programa de pesquisas africano (AAVP), que deixa de ser dirigido pela OMS, emobra a organização continue dando ajuda técnica. O AAVP passa, portanto a ter vida própria, subvencionado por governos africanos e por diversos organismos

Três centros de avaliacão do progresso das pesquisas foram criados no Senegal, na Africa do Sul e no Quênia, para coordenar em rede africana os resultados e novas pesquisas. Ao mesmo tempo, alguns países formalizaram, em Abuja, sua decisão de dar ajuda financeira ao Programa africano de vacina da Aids (AAVP), assegurando assim sua continuação.

Ainda no começo do Forum, o ex-responsável pelo Programa, que deixa seu lugar para os africanos, falava na necessidade de se reunir um bilhão de dólares para se prosseguir as pesquisas, objetivo que deverá ser atingido na coleta de recursos, para se poder prosseguir as pesquisas.

Embora pareça ainda remota uma vacina africana, Maria-Paule Kieny lembra que são aguardados, até o fim do proximo ano, os resultados de testes clínicos de eficácia na Tailândia. “Esperamos que, na hipótese dos resultados não demonstrarem uma eficácia perfeita, haja mesmo assim resultados positivos capazes de permitirem se criar novos produtos, até se poder chegar enfim a uma vacina eficaz”.

Quanto aos investimentos, Marie-Paule reconhece haver uma predominância do setor público, mas salienta haver uma participação da iniciativa privada, como fundações e indústria farmacêutica. “Compreendemos porque é tão difícil para um indústria farmacêutica investir nesse setor a longo prazo, pois a pesquisa poderá ser longa e custosa. É, portanto, legítimo que o poder público tome liderança nesses investimentos, porém, ao mesmo tempo, tudo deverá ser feito para se levar a indústria privada a participar desse esforço”.

‘Investir na vacina, diz Marie-Paule Kieny, é fazer um investimento para o futuro. Mas nao podemos negligenciar os investimentos para o tratamento e para o controle da doença, em os meios de prevenção, pois são os únicos meios que temos no momento. É o caso da circuncisão”.

Pesquisador desmente

O dr. Eric SanDSTrom, do departamento de pesquisas do Instituto sueco Karolinsk desmentiu notícias circuladas na imprensa sobre uma possível vacina contra Aids, produzida por seu laboratório, dentro de três anos.
– Houve precipitação por parte da imprensa na divulgaçao da notícia. Como cada fase dos testes clínicos leva cerca de três anos para ser concluída, é uma simples questão matemática. No caso de resultados positivos dos testes atualmente em fase 2, ainda restam de seis a nove anos para as primeiras conclusões. Nenhum produto em teste no momento, no nosso instituto, tem resultados a curto prazo – afirmou.

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