A luta contra a transmissão da AIDS não para, e a lembrança de que a doença continua sem cura e precisa essencialmente de prevenção é feita todo dia 1º de dezembro, o Dia Mundial de Luta contra a AIDS. No Brasil, desde o ano de 1986, o Ministério da Saúde mantém o programa nacional de DST e AIDS. O tema da campanha este ano novamente fala de preconceito: “Viver com AIDS é possível. Com o preconceito, não”, diz o slogan da campanha. Para diminuir o número de novos casos e trazer relativas melhorias aos pacientes já diagnosticados, o programa desenvolve serviços públicos, dando esperanças aos cerca de 600 mil pacientes infectados com o vírus HIV no Brasil.
Para marcar a data, que cai na próxima terça-feira, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) promove extensa programação cultural e de ações preventivas na Praça da Republica. “Na manhã deste domingo, vamos para a praça com cinco barracas, e as pessoas que passarem por lá vão poder aprender mais sobre a doença e as formas mais práticas e seguras de prevenção. Também vamos falar sobre os preconceitos e distribuir PRESERVATIVOS masculino, femininos e também ensinar como usar esses PRESERVATIVOS”, diz o médico infectologista Benedito Hélio, coordenador municipal de Combate às DSTS e AIDS.
Ele diz que em Belém, embora as estatísticas apontem que o número de homens infectados ainda é maior que o de mulheres na capital paraense, os dados mostram que o número de mulheres infectadas tem aumentado com o passar dos anos. Em 2003 foram registrados 87 casos, já em 2004 este número saltou para 158 casos e em 2005 um novo salto, com 212 novos casos de mulheres infectadas pelo HIV. Em 2006 este número teve uma queda, foram registrados 164 casos, e entre 2007 e 2008 foram 342 casos.
Em Belém, de 2001 até os anos de 2006, foram notificados mais de 2,1 mil caso entre homens e mulheres. Entre os anos de 2007 e agosto de 2009 foram notificados mais de 1,3 mil casos. Em comparação ao período entre 1985 e 2000, em que foram notificados 893 casos entre os homens e 249 entre as mulheres, o número de homens infectados ainda continua mais alto em relação às mulheres. No total, de 1985, quando foram notificados os primeiros casos da doença no Pará, até 2009, foram notificados no município mais de 3,1 mil casos de homens doentes, e no mesmo período foram registrados 1.517 casos entre as mulheres de Belém com a doença desenvolvida.
Ainda é necessário combater o preconceito
Segundo o médico Benedito Hélio, os dados do Ministério da Saúde apontam que entre os anos de 1980 e junho de 2007, foram notificados 474.273 casos novos de AIDS em todo o Brasil, e hoje a estimativa é que de 600 mil pessoas sejam portadores do vírus. As regiões Norte e Nordeste apresentaram as maiores tendências de crescimento de casos. Ainda segundo o médico, das pessoas infectadas atualmente no Brasil, de 85% a 90% foram infectadas por transmissão sexual sem os devidos cuidados.
“A prevenção é a grande chave para o controle da doença. Diversas pessoas deixam de fazer os exames de detecção da doença, por medo e preconceito com a reação das pessoas a sua volta ou da família. O preconceito barra o diagnóstico e retarda o tratamento, prejudicando imensamente o paciente e seus possíveis parceiros”, ressalta o infectologista.
Benedito Hélio lembra que, na década de 1980, quando da descoberta dos primeiros casos da Imunodeficiência Humana (AIDS), o preconceito nascido da falta de conhecimento da sociedade a respeito da doença, fez com que a AIDS fosse, erroneamente, taxada de “doença de homossexuais” ou de “doença de dependentes de drogas”, fatos que fizeram surgir a denominação de “grupo de risco”, que até hoje as organizações de saúde tentam combater, visto que a AIDS é hoje considerada um problema de saúde pública mundial pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
Segregação do doente deve ser combatida
O coordenador municipal de Combate às DSTS e AIDS, Benedito Hélio, esclarece que não existem motivos para a segregação da pessoa que está doente e que o preconceito e a desinformação tem se mostrado obstáculos ainda mais árduos de se vencer do que a própria doença. Ele comenta que o slogan da campanha mundial deste ano é um grande motivador para ações.
“O preconceito é um empecilho que enfrentamos no combate á doença, pois mesmo com todas as campanhas que são feitas pelo governo, ainda é muito grande a falta de informação e o preconceito que isso provoca. O indivíduo doente tem direito a uma vida em sociedade livre e plena, não há motivos para a segregação. A pessoa doente pode abraçar e ser beijada. Mas é importante que todos estejam atentos, antes de tudo, é fundamental que a prevenção seja a primeira preocupação de cada um de nós, não importando a idade ou o sexo”, alerta o médico.
Desde meados da década de 1990, o Ministério da Saúde realiza no Brasil a distribuição gratuita na rede pública de saúde, dos medicamentos que fazem parte do conjunto do tratamento continuado aos portadores do HIV/ AIDS. Segundo o Ministério da Saúde, atualmente cerca de 180 mil pessoas recebem o tratamento de AIDS.
Para se detectar a doença é necessário realizar um exame de sangue. Em Belém, a Sesma disponibiliza para toda a população os serviços do Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), que possibilita a qualquer pessoa que deseje obter informações ou mesmo realizar o exame gratuitamente, sem prescrição médica e anonimamente, caso a pessoa deseje.
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30/NOVEMBRO/09 |
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