Prova de Amor

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Gazeta de Ribeirão – SP

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27/NOVEMBRO/07

Epidemia estável

 

LUCIANA CARNEVALE

Se em 2007 Piracicaba e todo o Brasil vivem uma epidemia assustadora em relação à dengue, doença transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti, que se reproduz em águas paradas e limpas, como a existente, por exemplo, nos vasos de plantas e flores, a situação é bem diferente quando o assunto é a Aids. Embora não haja comparações entre as enfermidades, igualmente crônicas, porém distintas, em se tratando do HIV, que no passado foi uma pandemia (epidemia amplamente difundida), a situação atual é de controle. O panorama foi divulgado na manhã de ontem (26), na sala de reuniões do gabinete do prefeito Barjas Negri (PSDB), pelo secretário municipal de Saúde, Fernando Cárdenas; e pelo coordenador do Projeto de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs), Moisés Taglietta. A coletiva à imprensa funcionou também como divulgação para a abertura oficial da XV Semana Municipal de Prevenção às DSTs/HIV/Aids.

Levantamento detalhado ontem revela que de 1982 a 2006, foram registrados 1.044 casos de Aids em Piracicaba, numa proporção de cinco homens para uma mulher, sendo 759 homens e 285 mulheres. De janeiro a setembro de 2007, foram confirmados 39 casos, entre 26 piracicabanos do sexo masculino e 13 mulheres.

"Vivemos uma condição de epidemia estável. Isso significa que não existe uma explosão de ocorrências de um ano para o outro. Não chega, entretanto, a ser uma endemia (número menor de casos), mas a preservação tem dado certo", observa Taglietta.

Para comprovar a tese, apenas no primeiro semestre de 2007, 4.995 pessoas foram submetidas a testes realizados no Centro de Doenças Infecto-Contagiosas (Cedic). A entidade atende à rua do Trabalho, 634, Vila Independência, ou pelo telefone (19) 3437-7514, e trabalha, além da Aids, com enfermidades como tuberculose, hanseníase, doenças sexualmente transmissíveis e outras patologias.

Ao todo, de acordo com Taglietta, foram executados 600 testes a mais do que nos primeiros seis meses de 2006.

Para se ter uma idéia da situação local, no último ranking sobre a doença, detalhado em dezembro do ano passado, com dados fechados até 2004, Piracicaba aparece em 95º lugar em incidência de Aids no Estado de São Paulo. Há sete anos, o atendimento realizado na cidade foi considerado de padrão-ouro pelo Ministério da Saúde.

Em meio às boas-novas, as mudanças são visíveis. Ao contrário do que ocorria no passado, quando os homossexuais homens representavam 100% do total de pessoas infectadas, nos anos 2000 o perfil mudou radicalmente. De acordo com Taglieta, hoje em dia os heterossexuais representam o maior número de casos, mesclado com um número de mulheres que se relacionam com usuários de drogas. Esses, por sinal, aparecem em segundo lugar, responsáveis por 12% dos casos. Os homens continuam em maior número, mas a curiosidade fica por conta da faixa etária mais recorrente.

A Aids, de acordo com Fernando Cárdenas, é mais comum no município entre jovens de 16 a 29 anos (veja nesta página). A constatação da nova realidade mudou até os planos do Ministério da Saúde. Toda a campanha relacionada à prevenção da doença ou qualquer procedimento que envolva o Dia Mundial de Luta Contra a Aids, celebrado no próximo dia 1º, terá um enfoque direcionado mais voltado à juventude, além de trabalhos de conscientização realizados em empresas, por meio de palestras, entre outros eventos.

O tema será "Inclusão, Encaixe Essa Idéia". "Estamos entrando também nas escolas, conversando com os professores e conquistando uma boa articulação na sociedade", salienta Cárdenas, que destaca que R$ 1,7 mil são gastos por mês, no atendimento por paciente. O custo sai, segundo o secretário, do “pacote” referente ao Sistema Único da Saúde (SUS) que vem do governo federal.

Cartazes, panfletos e a distribuição em massa de preservativos, masculinos e femininos, serão algumas das ações realizadas em Piracicaba e em todo o País. Por mês, foram entregues gratuitamente 55 mil camisinhas em unidades de saúde e pronto-socorros. Para dezembro, haverá um reforço de mais de 40 mil unidades.

Outra boa notícia é de que, ao contrário do registro de Aids em 38 crianças de 1982 ao ano passado, a cidade não registrou nenhum caso de janeiro a setembro deste ano. "É um dado muito importante, que deve ser ressaltado", afirma Cárdenas. Se 635 pessoas morreram nos últimos 24 anos, seis faleceram nesse período de 2007.

Solidariedade

Vários eventos estão previstos para acontecer até o final deste ano, tendo a prevenção da Aids como pano-de-fundo. Além da XV Semana Municipal de Prevenção, instituída na cidade em 1992, será realizada nesta sexta-feira (30), às 8 horas, a Caminhada da Solidariedade, com saída do Largo do Mercado Municipal, passando pela rua Governador Pedro de Toledo, entrando na rua São José e chegando à praça José Bonifácio. Ao longo do dia, acontecerão atividades educativas e culturais. O encerramento está previsto para as 16 horas.

Amanhã (28), das 8 horas às 17 horas, tem início, no Centro Cívico, o projeto "Meu Corpo, Minha Casa", que segue até o próximo dia 3, com a participação de 250 professores, diretores e coordenadores.

A fatídica “prova de amor”

Os casos de mulheres mais velhas infectadas com Aids é um fato, mas a descoberta surpreendente de que os jovens representam a principal fatia da população com HIV preocupa os especialistas. Moisés Taglietta ressalta que muito ainda se fala na “prova de amor”, principalmente entre os jovens. "Infelizmente, tudo isso ainda existe. Um namoro de três meses, por exemplo, acaba se transformando num compromisso sério e essa espécie de pacto ocorre de forma até natural, quando na verdade, não deveria ser assim", explica. Quando a “prova de amor” é sugerida, o adolescente hesita em usar o preservativo e até se irrita quando é chamado a se proteger durante as relações sexuais.

Os cientistas observam que, à essa altura, a mulher se entrega, justamente para cumprir a tal “prova de amor”, sem qualquer preparo ou prevenção. Se algum dos parceiros está infectado, é nesse momento que acontece a transmissão. "As pessoas precisam entender que nenhuma “prova de amor” tem o poder de impedir o aparecimento da Aids. É ilusão pensar nisso", alerta.


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Claudio Souza DJ, Bloqueiro e Escritor
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