Isso mesmo.
Quando se fala sobre DST, incluindo o HIV, pouca gente lembra que mulheres que amam mulheres também correm riscos se mantiverem-se sexualmente ativas, porém nenhuma atenção é despendida a elas nesse sentido.

Sou homossexual e confesso que tive uma série de parceiras e nunca passou pela minha cabeça a proteção, especialmente porque não há informação suficiente e não existe material adequado à disposição.
Parece que nos dizem claramente:
Você é lésbica? Se vire!
Com os “meninos” não é assim, tanto que os postos de saúde cedem camisinhas gratuitas, as campanhas são voltadas ao público gay masculino, inclusive.
Os heterossexuais ganharam seu espaço, a terceira idade virou tema de campanha devido ao aumento de casos.
Mas e nós, gente?
Fazemos sexo como todo mundo, correndo riscos, inclusive.
A ignorância é tão grande que tem gente que pensa que mulheres são incapazes de se transmitirem doenças.
Se o HIV não é tão potente no sexo oral, o mesmo oferece sim risco de transmissão no mesmo, e existe um rol de outras doenças que basta que mucosa de boca e vagina se encontrem para causar aquele estrago, ou a simples prática do tribadismo (vagina com vagina), ou ainda o uso compartilhado de objetos.
Por isso precisamos deixar de ser invisíveis!
Já que ninguém nos ajuda, vamos aprender a nos virar sozinhas?
Vou tentar passar essa idéia de um jeito bem simples, pois a partir de hoje eu só quero fazer sexo com proteção, pois quem ama cuida, e me amo demais pra continuar nessa roleta-russa.
O que você pode fazer para se proteger:
- Não tenha sexo oral durante menstruação;
- Use luvas de látex para proteger suas mãos, especialmente quando sua parceira estiver menstruando;
- Ao fazer sexo oral, use pedaços quadrados de látex, lençóis cirúrgicos ou rolopac para cobrir os genitais de sua parceira.
- Amarrar ou chicotear sua parceira não é exatamente perigoso a menos que envolva sangue;
- Use camisinha ao utilizar vibradores e outros brinquedos que envolvam penetração. Troque a camisinha toda vez que trocar de orifícios. Troque a camisinha ao dividí-lo com sua parceira.
- Uma boa higienização de seus brinquedos e vibradores é extremamente importante, independente da AIDS ou outras doenças. Mantenha seus acessórios limpos e guardados em local ventilado e seco. Ao escolher onde guardá-los, lembre-se que sacos e sacolas plásticas impedem a ventilação, favorecendo a formação de mofo, fungos e bactérias em seus acessórios. Lave seus acessórios cuidadosamente com água quente e sabão neutro ou com uma solução caseira de água sanitária (uma parte de água sanitária para cinco partes de água limpa é suficiente). Não se esqueça de enxaguar bem;
- Nunca tire o vibrador da vagina de sua parceira e insira-o no ânus/boca ou vice-versa. Ao trocar de orifícios, sempre troque a camisinha ou lave o vibrador.
- Não tenha medo de propor sexo seguro a sua parceira. Aprenda a negociar e a dizer ‘não’.
Não tenha medo dos portadores do HIV!
A AIDS é uma doença letal e devemos fazer de tudo para nos proteger dela. No entanto, o medo e a ignorância dos leigos tornam a doença ainda mais terrível para aqueles que têm de conviver com o HIV.
Um abraço, um beijo ou afago não vão lhe transmitir AIDS.
A lista abaixo tem por objetivo clarificar o tipo de contato que você pode ter com sua parceira sem correr o risco de contaminação. Leia-a com cuidado.
Não é arriscado:
- Massagens;
- Abraços;
- Beijos;
- Voyeurismo;
- Exibicionismo;
- Masturbação – você tocar a si mesma;
- Contato com o corpo da parceira infectada – desde que não envolva fluídos…
Mas, se vc é lésbica e quer curtir ter relação sexual sem neuras, faça o teste de HIV, passe por uma ginecologista para verificar sua saúde genital e exija o mesmo de sua parceira.
Se não der tempo de fazer tudo isso, proteja-se!
Kamila.
(kamiladepaulaeduardo@hotmail.com)
Kamila é Advogada
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